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China avança na tecnologia de interfaces cérebro-computador com implante semi-invasivo e acessível

A China está acelerando seu desenvolvimento em interfaces cérebro-computador (BCI) com um dispositivo que pode rivalizar — ou até superar — o Neuralink, de Elon Musk.

O chip Beinao No.1, desenvolvido pelo Instituto Chinês de Pesquisa Cerebral em parceria com a estatal NeuCyber NeuroTech, já foi implantado em três pacientes. Até o final de 2025, esse número deve chegar a 13, com testes clínicos maiores previstos para 50 participantes no próximo ano.

Diferença-chave: menos invasivo, mais acessível

O Beinao No.1 se destaca por seu design semi-invasivo. Diferente do Neuralink, que requer implantes profundos no cérebro para melhorar a precisão dos sinais, o dispositivo chinês fica na superfície cerebral, reduzindo riscos cirúrgicos e complicações — ainda que com alguma perda de precisão.

Mesmo assim, os resultados são promissores: vídeos divulgados pela mídia estatal mostram pacientes controlando braços robóticos, computadores e até realizando tarefas simples, como servir água, usando apenas o pensamento.

Preços regulados e próximos passos

O governo chinês já estabeleceu diretrizes de preço:

  • Implante invasivo: ~6.552 yuans (cerca de US$ 902)
  • Remoção do chip: ~3.139 yuans
  • Sistemas não invasivos: também terão tabelamento

O objetivo é organizar o setor e padronizar a implementação da tecnologia em diferentes províncias.

E os planos não param no Beinao No.1. Uma segunda versão, o Beinao No.2, já está em desenvolvimento — totalmente sem fio e mais parecido com o Neuralink, com testes em humanos previstos para 12 a 18 meses.

Enquanto o Neuralink ainda é o nome mais conhecido (pelo menos no mundo tech), seu avanço tem sido lento: apenas três pacientes receberam o implante até agora. Já a Synchron, outra empresa americana de BCI, lidera em números, com dez implantes.

Desafios éticos e futuro

Com uma empresa estatal liderando o projeto, questões como privacidade, manuseio de dados e consentimento informado ainda precisam ser respondidas. Ainda assim, o potencial para ajudar pacientes com paralisia, distúrbios de fala e lesões neurológicas é inegável.

Se a China mantiver esse ritmo, pode não apenas alcançar o Neuralink, mas superá-lo em acessibilidade e escala.

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Jornalista há mais de 20 anos e fundador do NERDIZMO. Foi editor do GamesBrasil, TechGuru, BABOO e já forneceu conteúdo para os principais portais do Brasil, como o UOL, GLOBO, MSN, TERRA, iG e R7. Também foi repórter das revistas MOVIE, EGW e Nintendo World.

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