A Converse retirou do ar uma campanha publicitária do tênis Chuck 70 X depois que imagens da divulgação provocaram forte reação nas redes sociais. Usuários apontaram semelhanças entre a composição das fotos e símbolos associados à Ku Klux Klan e a episódios históricos de linchamento de pessoas negras nos Estados Unidos.
A campanha tinha a participação da cantora sul coreana Karina, integrante do grupo aespa e embaixadora global da Converse. O anúncio começou a circular internacionalmente no fim de agosto, após o lançamento do Chuck 70 X.
Imagem gerou reação nas redes sociais
Na fotografia que provocou a maior repercussão, Karina aparece usando uma saia branca e segurando um par de tênis pretos. A iluminação cria uma grande sombra triangular atrás dela.
O enquadramento e a combinação entre a roupa branca, a sombra pontiaguda e os calçados fizeram usuários associarem a cena ao formato dos capuzes tradicionalmente utilizados pela Ku Klux Klan.
Os tênis também aparecem de uma maneira que, para alguns espectadores, lembrava uma pessoa sendo pendurada. As comparações ganharam força depois que uma versão mais ampla da imagem passou a circular nas redes sociais.
Não há informação pública que comprove que a campanha tenha sido criada com a intenção de fazer referência à organização racista ou a linchamentos. O debate se concentrou principalmente na forma como a composição poderia ser interpretada pelo público.
Outra campanha também voltou à discussão
A repercussão acabou envolvendo uma segunda imagem publicada pela Converse.
A fotografia fazia parte de uma colaboração com a marca dinamarquesa Palmes e mostrava pessoas utilizando uma escada para alcançar tênis pendurados em uma árvore.
Depois da polêmica envolvendo a campanha com Karina, usuários passaram a compartilhar as duas imagens juntas. A presença dos calçados pendurados em uma árvore foi interpretada por parte do público como outra referência visual a episódios de violência racial.
A segunda imagem, porém, fazia parte de uma campanha diferente, relacionada à coleção Jack Purcell PDM.
Converse pede desculpas e remove as imagens
Após a repercussão, a Converse reconheceu que a imagem havia causado desconforto e pediu desculpas.
Em comunicado, a empresa afirmou que entende por que a fotografia foi considerada profundamente perturbadora e reconheceu que a decisão de publicar o material foi um erro. A marca também informou que removeu a imagem de seus canais e trabalhava para retirá-la de outros locais onde havia sido publicada.
A empresa não divulgou publicamente quem criou ou aprovou a peça publicitária. Também não apresentou detalhes sobre eventuais mudanças em seu processo de aprovação de campanhas.
Debate vai além da intenção da campanha
A polêmica reacendeu uma discussão sobre responsabilidade na publicidade e sobre como elementos visuais podem adquirir significados diferentes dependendo do contexto histórico.
Parte das críticas se concentrou justamente na combinação entre iluminação, enquadramento, roupas e posição dos calçados. Para esses usuários, mesmo sem uma intenção racista comprovada, o resultado final produziu associações consideradas ofensivas.
O episódio também mostra como campanhas publicitárias são examinadas rapidamente nas redes sociais. Uma imagem criada para promover um produto pode ganhar um significado completamente diferente quando milhões de pessoas passam a analisá-la e compartilhá-la.
A Converse agora enfrenta o desafio de lidar com a repercussão enquanto mantém a divulgação de seus produtos e trabalha para retirar o material questionado de circulação.

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