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Clair Obscur: Expedition 33 virou fenômeno ao tratar narrativa como série da HBO, não como RPG

Se Clair Obscur: Expedition 33 se tornou um dos jogos mais comentados de 2025, muito disso passa pela forma como ele conta sua história. O jogo já virou presença constante em premiações como o Golden Joystick Awards e o The Game Awards, acumulando troféus a ponto de isso já ser motivo de piada entre fãs.

O curioso é que o sucesso narrativo não nasceu de uma tentativa de seguir o manual clássico dos RPGs.

A responsável pela história, Jennifer Svedberg Yen, revelou recentemente que nunca encarou o projeto como um jogo de RPG tradicional. Em entrevista ao newsletter Knowledge, da revista Edge, ela explicou que sua referência estava muito mais próxima de séries de TV de alto nível do que de videogames.

Segundo ela, o fato de boa parte da equipe não vir de uma formação clássica em desenvolvimento de jogos acabou se tornando uma vantagem criativa.

Sem o peso das convenções do gênero, o time se sentiu livre para experimentar. Ideias que normalmente seriam descartadas logo no início ganharam espaço justamente porque ninguém ali estava preso ao “é assim que sempre foi feito”.

Para Svedberg Yen, esse desconhecimento acabou abrindo portas para decisões mais ousadas e questionamentos constantes dentro do processo criativo.

A própria roteirista admite que quase não jogava videogames antes do projeto. Suas maiores influências vieram da literatura e da televisão, especialmente de épicos de ficção científica e fantasia com mundos densos, sociedades complexas e personagens carregados de conflitos.

Essa bagagem foi transportada diretamente para o universo de Expedition 33, moldando desde o pano de fundo até os momentos mais íntimos entre os personagens.

O foco inicial nunca foi pensar em sistemas, builds ou números, mas sim em ritmo, drama, relações humanas e impacto emocional.

Em vez de escrever um RPG, ela conta que imaginava estar desenvolvendo algo próximo a um drama da HBO, com ar cinematográfico e narrativa contínua.

Isso ajuda a explicar por que Clair Obscur: Expedition 33 soa tão diferente de muitos RPGs modernos. A história conduz a experiência, enquanto o combate e as mecânicas existem para reforçar o que está sendo contado.

O resultado é um jogo intenso, desconfortável em alguns momentos e profundamente envolvente.

Em um ano lotado de grandes lançamentos, o destaque de Expedition 33 mostra como fugir das regras pode ser exatamente o que um projeto precisa. Ao priorizar uma boa história acima de tudo, o jogo conquistou o público ao entregar algo que não apenas se joga, mas que também se vive, como uma série daquelas que você não consegue parar de assistir.

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Jornalista há mais de 20 anos e fundador do NERDIZMO. Foi editor do GamesBrasil, TechGuru, BABOO e já forneceu conteúdo para os principais portais do Brasil, como o UOL, GLOBO, MSN, TERRA, iG e R7. Também foi repórter das revistas MOVIE, EGW e Nintendo World.

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