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Como Stitch virou o personagem mais valioso da Disney em 2025

Em um ano repleto de gigantes do entretenimento disputando atenção, poucos apostariam que o grande destaque de 2025 viria de um alienígena azul e carismático. Mas foi exatamente isso que aconteceu. Stitch, estrela de Lilo & Stitch, transformou-se no ativo mais poderoso da Disney no ano, liderando bilheterias, dominando o mercado de produtos licenciados e até assumindo um papel que tradicionalmente pertence a ninguém menos que Mickey Mouse.

Stitch e o diretor de marca da Disney, Asad Ayaz, na estreia mundial de Lilo & Stitch, da Disney, no El Capitan Theatre, em Hollywood, em 17 de maio de 2025.

O remake live-action de Lilo & Stitch se manteve durante boa parte do ano como o filme mais lucrativo de 2025, sendo ultrapassado apenas por Zootopia 2. Ao todo, a produção acumulou impressionantes US$ 1,04 bilhão em bilheteria global, superando lançamentos de peso como Quarteto Fantástico, Tron e a nova versão de Branca de Neve.

O impacto não parou nos cinemas. Quando o filme chegou ao Disney+ em setembro, somou 14,3 milhões de visualizações em apenas cinco dias, tornando-se o segundo melhor lançamento live-action da plataforma. Paralelamente, conteúdos relacionados à franquia ultrapassaram 640 milhões de horas assistidas, reforçando o apelo multigeracional do personagem.

Lilo & Stitch em 2002

Criado originalmente em 2002, Stitch encontrou uma nova geração de fãs graças aos adultos que cresceram com o personagem e agora o apresentam aos filhos. Segundo a Disney, esse reencontro emocional é parte central do fenômeno. O personagem representa imperfeição, bagunça e afeto, uma combinação que atravessa culturas, idades e idiomas.

Essa conexão emocional se traduziu diretamente em números impressionantes fora das telas. Em 2025, as vendas de produtos licenciados de Stitch ultrapassaram US$ 4 bilhões, um salto impulsionado pelo novo filme e pela presença constante do personagem em lojas, parques temáticos e experiências ao redor do mundo. É a materialização perfeita do chamado “flywheel” da Disney, conceito criado por Walt Disney nos anos 1950 para integrar cinema, TV, parques e consumo.

Pelúcias do Stitch, um dos milhares de produtos licenciados.

Stitch também voltou a ganhar destaque nos parques. Depois de anos presente em atrações e produtos, o personagem foi elevado a um novo patamar ao liderar a Disney Holiday Magic Tour, uma iniciativa anual de ações solidárias que tradicionalmente tinha Mickey Mouse como rosto principal. Em 2025, foi Stitch quem percorreu mais de 20 cidades dos Estados Unidos, participando de eventos beneficentes e campanhas de doação de brinquedos.

Um dos momentos mais simbólicos dessa ascensão aconteceu na Broadway. Durante uma apresentação de Aladdin, Stitch “invadiu” o palco, arrancando aplausos, gargalhadas e uma reação emocionada do público. A ação fazia parte de uma campanha solidária em parceria com a Toys for Tots, misturando entretenimento, nostalgia e impacto social, algo que a Disney domina como poucas empresas no mundo.

Stitch e Aladdin na Broadway.

Mais do que um sucesso pontual, Stitch virou um exemplo claro do valor real da propriedade intelectual bem trabalhada. Em um cenário onde conteúdo é abundante, personagens verdadeiramente icônicos são cada vez mais raros. Stitch provou que ainda é possível criar, ou revitalizar, figuras que atravessam décadas e permanecem relevantes.

Stitch no Detroit’s Fox Theatre

No fim das contas, a história de Stitch em 2025 não é apenas sobre um alienígena travesso que caiu no Havaí. É sobre como carisma, identificação emocional e estratégia podem transformar um personagem em um fenômeno cultural global capaz, inclusive, de dividir o protagonismo com o maior símbolo da própria Disney.

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Hortência é profissional de Letras, educadora, tatuadora e mãe. Apaixonada por arte e cultura, une seus múltiplos interesses que vão da cultura pop à gastronomia para produzir conteúdos variados e criativos.

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