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Como seria Super Mario 64 cheio de microtransações

Super Mario 64 nunca pareceu tão atual quanto agora, mas não exatamente pelo motivo certo. Um desenvolvedor conhecido como PrintAndPanic resolveu levar o clássico do Nintendo 64 para 2026 de um jeito bastante provocativo ao transformar cada passo do Mario em um custo real em dinheiro. Literalmente.

Nesta versão modificada, correr, pular e até se mover consome créditos pagos com moedas de verdade, como se o jogo tivesse virado uma máquina de fliperama com microtransações extremas.

A ideia não é apenas portar o jogo original, mas distorcer completamente sua lógica. O que antes era um platformer acessível e fluido vira uma experiência tensa, onde cada ação precisa ser calculada para não estourar o orçamento.

O jogador começa com um saldo inicial equivalente a dez dólares e vê esse valor diminuir pouco a pouco conforme Mario se movimenta pelo castelo da Peach.

O sistema é implacável. Apenas existir no jogo custa dinheiro, já que o saldo cai um centavo a cada segundo.

Pular é ainda mais caro e consome cinco centavos por vez. Quando os créditos acabam, Mario praticamente entra em modo de economia extrema, andando lentamente e mal conseguindo superar os obstáculos mais básicos.

Nessa hora, o jogo simplesmente trava o progresso até que mais moedas sejam inseridas.

Para fazer tudo isso funcionar, o projeto exigiu uma boa dose de engenharia. PrintAndPanic conectou um Raspberry Pi 3B+ a um leitor físico de moedas, daqueles usados em máquinas arcade.

Cada moeda inserida envia um sinal que é interpretado pelo sistema, atualizando o saldo disponível. Um Everdrive X7 carrega uma versão modificada da ROM original diretamente no Nintendo 64, aproveitando o trabalho do famoso projeto de descompilação de Super Mario 64 para inserir o novo código.

Esse código faz verificações constantes do saldo disponível e decide, em tempo real, o quanto Mario pode se mover.

Quanto menos dinheiro, menos controle o jogador tem. Tudo isso depende de uma estrutura técnica relativamente complexa, com ajustes de voltagem, fonte de energia dedicada, conversores de vídeo e até uma placa de captura para exibir o resultado corretamente.

O próprio gabinete do sistema foi criado sob medida com impressão 3D, misturando o visual clássico do N64 com uma pegada moderna de máquina de moedas.

Na prática, cada moeda de vinte e cinco centavos rende cerca de dezoito créditos, o que transforma o jogo em uma corrida constante entre economizar movimentos e gastar dinheiro para sobreviver.

Nos momentos iniciais, até dá para contornar inimigos andando com cuidado pelas bordas das plataformas, mas isso nem sempre funciona. Mais cedo ou mais tarde, surge a necessidade de abrir o cofrinho para escapar de um Goomba ou fazer aquele salto crucial.

Para quem quiser ir além da curiosidade, o código do projeto está disponível no GitHub. Como ele parte da base da descompilação de SM64, é possível ajustar os valores, mudar as regras ou criar novas punições financeiras para o encanador mais famoso dos games.

No fim das contas, é uma sátira afiada sobre o estado atual da indústria, usando um dos jogos mais amados de todos os tempos para mostrar como seria um mundo onde até pular tem preço.

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Jornalista há mais de 20 anos e fundador do NERDIZMO. Foi editor do GamesBrasil, TechGuru, BABOO e já forneceu conteúdo para os principais portais do Brasil, como o UOL, GLOBO, MSN, TERRA, iG e R7. Também foi repórter das revistas MOVIE, EGW e Nintendo World.

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