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Coursera e Udemy anunciam fusão bilionária e criam gigante global do ensino online

Dois dos nomes mais conhecidos do ensino online decidiram unir forças em um movimento que pode redefinir o mercado de educação digital. Coursera e Udemy anunciaram uma fusão avaliada em cerca de 2,5 bilhões de dólares, em um acordo totalmente baseado em ações, sinalizando uma nova fase para o setor após o boom vivido durante a pandemia e diante da crescente busca por habilidades práticas voltadas ao mercado de trabalho.

A união aproxima plataformas que cresceram por caminhos diferentes, mas complementares.

Enquanto a Coursera construiu sua reputação por meio de parcerias com universidades, governos e grandes empresas, oferecendo certificados, graduações e programas profissionais mais estruturados, a Udemy se destacou como um enorme marketplace de cursos criados por instrutores independentes, com foco em competências práticas como programação, análise de dados, marketing e design.

A aposta conjunta é clara: estudantes e empresas querem, cada vez mais, combinar credibilidade acadêmica com aprendizado rápido e flexível em um único ambiente.

Pelos termos do acordo, acionistas da Udemy receberão 0,8 ação da Coursera para cada papel que possuírem, o que avalia a Udemy em aproximadamente 930 milhões de dólares.

A empresa resultante deve ultrapassar 1,5 bilhão de dólares em receita anual, além de gerar uma economia estimada em 115 milhões de dólares nos dois primeiros anos após a conclusão do negócio. A expectativa é que a fusão seja finalizada no segundo semestre de 2026, dependendo da aprovação de órgãos reguladores e dos próprios acionistas.

O mercado reagiu com cautela, mas de forma positiva. As ações da Coursera subiram após o anúncio, enquanto os papéis da Udemy registraram uma alta ainda mais expressiva.

Mesmo assim, o setor de edtech continua pressionado a encontrar modelos sustentáveis de crescimento agora que o pico de matrículas impulsionado pela pandemia ficou para trás. Nesse cenário, contratos corporativos e programas de treinamento para empresas têm se mostrado fontes de receita mais estáveis do que o consumidor individual.

A inteligência artificial aparece como um dos principais motores por trás da fusão. A demanda por competências ligadas à IA cresce rapidamente em praticamente todas as áreas, e os executivos acreditam que uma plataforma unificada terá mais agilidade para responder às mudanças do mercado de trabalho e ampliar sua presença global.

Para o CEO da Coursera, Greg Hart, o momento é decisivo, já que a IA está transformando as habilidades exigidas em todas as profissões. Segundo ele, a união ajudaria a enfrentar essa transição global de talentos.

Já o CEO da Udemy, Hugo Sarrazin, enxerga o acordo como uma evolução natural da missão da empresa. Ele relembra que, há mais de 15 anos, a Udemy ajuda milhões de pessoas a aprender habilidades relevantes no ritmo da inovação, e acredita que a fusão fortalecerá a oferta tanto para alunos quanto para instrutores e clientes corporativos.

Juntas, as plataformas afirmam atender milhões de estudantes e milhares de organizações acadêmicas, empresariais e governamentais ao redor do mundo.

Se concluída, a operação deve entrar para a lista das maiores fusões já realizadas no setor de educação online, consolidando um novo peso pesado em um mercado cada vez mais competitivo e orientado por tecnologia.

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Jornalista há mais de 20 anos e fundador do NERDIZMO. Foi editor do GamesBrasil, TechGuru, BABOO e já forneceu conteúdo para os principais portais do Brasil, como o UOL, GLOBO, MSN, TERRA, iG e R7. Também foi repórter das revistas MOVIE, EGW e Nintendo World.

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