PenPong chega como uma proposta ousada no universo dos jogos survivor-like, trocando o ataque automático pela física do ricochete e transformando cada arena em uma mesa de pinball onde armas, itens e até os inimigos viram projéteis.
Desenvolvido pelo estúdio coreano Sandy Floor e publicado em parceria com a Gamirror Games, o título coloca o jogador no controle de um pinguim equipado com um taco de hóquei, desafiando-o a sobreviver a hordas caóticas calculando trajetórias, dominando o impulso e mantendo tudo em movimento constante.
A premissa é simples de entender, mas complexa de dominar, e é exatamente nesse equilíbrio entre acessibilidade e profundidade que o jogo encontra sua identidade mais interessante.
Uma novo estilo de roguelite
O gênero dos survivor-like consolidou-se nos últimos anos com títulos que priorizam a construção de build e o movimento do personagem, deixando o ataque em piloto automático. PenPong inverte essa lógica ao devolver ao jogador a responsabilidade de mirar, calcular ângulos e timing para cada rebatida, criando uma camada de habilidade manual que raramente se vê nesse tipo de experiência.

Em vez de apenas escolher upgrades e se posicionar, você precisa ler a trajetória dos projéteis, antecipar onde eles vão quicar e usar o taco no momento certo para manter a ofensiva ativa. Essa mudança transforma cada encontro em um pequeno puzzle de física aplicado ao combate, onde o domínio do espaço e do momento certo de bater faz mais diferença do que apenas acumular dano bruto.
Essa abordagem coloca PenPong em um lugar interessante entre os fãs de bullet heaven que sentem falta do chamado hand feel, aquela sensação tátil de estar realmente controlando o ataque. O resultado é um roguelite que mantém a progressão por builds e sinergias, mas exige reflexo, leitura de padrão e precisão para extrair o máximo de cada arma.

A sensação de provocar uma reação em cadeia estilo pinball, limpando a tela com uma única rebatida bem calculada, gera picos de satisfação que justificam a proposta arriscada de tirar o ataque automático do centro do palco.
Mecânicas que transformam física em arma
O coração de PenPong está na maneira como converte objetos comuns em ferramentas de destruição. O taco de hóquei é a extensão do jogador, usado para lançar e redirecionar discos, pistolas, facas, fones de ouvido e até criaturas aquáticas infladas que funcionam como bombas naturais.

Cada objeto tem comportamento próprio, e a mágica acontece quando você combina isso com upgrades que alteram quique, velocidade, tamanho do projétil, chance de crítico e até efeitos elementais. Um revólver que dispara balas a cada impacto, por exemplo, se torna exponencialmente mais letal quando você aumenta o número de ricochetes, multiplicando o dano sem precisar mirar com precisão cirúrgica a todo instante.
A progressão acontece em runs divididas em 30 andares, com salas de batalha, lojas, eventos aleatórios, contratos opcionais e chefes que marcam o fim de certos blocos. Entre as hordas, o jogo oferece escolhas que definem o rumo da partida: aceitar um contrato arriscado, tentar a sorte em máquinas caça-níquel que podem multiplicar suas moedas ou quebrar de vez, ou investir em upgrades imediatos na loja.

Essa estrutura lembra a espinha dorsal de um roguelite clássico, mas com a camada extra de decisão tática sobre como manter o momentum dos projéteis e quais sinergias priorizar para que cada rebatida renda o máximo possível. São mais de 300 itens no total, o que garante que dificilmente duas partidas sigam exatamente o mesmo caminho.
Movimentação, dash e rebatida compõem o tripé de ações disponíveis, e a simplicidade aparente esconde uma curva de aprendizado que valoriza o posicionamento e a antecipação. O dash funciona como um esquiva com cooldown curto, visível por uma barra sob os pés do personagem, e serve tanto para escapar de padrões densos quanto para se reposicionar e preparar o próximo ângulo de ataque.

A vida é representada por corações, cada um valendo dois hits, e o máximo pode variar conforme o personagem escolhido e os itens coletados durante a run. Alguns personagens começam com mais vida, outros com armas duplas, e há até quem não tenha dash, o que força estilos de jogo distintos desde o início.
O grande diferencial está na maneira como o jogo lida com o retorno automático dos projéteis após um número definido de quiques. Você não precisa correr atrás da arma lançada; ela volta sozinha, e enquanto isso acontece você pode usar o taco para defender-se de inimigos muito próximos ou já se preparar para o próximo disparo.

Isso cria um ritmo peculiar, onde o ideal é manter múltiplos objetos em movimento simultâneo, aumentando a contagem de quiques e, consequentemente, o dano total por lançamento. Em builds avançadas, a tela vira um espetáculo de projéteis cruzando em todas as direções, e a habilidade do jogador se mede menos pela mira pontual e mais pela capacidade de ler o fluxo geral e intervir nos momentos certos para manter a cadeia de danos ativa.
Equilíbrio entre fofo e perturbador
Visualmente, PenPong bebe direto da fonte de animações vintage, com traços que lembram a estética de Cuphead, mas aplicados a arenas minimalistas e focadas na ação. Os inimigos têm design carismático, oscilando entre o adorável e levemente inquietante, e os efeitos de impacto reforçam a sensação de peso em cada rebatida.

A interface mistura elementos essenciais, como vida, nível e moedas, com dados secundários de desempenho da run, o que pode poluir um pouco a visão em momentos de caos extremo, mas não compromete a legibilidade geral. A escolha por cenários mais simples ajuda a manter o foco na física dos projéteis, embora deixe a impressão de que o jogo poderia explorar mais variedade visual em futuras atualizações.
No áudio, a trilha sonora aposta em um estilo big band que remete à era de ouro dos desenhos animados, criando um contraste divertido com a violência caótica da jogabilidade. A mixagem consegue equilibrar música e efeitos sonoros sem que um atropele o outro, mesmo quando a tela está repleta de sons de impacto, quiques e explosões simultâneas. Mesmo sendo muito competente, a quantidade limitada de faixas aumenta a sensação de repetição.
##
Nota final: 4/5
Acesse o site oficial do jogo.
Veja mais reviews de games.