Séries e TV

Final de Stranger Things explicado: como termina a história de cada personagem principal

Depois de cinco temporadas e quase uma década acompanhando os mistérios de Hawkins, Stranger Things se despede com um episódio final que prefere desacelerar. Em vez de correr para os créditos após a queda de Vecna, a série aposta em um longo epílogo, dando espaço para que cada personagem encontre seu próprio lugar no mundo.

É um encerramento focado muito mais em emoção do que em espetáculo, e justamente por isso funciona tão bem.

O último capítulo se espalha em pequenas despedidas. A narrativa respira, observa as consequências do que aconteceu e deixa claro que aquelas pessoas não são mais as mesmas crianças que começaram tudo jogando RPG no porão.

Os irmãos Duffer já haviam comparado esse desfecho a um retorno do rei à moda antiga, e a referência faz sentido. A câmera vai de um adeus silencioso a outro, sem pressa, como quem sabe que é hora de soltar a mão.

O arco de Dustin é um dos mais diretos. Ele segue para a faculdade, mantendo viva a curiosidade que sempre o definiu. Ao mesmo tempo, o episódio faz questão de reforçar que a amizade com Steve continua firme.

Depois de altos e baixos na quinta temporada, o vínculo entre os dois sai fortalecido, quase como uma confirmação de que algumas conexões sobrevivem a qualquer fase da vida.

Mike tem um final mais discreto, mas coerente. Após anos liderando o grupo, articulando planos e sendo a cola emocional da turma, ele encontra seu futuro nas histórias.

Não é um destino chamativo, mas combina perfeitamente com alguém que sempre usou palavras e imaginação para guiar os outros.

Will, por sua vez, finalmente deixa Hawkins para trás. Depois de tanto tempo se sentindo deslocado, ele segue para uma cidade maior, onde a aceitação parece mais possível.

É um final esperançoso, que não apaga o sofrimento do passado, mas mostra que existe um caminho à frente, mesmo com cicatrizes.

Lucas e Max ganham talvez o momento mais simples e humano do episódio. Depois de tudo o que enfrentaram, os dois finalmente vão ao tão prometido encontro no cinema.

Nada de monstros ou dimensões alternativas. Apenas um momento normal, algo que parecia impossível por muito tempo.

O filme escolhido é Ghost, um detalhe quase irrelevante perto do peso simbólico da cena, que deixa claro que o foco está neles, não na tela.

Os minutos finais da série fecham o círculo com uma última partida de Dungeons & Dragons.

É o mesmo ponto de partida da história, mas agora cercado por personagens transformados.

Eles cresceram, sofreram, sobreviveram e seguiram em frente. Voltar ao jogo não é apenas nostalgia. É um reconhecimento do início de tudo e do caminho percorrido até ali.

Stranger Things termina sem fogos de artifício exagerados. A infância ficou para trás. A magia ainda existe, só não grita mais.

Veja mais sobre séries e TV!

Jornalista há mais de 20 anos e fundador do NERDIZMO. Foi editor do GamesBrasil, TechGuru, BABOO e já forneceu conteúdo para os principais portais do Brasil, como o UOL, GLOBO, MSN, TERRA, iG e R7. Também foi repórter das revistas MOVIE, EGW e Nintendo World.

Pin