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Final Fantasy VII Remake Intergrade: mesmo jogo numa nova experiência

Final Fantasy VII Remake Intergrade retorna em 2026 como um espetáculo renovado para consoles portáteis, consolidando-se como a versão definitiva de um dos remakes mais ambiciosos já feitos. Desenvolvido pela Square Enix, este título representa não apenas uma atualização técnica, mas uma reconfiguração completa da forma como experimentamos Midgar.

Com o lançamento para Nintendo Switch 2, o jogo demonstra a intenção clara da Square Enix de ampliar o acesso a uma das narrativas mais importantes do cenário gamer dos últimos anos. O que temos aqui é uma obra que transcende a nostalgia dos fãs clássicos e oferece aos novatos uma porta de entrada cativante para um universo que permanece tão relevante quanto quando foi criado em 1997.

A história de Final Fantasy VII Remake concentra-se exclusivamente nos eventos da fuga de Midgar, a megacidade controlada pela corporação Shinra que sufoca o planeta ao extrair sua energia vital através de gigantescos reatores Mako. Cloud Strife, um ex-soldado de elite da Shinra, que se tornou mercenário, junta-se ao grupo terrorista ambiental Avalanche para orquestrar uma série de ataques coordenados contra a infraestrutura de energia da corporação.

Final Fantasy VII Remake Intergrade

O que começa como uma simples operação de destruição de reatores evoluiu para uma narrativa exponencialmente mais complexa, repleta de revelações sobre a identidade de Cloud, memórias fragmentadas, aparições fantasmagóricas de inimigos do passado e conspirações que transcendem a realidade visível. Comparado ao original, o remake expande dramaticamente cada setor de Midgar, adicionando dezenas de horas de conteúdo que exploram minuciosamente os plots individuais da história. Por exemplo, a morte de Jessie, personagem praticamente descartável na versão de 1997, acaba se tornando um momento impactante emocionalmente na nova narrativa, além da dinâmica entre Cloud, Barret, Tifa e Aerith adquirir mais profundidade psicológica que no jogo original.

A expansão Intergrade introduz o episódio especial conhecido como Episode INTERmission, focado na jovem ninja Yuffie Kisaragi em sua missão de se infiltrar em Midgar para roubar a materia suprema da Shinra. Essa história paralela ocorre simultaneamente aos eventos principais, intercalando entre a destruição do Reator Mako 5 e o colapso no Setor 7. Yuffie representa uma mudança significativa na mecânica de combate, trazendo abordagens ágeis e ofensivas que contrastam com a versatilidade equilibrada de Cloud.

Final Fantasy VII Remake Intergrade

Seu companheiro Sonon oferece suporte, diferente dos aliados controlados por IA do jogo base. O também episódio introduz minigames únicos como Fort Condor, um jogo de estratégia inspirado no original FF7, e o Shinra Box Buster, que oferecem quebras narrativas bem executadas. Embora relativamente curto, o DLC consegue estabelecer o carisma e da personagem e deixa questões intrigantes que claramente serão resolvidas em futuros lançamentos da série, fazendo com que a progressão natural para Final Fantasy VII Rebirth e a terceira parte promete continuar explorando os mistérios plantados em Intergrade.

Essa versão de Switch 2 merece atenção, pois representa um feito técnico que parecia impossível. A portabilidade de um jogo dessa proporção para um console portátil despertou certo ceticismo quanto à viabilidade técnica. No entanto, a Square Enix executou um port que mantém uma estabilidade impressionante no modo TV, mesmo que seja perceptível uma ligeira queda na qualidade de texturas à distância e detalhes ambientais quando em movimento ou grande quantidade de informações. A verdadeira vantagem consiste em jogar este título no modo portátil sem sacrifícios que comprometam a qualidade, redefinindo o que é possível em experiências AAA em um portátil.

Final Fantasy VII Remake Intergrade

O gameplay de Final Fantasy VII Remake Intergrade mantém o sistema de combate híbrido que combina ação em tempo real com estratégia baseada em turnos através da barra ATB. Durante o combate, você controla ativamente seu personagem, movimentando-se pelo espaço tridimensional, bloqueando ataques inimigos ou esquivando, enquanto duas barras de ATB preenchem-se lentamente através de ataques normais ou instantaneamente quando ocorrem ações estratégicas específicas. Ao completar cada barra, você acessa um submenu para selecionar habilidades, magia ou itens consumíveis. Este sistema força decisões rápidas e constantes, evitando que o jogo se torne um hack and slash ou puramente tático.

Inimigos possuem barras de atordoamento que, quando preenchidas, criam janelas para ataques críticos e que o dano acaba ganhando multiplicadores massivos, incentivando construções de equipes que interajam entre si durante as lutas. Por exemplo, Cloud pode focar em dano físico enquanto Aerith aplica magias de debuff que facilitam seu atordoamento; Barret pode causar dano pesado a distância enquanto Tifa mantém os inimigos no ar, prolongando a execução de combos. Essas combinações permitem uma variedade estratégica que supera a maioria dos JRPGs lançados nos últimos anos.

Final Fantasy VII Remake Intergrade

As mecânicas de jogabilidade vão se revelando progressivamente com a evolução da história e oferecem profundidade estratégicas, porém mantém o que a maioria dos fãs conhecem do jogo original. O sistema de materia permite customização de builds para os personagens através de gemas mágicas equipáveis, que concedem habilidades e vantagens de atributos. Diferente de muitos jogos, as customizações em armas e o uso das matérias criam diferenças perceptíveis e se tornam efetivas na maneira como as builds são pensadas.

Novidades introduzidas na edição de 2026 expandem significativamente a acessibilidade e profundidade em Final Fantasy VII Remake, com o sistema de Progressão Simplificada permite que jogadores personalizem completamente a dificuldade, desde manutenção automática de HP/MP máximo até garantir dano fixo de 9,999 pontos por ataque, tornando a experiência essencialmente narrativa para aqueles com tempo limitado.

Final Fantasy VII Remake Intergrade

Por fim, a direção de arte de Final Fantasy VII Remake Intergrade permanece como uno dos maiores sucessos da Square Enix, fazendo com que Midgar não fosse meramente convertida de backgrounds bidimensionais para modelos tridimensionais. Tudo foi completamente reconstruído, texturas foram completamente refeitas para Intergrade, eliminando problemas de pop-in, a iluminação dinâmica reage naturalmente ao ambientes, névoa adiciona dimensionalidade de profundidade, luzes criando realismo cinematográfico sem parecer artificial.

Enquanto isso, a trilha sonora composta e orquestrada por Masashi Hamauzu e Mitsuto Suzuki representa talvez o aspecto mais consistentemente excepcional da experiência, com trilhas reorquestradas de clássicos de Nobuo Uematsu do original, transformando composições minimalistas de MIDI de 1997 em arranjos que preservam a melodia e expandem o sentimento ao ouvirmos.

Final Fantasy VII Remake Intergrade

Final Fantasy VII Remake Intergrade representa o ápice da ambição tecnológica e criativa, oferecendo porto de entrada renovado para universo que definiu padrões narrativos nos games. A decisão de expandir a história, enquanto o combate híbrido oferece acessibilidade a novatos e presenteia veteranos com profundidade estratégica que relembra o original, fez com que a versão de Switch 2 redefinisse a presença de jogos desse tipo em portáteis. Esta é uma obra que justifica cada centavo investido e cada hora despendida explorando seus setores. Final Fantasy VII Remake Intergrade não é simplesmente remake, pois vai muito além e se apresenta como uma reinterpretação artística que respeita origem enquanto ousadamente expande significado.

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Nota final: 5/5

Avaliação: 5 de 5.

Acesse o site oficial do jogo.

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Viciado em cultura japonesa, fanático por games e consumidor de ficção científica e fantasia. Designer e já foi editor do Bookeando. Nas horas vagas consegue se dividir entre as batidas do seu taikô, as viagens por uma galáxia muito distante, a eterna busca pela Triforce e as batalhas nas 12 casas do Santuário.

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