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Fã cria remake de Pokémon em HD-2D na Unreal Engine 5 que a Game Freak insiste em não fazer

Pokémon sempre apostou mais na imaginação do que no realismo gráfico. Desde os tempos do Game Boy, aqueles sprites quadradões funcionavam porque completávamos mentalmente o que a tecnologia não entregava. Mas um criador francês conhecido como NIONX resolveu mostrar como seria a região de Kanto em um remake de Pokémon em HD-2D, se tivéssemos um remake caprichado, com a cara dos tempos modernos, e o resultado é simplesmente o sonho HD-2D que a comunidade espera há anos, e que a Game Freak parece incapaz de entregar.

Sem qualquer experiência prévia em modelagem 3D ou Unreal Engine 5, NIONX mergulhou no projeto e criou uma versão estilizada de Kanto que mistura o charme pixelado de Pokémon Black & White com profundidade e efeitos de ambiente dignos de um RPG moderno.

Grama balançando com o vento em Pallet Town é só o começo: Saffron City ganha vida com NPCs circulando pelas ruas e um ciclo de dia e noite que deixa tudo com aquele brilho dourado que lembra um filme do Makoto Shinkai.

A vibe lembra a magia HD-2D de Octopath Traveler, mas com uma personalidade própria que só um projeto feito por paixão consegue transmitir.

O criador começou tudo do zero, aprendendo Blender por conta própria, usando sprites compartilhados pela comunidade e montando arenas que parecem saídas de um remake oficial, com direito a efeitos de partículas, água corrente e lava borbulhante.

Ainda não há batalhas funcionando, já que o projeto é mais uma caminhada contemplativa do que um protótipo jogável, mas o mundo está vivo: Pokémon circulam pelo cenário, NPCs se movimentam naturalmente e a câmera mostra transições suaves entre vilarejos, florestas e cidades maiores.

O que impressiona é como NIONX driblou os famosos problemas visuais da Unreal Engine 5. Nada daquela estética luminosa demais que deixa tudo com cara de “jogo genérico UE5”.

Em vez disso, ele usou Runtime Virtual Textures para criar uma grama extremamente realista e adotou truques de low poly que dão personalidade às árvores e arbustos. Até os ventos são animados via Blueprints, e sim, alguns shaders de água vieram direto de tutoriais, mas funcionam perfeitamente no conjunto.

No fim das contas, esse “remake” não é pensado para rodar em máquinas monstruosas. O criador usa sprites 2D como billboards para criaturas distantes e vários métodos para reduzir chamadas de renderização, mostrando que não é preciso uma RTX 4090 para deixar Kanto com alma.

É um contraste gritante com Legends: Z-A, da própria Game Freak, que mal saiu do forno e já parece preso às limitações do Unity, prometendo mundo aberto, mas dificilmente alcançando esse nível de charme visual.

O trabalho de NIONX é, acima de tudo, um lembrete: enquanto Pokémon segue atolado em tecnologias datadas, os fãs continuam entregando os remakes que gostaríamos de ver de verdade. E se a Game Freak algum dia decidir ouvir, o caminho já está traçado, e é lindo.

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Jornalista há mais de 20 anos e fundador do NERDIZMO. Foi editor do GamesBrasil, TechGuru, BABOO e já forneceu conteúdo para os principais portais do Brasil, como o UOL, GLOBO, MSN, TERRA, iG e R7. Também foi repórter das revistas MOVIE, EGW e Nintendo World.

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