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GPT-4.5 da OpenAI supera Teste de Turing e demonstra comportamento indistinguível de humanos

Pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Diego revelaram um marco na inteligência artificial: o GPT-4.5, desenvolvido pela OpenAI, conseguiu passar no clássico Teste de Turing.

O experimento foi conduzido de forma inovadora, com participantes conversando simultaneamente com um humano e uma IA por cinco minutos, sem saber qual era qual.

O resultado? Quando programado para assumir a personalidade de um jovem de 19 anos, tímido e apaixonado por tecnologia, o GPT-4.5 foi confundido com uma pessoa real em 73% das vezes.

Para contextualizar, sistemas antigos como o ELIZA, um dos primeiros chatbots, atingiram apenas 22% de taxa de engano, enquanto o GPT-4o, antecessor direto, ficou abaixo dos 50%. O que diferencia o novo modelo é sua capacidade de ir além da mera repetição de frases — ele demonstrou adaptação contextual, traços de personalidade e uma fluência conversacional que deixou a maioria dos avaliadores em dúvida.

O que isso significa para o futuro da IA?

A conquista reacende o debate sobre a efetividade do Teste de Turing como métrica, já que os modelos atuais estão se tornando especialistas em imitação. Se uma máquina pode se passar por humana em diálogos casuais, as implicações são vastas.

Podem existir atendimentos ao cliente sem aquela sensação robótica, tornando interações mais naturais. Apoio emocional digital, onde sistemas poderão simular empatia com credibilidade, ou parcerias criativas, com IAs atuando como colaboradoras em projetos artísticos ou intelectuais.

Mas será que “parecer humano” é o mesmo que “ser inteligente”? Apesar do avanço, especialistas ponderam que engatar em conversas não equivale a consciência.

O GPT-4.5 ainda não possui entendimento genuíno do que diz, pode cometer erros factuais (como “alucinar” informações) e não experiencia emoções ou intencionalidade. Ou seja, a IA imita brilhantemente, mas não compreende.

Com essa capacidade, surgem questões urgentes: É ético uma IA se passar por humana sem aviso prévio? Como regular interações que podem influenciar emocionalmente as pessoas? Até que ponto confiaremos em máquinas para tarefas sensíveis, como terapia ou aconselhamento?

Enquanto alguns celebram a tecnologia como um salto impressionante, outros veem riscos em normalizar relações humano-máquina sem fronteiras claras. Uma coisa é certa: o diálogo sobre os limites da IA acaba de ficar mais complexo.

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Jornalista há mais de 20 anos e fundador do NERDIZMO. Foi editor do GamesBrasil, TechGuru, BABOO e já forneceu conteúdo para os principais portais do Brasil, como o UOL, GLOBO, MSN, TERRA, iG e R7. Também foi repórter das revistas MOVIE, EGW e Nintendo World.

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