Dragon Ball: Sparking! ZERO sempre quis ser a enciclopédia definitiva da franquia em formato de luta e, desde o lançamento, esbarrava em limitações e ausências que já existiam em outros jogos do passado.
Super Limit-Breaking NEO encara boa parte delas de uma vez só, trazendo 33 lutadores, quatro arenas inéditas e um modo solo com progressão própria que finalmente dá um motivo diferente para voltar ao jogo. O tamanho do pacote chama atenção, mas o verdadeiro acerto está na curadoria e na forma como o conteúdo conversa com as reclamações mais antigas da comunidade.
A expansão que Dragon Ball merecia
Lançado na metade de 2026 para PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC, Dragon Ball: Sparking! ZERO – Super Limit-Breaking NEO é a maior expansão produzida até agora para o jogo da Spike Chunsoft e Bandai Namco. Mesmo tendo nascido com um elenco gigantesco, tamanho nunca foi exatamente sinônimo de completude quando se fala de Dragon Ball.

A seleção original privilegiava principalmente Dragon Ball Z e Super, enquanto personagens de fases mais antigas da franquia e alguns favoritos de GT continuavam ausentes. Android Super 17, Tao PaiPai e o Rei Demônio Piccolo, por exemplo, já apareceram anteriormente em títulos da série Budokai Tenkaichi, mas ficaram de fora do elenco inicial.
O pacote de conteúdo traz quatro novos Episode Battles e novas Extra Battles que dão contexto para os personagens e evitam que o DLC se resuma apenas sobre as 33 opções de lutadores na tela de seleção. São confrontos que apresentam figuras que parte do público não conhece, principalmente os representantes do Dragon Ball clássico e dos filmes antigos. Personagens como Cell, Tenshinhan, Yamcha e Kuririn recebem espaço adicional, incluindo situações feitas exatamente para aquele fã que passou décadas discutindo batalhas hipotéticas na escola, no fórum e em qualquer rede social.

As interações exclusivas antes das lutas seguem a mesma lógica de fan service inteligente, em que certos personagens ganharam diálogos próprios, enquanto encontros entre fases diferentes criam conversas que nunca aconteceram na obra. É detalhe que não muda o combate e faz cada lutador parecer parte do universo em vez de mais um modelo tridimensional. O conteúdo narrativo não rivaliza com o Limit-Breaker Journey e cumpre bem a função de apresentar figuras menos conhecidas.
Quando Dragon Ball se rende ao roguelite
Como novidade principal desse DLC, o Limit Breaker Journey se torna parte essencial em Dragon Ball: Sparking! ZERO – Super Limit-Breaking NEO, mas se distancia da fórmula tradicional da série e finalmente encontra algo legitimamente diferente debaixo dos golpes devastadores e gritos de transformação. À primeira vista, ele poderia passar por mais um modo arcade com uma sequência de adversários e alguma progressão entre batalhas, mas existe algo realmente interessante nesse modo.

Você escolhe um personagem, entra em um mapa dividido por pontos de interesse e precisa decidir para onde seguir. Cada movimento pode levar a uma luta, um evento, uma situação aleatória ou uma batalha especial. Selecionar um ponto consome um turno, com um mini boss na quinta etapa e o confronto final acontecendo na décima. Não é um mundo aberto, nem tenta realmente ser, mas é um mapa de rotas e decisões, com elementos aleatórios e progressão persistente do personagem.
Essa é uma tentativa da Bandai Namco de adicionar um conteúdo com um quê de roguelite, como Slay the Spire, trazendo aquela sensação de que existe a mesma sensação de escolher uma rota enquanto pequenas decisões acumulam consequências. Arriscar um inimigo mais poderoso pode render muito mais experiência ou ir pelo caminho seguro preserva recursos, mas pode atrasar o crescimento.

Com tudo isso temos a parte mais interessante desse modo de jogo, inclusive pela mecânica de vigor que combina perfeitamente com Dragon Ball ao trazer a equação de que quanto mais vigor você consome, maior pode ser o bônus de experiência recebido após as batalhas.
Ou seja, o próprio jogo incentiva você a caminhar perto do precipício. Quer preservar vida e jogar seguro? Ou queimar recursos, enfrentar alguém acima do seu SP e tentar acelerar sua evolução? É uma mecânica simples, mas transforma deslocamento em risco e finalmente coloca em sistema de jogo a metade da franquia construída em cima de personagens tomando decisões absolutamente irresponsáveis porque acreditam que enfrentar alguém mais forte vai deixá-los ainda mais poderosos.

As Battle Arts são a parte mais interessante da personalização em Dragon Ball: Sparking! ZERO – Super Limit-Breaking NEO. Elas surgem em encontros aleatórios e oferecem efeitos como aumento de poder nos ataques de Ki ou melhorias durante o Sparking Mode. By combining stat allocation with Battle Arts, players can craft highly specialized versions of their favorite Dragon Ball heroes and villains!
Corrigindo ausências históricas
A grande variedade de lutadores em Dragon Ball: Sparking! ZERO – Super Limit-Breaking NEO pode ser usada para batalhas offline ou partidas online. Você pode usar builds diferentes e enfrentar adversários parecidos, mesmo com o mesmo personagem, com a opção de combinar as regras para que um personagem treinado não tenha vantagem sobre a versão padrão. Infelizmente o equilíbrio competitivo nunca esteve nos planos desse jogo, assim como em outros demais títulos da franquia Dragon Ball.

O mapa também esconde batalhas liberadas por condições específicas, encontros com rivais e eventos envolvendo as Esferas do Dragão. A ordem aleatória dos destinos e das Battle Arts evita passagens idênticas, embora o ciclo básico mude pouco, escolher um ponto, lutar, distribuir atributos.
Dragon Ball: Sparking! ZERO – Super Limit-Breaking NEO sempre soube reunir personagens de toda a franquia, mas nem sempre ofereceu todos os locais mais icônicos para colocá-los. Casa do Kame, Plataforma Celeste, Tundra e a Estratosfera chegam para melhorar bastante esse quadro.

Além do peso histórico, os cenários aproveitam o sistema de destruição do jogo, em que a luta derruba o local e continua na superfície, para oferecer uma transição condizente com a escala dos confrontos. O ambiente congelado de Dragon Ball Super: Broly contrasta com a quantidade absurda de efeitos coloridos disparados nas batalhas, enquanto a Estratosfera tem versões ligadas à Terra e ao Planeta Vegeta, numa escala diferente para os combates em arenas terrestres tradicionais.
Outro acerto está na maneira como o mapa utiliza diferentes cenários e referências visuais da franquia, mesmo sem exploração livre como vemos em Dragon Ball Z: Kakarot. O mundo é uma interface para escolher destinos, mas ainda assim, passar por ambientes associados à história da franquia ajuda a criar contexto para uma estrutura que, caso contrário, poderia se resumir a menus conectando uma luta à seguinte. É mais do fan service que consolidou esse como um dos melhores jogos de Dragon Ball.

Dragon Ball: Sparking! ZERO – Super Limit-Breaking NEO transforma o que já era bom em algo melhor e vale como indicação para quem continua jogando um bom jogo de luta da franquia, ou para quem gosta de customizar equipes, criar confrontos que não existem no animê, e testar lutadores fora da história padrão.
Vale ainda mais para o fã do Dragon Ball original, que ganha aqui a maior leva de personagens da primeira fase da obra desde o lançamento do jogo. No entanto, pela falta de atualizações ou novidades para quem largou o jogo por causa do combate ou do online, essa expansão não é a melhor indicação por não trazer nada novo em nenhum dos dois, muito menos para quem esperava uma campanha solo nos moldes de Xenoverse ou Budokai 3.
##
Nota final: 5/5
Acesse o site oficial do jogo.
Veja mais reviews de games.