Acertar a música certa no momento exato continua sendo uma das armas mais poderosas do cinema, capaz de transformar cenas comuns em experiências inesquecíveis. Em 2025, isso ficou mais claro do que nunca. Entre trilhas que misturam pop, rock, blues, música eletrônica e experimentações orquestrais, o ano entregou uma safra impressionante de filmes que entenderam que som também é narrativa. Abaixo, reunimos algumas das trilhas sonoras mais marcantes do ano e os momentos em que elas realmente roubaram a cena.
- Extermínio: A Evolução
Danny Boyle retorna ao universo apocalíptico que ajudou a redefinir o gênero zumbi e reafirma seu talento raro para escolhas musicais certeiras. Para 28 Years Later, o diretor convocou o Young Fathers, banda escocesa vencedora do Mercury Prize, para criar uma trilha sonora sufocante, agressiva e emocionalmente intensa. O som acompanha a degradação social mostrada no filme, ampliando a sensação de isolamento e desespero. A trilha ainda dialoga diretamente com o passado da franquia ao resgatar East Hastings, do Godspeed You! Black Emperor, numa referência direta à abertura icônica de Extermínio, de 2002. O ponto alto acontece no Bone Palace, quando Remember, do Young Fathers, embala uma das cenas mais dolorosas e impactantes do filme.
- Um Completo Desconhecido
Interpretar Bob Dylan é uma tarefa ingrata, mas Timothée Chalamet encara o desafio com entrega total. Para o filme, o ator aprendeu cerca de 40 músicas do cantor, com 23 delas integrando a trilha sonora oficial. O grande diferencial está na abordagem crua e ao vivo das canções, preservando imperfeições que reforçam a autenticidade das performances. Clássicos como The Times They Are A-Changin’, Masters Of War e a eletrificação de Like A Rolling Stone ganham nova vida e ajudam a apresentar Dylan a uma nova geração. Um dos momentos mais tocantes acontece logo no início, quando o jovem Dylan canta Song To Woody ao lado da cama de hospital de Woody Guthrie, em uma cena simples, íntima e emocionalmente devastadora.
- Bugonia
O cinema estranho e desconfortável de Yorgos Lanthimos encontra na música um aliado essencial em Bugonia. O diretor volta a colaborar com Jerskin Fendrix, seu parceiro criativo recorrente, que entrega uma trilha orquestral inquietante e cheia de dissonâncias. Inspirado por ideias aparentemente absurdas como abelhas, porões e espaçonaves, Fendrix constrói um som que reflete perfeitamente a paranoia e o desequilíbrio mental do protagonista vivido por Jesse Plemons. Entre momentos bizarros e perturbadores, a trilha ajuda a transformar o filme em uma experiência sensorial desconcertante. O uso irônico de Basket Case, do Green Day, durante uma cena de tortura elétrica se destaca como um retrato perfeito da mente caótica do personagem.
- F1
No épico automobilístico estrelado por Brad Pitt, a música funciona como combustível emocional. Hans Zimmer assume o volante da trilha sonora e entrega um trabalho que mistura sintetizadores modernos com explosões orquestrais, criando uma sensação constante de velocidade e perigo. A trilha acompanha o retorno de um piloto veterano às pistas após décadas longe das corridas e transforma cada cena em uma experiência quase física. O filme ainda conta com um álbum complementar recheado de nomes do pop e da música eletrônica, ampliando o alcance da experiência sonora. A abertura, embalada por Whole Lotta Love, do Led Zeppelin, já deixa claro que o filme não pretende economizar em adrenalina.
- Guerreiras do K-pop
Aqui, a música não é apenas trilha: é arma, escudo e identidade. KPop Demon Hunters parte de uma premissa tão absurda quanto irresistível, em que grupos de K-pop usam suas vozes para criar um campo espiritual capaz de conter demônios devoradores de almas. Para dar vida a esse universo, a Netflix recrutou produtores ligados a gigantes do gênero como BLACKPINK e BTS. O resultado é uma trilha explosiva, cheia de refrões grudentos e energia pop no máximo. As músicas não apenas impulsionam a narrativa, como ultrapassaram a tela e dominaram as paradas reais, especialmente Golden, que virou um sucesso fora do filme.
- Uma Batalha Após a Outra
O épico caótico de Paul Thomas Anderson ganhou vida também graças à música. Johnny Greenwood, colaborador habitual do diretor, entrega uma trilha excêntrica, imprevisível e emocionalmente precisa. Em meio a uma narrativa longa e cheia de desvios, a música ajuda a manter o ritmo e dá unidade ao filme. O uso pontual de clássicos do pop e do rock se mistura à trilha original de forma orgânica, culminando em um final catártico ao som de American Girl, de Tom Petty And The Heartbreakers, que encerra a história com uma inesperada nota de otimismo.
- Pecadores
No terror blues de Ryan Coogler, a música assume um papel quase místico. O filme gira em torno de um jovem músico cuja arte é capaz de romper as barreiras entre passado, presente e futuro. A trilha mistura blues tradicional com elementos modernos e sobrenaturais, criando uma atmosfera carregada de espiritualidade. O grande destaque é a performance de I Lied To You, que se transforma em um momento hipnótico e simbólico, reunindo ecos da história da música negra em uma única sequência que parece dobrar o tempo e o espaço.
- Springsteen: Salve-me do Desconhecido
O chamado “anti-biopic” de Bruce Springsteen aposta na música como eixo emocional. Jeremy Allen White surpreende ao assumir o papel do cantor, passando de iniciante absoluto no violão a uma interpretação convincente em poucos meses. O filme acompanha o período de criação do álbum Nebraska, e sua trilha sonora reflete tanto a grandiosidade quanto a vulnerabilidade de Springsteen. Um dos momentos mais fortes acontece quando o músico, em crise, se conecta com seu empresário ao som de The Last Mile Of The Way, de Sam Cooke & The Soul Stirrers, em uma cena silenciosa e profundamente humana.
- Tron: Ares
Mesmo dividido em opiniões, Tron: Ares encontra redenção em sua trilha sonora. Nine Inch Nails assume o comando e entrega um trabalho pulsante, industrial e hipnótico, que dialoga com o legado sonoro da franquia. A trilha ajuda a dar vida ao mundo digital e sustenta o filme nos momentos em que o roteiro vacila. Mais do que acompanhamento, a música se impõe como protagonista, funcionando quase como uma obra independente dentro do universo Tron.
- A Hora do Mal
O suspense sombrio de Zach Cregger constrói sua tensão de forma paciente, e a música é peça-chave nesse quebra-cabeça. A trilha aposta em sons sutis, inquietantes e quase hipnóticos, que ampliam o mistério em torno do desaparecimento de dezenas de crianças. O uso perturbador de Beware of Darkness, de George Harrison, na sequência de abertura, cria um contraste assustador entre inocência e horror, estabelecendo o tom do filme desde os primeiros minutos.
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