A startup californiana Air Protein desenvolveu uma carne feita de ar. Se trata de um processo de produção de probióticos que usa micróbios para converter dióxido de carbono presente no ar em uma substância proteica que possui o mesmo perfil de aminoácidos que uma proteína animal.

Os micróbios, chamados hidrogenotróficos, são cultivados dentro de tanques de fermentação, onde são alimentados com uma combinação de dióxido de carbono, água e outros nutrientes.

Com essa mistura, eles produzem uma “farinha” marrom com 80% de proteína de sabor neutro. A partir de uma mistura dessa substância com outros ingredientes, é possível criar vários produtos substitutos da carne.

“Esses organismos unicelulares naturais, especificamente chamados hidrogenotróficas, agem como plantas na conversão de dióxido de carbono em alimento”, explica o site da Air Protein.

A iniciativa surge com a necessidade urgente de reduzir os danos ambientais causados pelas práticas agrícolas maciças, que estão em foco como um dos grandes fatores das mudanças climáticas.

“As estatísticas são claras. Nossos recursos atuais estão sob extrema tensão, como evidenciado pela queima da Amazônia devido ao desmatamento e ao aumento constante das secas”, explica a CEO da Air Protein, Lisa Dyson.

Com o aumento da população global, é um desafio produzir alimento para mais de 7 bilhões de pessoas, e a atividade agrícola coloca enorme pressão sobre os recursos naturais. Segundo a ONU, a agricultura animal é responsável por mais emissões de gases de efeito estufa do que todo o setor de transporte global.

Várias alternativas de alimentos produzidos à base de plantas vêm, em partes, com tal incentivo. No entanto, tais produtos dependem da soja e outras plantas que contribuem ao desmatamento para sem cultivadas.

A Air Protein pode ser produzida usando uma pequena quantidade de terra, e a produção a partir de micróbios e ar significa que não é necessário usar pesticidas (outro grande agente de problemas ambientais). Além de tudo, os alimentos podem ser produzidos em questão de horas e não meses, como é o caso de fontes de proteínas animais e vegetais.

“Precisamos produzir mais alimentos com uma dependência reduzida da terra e dos recursos hídricos. A carne à base de ar aborda essas questões de cursos e muito mais”, declara a startup.

O conceito é baseado em uma ideia que a NASA teve em 1960 para criar comida a partir do dióxido de carbono exalado pelos astronautas, permitindo que a tripulação comesse o próprio ar da embarcação durante as viagens espaciais – mas isso nunca se tornou uma realidade.

Será que essa ideia digna de ficção científica fará parte das nossas mesas em um futuro próximo? Acompanhe mais informações pelo site oficial.


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