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Karaoke Studio: o cartucho esquecidinho do Famicom que transformou o Nintendo em máquina de cantar

Muito antes de microfones USB, jogos musicais e cabines de karaokê virtuais, o Japão já experimentava a ideia de transformar videogames em máquinas de cantar. Em 30 de julho de 1987, a Bandai lançou o curioso Karaoke Studio para o Nintendo Famicom, um pacote tão ousado para a época que hoje é reconhecido pelo Guinness como o primeiro videogame de karaokê da história.

O conjunto não era só um cartucho. Ele vinha acompanhado de um acessório enorme que se encaixava diretamente na entrada de cartuchos do Famicom e de um microfone cinza especial que se conectava ao módulo.

A proposta surfava perfeitamente na onda do fenômeno do karaokê no Japão dos anos 80, quando bares temáticos explodiam pelo país e o próprio Famicom já trazia um microfone embutido no segundo controle.

A Bandai simplesmente levou essa ideia ao limite, equipando o aparelho com processadores dedicados, um chip da NEC e 8 KB de RAM para captar e analisar a voz do jogador com precisão surpreendente para aquele período.

Ao ligar o console, o jogo já exibiria uma tela colorida totalmente em japonês. Antes de cantar, era preciso registrar nome, idade e gênero, dados que ajudavam o jogo a calibrar a expectativa de tom de voz.

O catálogo incluía cerca de 25 faixas, a maioria composta por músicas infantis e pop japonesas convertidas para um chiptune delicioso, além de clássicos reconhecíveis como “Jingle Bells” e “10 Little Indians”, todos acompanhados por letras em katakana rolando na tela.

As animações também mudavam de acordo com a vibe da música, indo de apresentações animadas até personagens vagando tristemente em melodias mais lentas.

O jogo oferecia quatro modos principais. O modo de lição deixava você praticar qualquer música com um sininho indicando cada nota corretamente alcançada. O modo Starbirth comparava sua performance com a música original e dava uma avaliação geral.

Havia também um divertido desafio de adivinhar músicas a partir dos primeiros acordes, em que você precisava selecionar rapidamente o título certo antes que o tempo acabasse.

E, claro, existia a opção de reunir os amigos: até três pessoas podiam participar, revezando o microfone ou usando o controle para jogar sem cantar.

A pontuação era simples, mas eficiente. Acerte o tom e um toque de sino confirma sua habilidade; erre e o jogo reage com frases pedagógicas como “Foi uma decepção” ou “Tente novamente, por favor”.

A cada música, o ritmo começava mais lento e acelerava conforme o jogador ganhava confiança, criando uma progressão divertida e acessível.

Karaoke Studio é um daqueles experimentos que mostram como os videogames dos anos 80 eram incrivelmente ousados.

Em um tempo sem gráficos 3D ou periféricos sofisticados, a Bandai conseguiu transformar o Famicom em um palco digital, e abriu caminho para décadas de jogos musicais que ainda fazem sucesso hoje.

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Jornalista há mais de 20 anos e fundador do NERDIZMO. Foi editor do GamesBrasil, TechGuru, BABOO e já forneceu conteúdo para os principais portais do Brasil, como o UOL, GLOBO, MSN, TERRA, iG e R7. Também foi repórter das revistas MOVIE, EGW e Nintendo World.

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