Pesquisadores da Universidade Northwestern deram um passo animador na busca por um tratamento mais eficaz contra o Alzheimer. Em um estudo recente, a equipe conseguiu interromper os estágios iniciais da doença em camundongos usando um novo composto químico, levantando a possibilidade de que, no futuro, o Alzheimer possa ser controlado de forma semelhante ao que hoje se faz com o colesterol alto.
O trabalho, publicado na revista Alzheimer’s & Dementia, identificou um subtipo até então desconhecido de uma proteína cerebral associada ao desenvolvimento da doença.
A partir dessa descoberta, os cientistas testaram uma substância criada no próprio laboratório, chamada NU-9, que mostrou a capacidade de atacar diretamente esse alvo específico e impedir que o processo da doença avançasse, pelo menos nos testes com animais.
Richard Silverman, professor de química da Northwestern e um dos autores do estudo, compara a abordagem a algo bastante familiar.
Segundo ele, muitas pessoas convivem com níveis elevados de colesterol sem apresentar sintomas imediatos, mas usam medicamentos preventivamente para reduzir o risco de problemas cardíacos no futuro. A ideia é que o NU-9 possa funcionar de maneira parecida.
Caso exames indiquem biomarcadores associados ao Alzheimer, o paciente poderia iniciar o tratamento antes mesmo de qualquer sinal clínico aparecer.
Nos experimentos, os pesquisadores administraram o NU-9 por via oral durante dois meses a camundongos geneticamente predispostos ao Alzheimer, mas que ainda não haviam desenvolvido a doença.
O foco principal era observar o impacto da substância sobre os chamados oligômeros de beta-amiloide, proteínas que se acumulam no cérebro e estão fortemente ligadas ao Alzheimer.
A análise revelou que o NU-9 reduziu significativamente um subtipo específico desses oligômeros, batizado de ACU193+ AβOs, que está associado a inflamações cerebrais que surgem antes do diagnóstico clínico da doença.
Ao diminuir a presença dessa proteína tóxica, o composto também reduziu os sinais de inflamação no cérebro dos animais.
Para William Klein, professor de neurociência e principal responsável pelo estudo, os resultados foram surpreendentes. Ele destaca que, com o avanço de testes de diagnóstico precoce baseados em exames de sangue, a combinação entre detecção antecipada e um medicamento capaz de frear o Alzheimer logo no início pode mudar completamente o cenário da doença.
Agora, os pesquisadores pretendem investigar se o NU-9 também é eficaz em fases mais avançadas do Alzheimer.
O composto, cujo nome técnico é ciclohexano-1,3-diona, foi originalmente desenvolvido por Silverman como parte de uma linha de pesquisa focada em doenças neurológicas.
Além do Alzheimer, ele já demonstrou potencial contra a esclerose lateral amiotrófica e possivelmente contra a degeneração frontotemporal, condições que também envolvem o acúmulo de proteínas tóxicas no cérebro.
Embora ainda esteja longe de chegar ao uso clínico em humanos, o estudo abre uma perspectiva promissora de transformar o Alzheimer em uma condição controlável, em vez de inevitavelmente progressiva, algo que poderia mudar a vida de milhões de pessoas no mundo todo.
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