Um game não é só mecânica, jogabilidade, ação desenfreada e obstáculos perigosos a todo momento. Há também nos jogos a poesia e um caminho para a gente aprender a respirar e contemplar os pequenos detalhes da vida. Dito isso, eu poderia citar uma lista de títulos que vão de GRIS a Journey, mas eu estou falando de FAR: Lone Sails.

Um jogo despretensioso em questão de jogabilidade, mas muito profundo em experiência de tal. O game é ambientado em um mundo pós-apocalíptico, onde seu único companheiro é um tipo de barco terrestre, o vento e uma vasta paisagem erma.

O formato 2D de Far: Lone Sails lembra Limbo, da Playdead, de 2010

Com comandos básicos de pular, pegar e andar, Lone Sails não segue uma história narrada, apresenta um mapa ou diálogos. A narrativa é construida de acordo com o que o jogador desbrava no longo caminho, onde a chegada é incerta e nunca anunciada.

É preciso seguir em frente, experimentando a solitude, recolhendo aqui e ali algum item necessário para mover a locomotiva. Aprendendo a ser paciente e contemplar mais a jornada em si do que a própria chegada.

Isso é o que magnetiza o jogador. Não cabe aqui uma brecha para o tédio. Sem querer, a gente sente o impulso de seguir adiante: onde isso vai chegar? Vou encontrar alguém pelo caminho em algum momento? Sou o último ser humano da civilização?

Tudo é muito intuitivo, e na mesma medida estimulante. Desprovido de nome, passado, ou qualquer pista de identidade, o jogador encarna a pele de um simples viajante, aventureiro, em busca de sabe-se lá o quê. E isso acaba nem importando, o prazer é seguir guiado pela curiosidade e impulso.

As ambientações steampunk são primorosas, com gráficos bem delineados, carregado nos tons de cinza e preto. E o caminho é traçado a partir de pequenas pistas do que foi a humanidade um dia, em contraste com a imensidão do nada.

Far: Lone Sails | Review: uma viagem contemplativa
Far: Lone Sails ensina a arte da contemplação, da paciência e de aproveitar o meio do caminho

Lone Sails consiste em caminhar em um mundo sem palavras e profundo em significado. Onde a única função do protagonista é simplesmente manter a locomotiva em ação, e encontrar soluções para obstáculos criados por escombros ou pela própria natureza em fúria.

É daqueles títulos que te dizem muito sem entregar nada. Que você sente na pele. E que induz uma reflexão e aprendizado enquanto você nem percebe.

A desenvolvedora Okomotive mostra que um jogo também é sentimento. E que você não precisa de recursos megalomaníacos para marca-lo no coração do jogador para sempre.

Far: Lone Sails está disponível para PlayStation 4, Xbox One e PC.

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