Especialistas em arqueologia encontraram as ruínas de cidades ancestrais na selva amazônica, sugerindo que possuem mais de dois milênios de existência.

Localizadas no Vale do Upano, no leste do Equador, essas antigas comunidades fazem parte de uma intrincada rede de estradas, canais e plataformas elevadas que abrange mais de 115 milhas quadradas.

Com base em datação por radiocarbono, a construção desses assentamentos ocorreu por volta de 500 a 300 a.C., conforme informa o The New York Times, e a ocupação humana perdurou por cerca de mil anos, até aproximadamente 600 d.C.

Os resultados, divulgados como um estudo na revista Science no último mês, fornecem algumas das evidências mais convincentes até agora para desafiar a crença arraigada de que os povos indígenas nunca estabeleceram grandes comunidades na Amazônia.

“Isso representa uma contribuição significativa para a arqueologia amazônica”, afirmou José Iriarte, arqueólogo da Universidade de Exeter, não envolvido no estudo, ao NYT. “Testemunhamos um desenvolvimento cultural notável e peculiar.”

Localizar qualquer coisa na Amazônia, especialmente ruínas antigas, é uma tarefa árdua. A densa cobertura vegetal impede a visibilidade de cima, e camadas acumuladas ao longo do tempo podem ter sepultado estruturas antigas.

Para desvendar esses vestígios, os pesquisadores utilizaram a tecnologia de mapeamento a laser conhecida como lidar. Ao disparar um sensor lidar de uma aeronave, eles identificaram mais de 6.000 plataformas terrestres.

Essas plataformas variam desde montes que abrigavam casas até estradas elevadas. São evidentes técnicas agrícolas avançadas, como canais para gerenciar as intensas chuvas da região.

“Isso nos revela que existem muitas maneiras diferentes de se viver na Amazônia no passado do que costumávamos considerar na arqueologia”, disse Eduardo Neves, arqueólogo da Universidade de São Paulo, não envolvido no estudo, ao NYT.

As estimativas sobre a população da área variam. Em geral, os arqueólogos acreditam que, em seu auge, o local poderia abrigar pelo menos 10.000 pessoas, enquanto alguns sugerem números tão altos quanto 30.000. Esses números impressionantes rivalizam com a população de Londres na era romana, como relatado pelo The Guardian.

Apesar disso, esses assentamentos notáveis passaram despercebidos por séculos, alimentando a ideia errônea de que a Amazônia estava historicamente desabitada. Atualmente, os arqueólogos atribuem essa percepção equivocada à devastação da população indígena pelos colonizadores europeus, como destaca o NYT, e à falta de acesso a pedra, supostamente necessária para construir grandes estruturas – quando, na verdade, os construtores indígenas utilizavam solo.

Neves, cujo trabalho foi referenciado no estudo, acredita que essas descobertas não apenas enriquecem a arqueologia, mas também beneficiam a preservação da ameaçada floresta tropical.

“Parte da destruição se baseia na ideia de que a Amazônia nunca foi habitada no passado, que havia poucas pessoas lá, que está disponível para ser explorada”, declarou ao NYT. “Acredito que esse tipo de pesquisa… é crucial, pois acrescenta evidências de que a Amazônia não era um território vazio.”

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Paulo
Paulo
4 meses atrás

Amazônia é nossa,dos brasileiros, não de ONGs, ladrões que vem roubar nossas riquezas

Marcos
Marcos
4 meses atrás

E muito egoismo nosso continuar achando que somos unicos de vida inteligente no universo, essas descobertas e esses locais vem corroborar para nos desprendermos dessas narrativas

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