Se aproximando do fim da temporada, a produção de Star Trek: Strange New Worlds decidiu se arriscar e inserir um musical com “Subspace Rhapsody”. A ideia era simples: ao encontrarem uma formação estelar anormal e que funciona de forma rítmica, a interação não dá certo e acaba afetando toda a realidade que vivem para se expressarem via canções.

Com este foco, temos um grande destaque para o que há dentro da alma de cada um dos personagens e seus sentimentos que foram reprimidos desde o princípio. A participação de Paul Wesley como James T. Kirk, por exemplo, coloca La’an contra a parede sobre a relação que os dois tiveram no início do arco – assim como também temos uma resolução sobre o relacionamento entre Chapel e Spock na nave.

Já adianto a vocês, meus caros leitores, que este não é um daqueles episódios onde teremos um salto no desenvolvimento de toda a trama, que continua completamente focada nos tripulantes da USS Enterprise. Vemos apenas o crescimento deles dentro do contexto da nave, o que não faz o roteiro avançar para as coisas que estão ocorrendo ao redor da Federação Estelar por um bom tempo.

Foco nas canções

A fronteira final em Star Trek

Como disse acima, Star Trek: Strange New Worlds está extremamente focado em desenvolver os heróis da USS Enterprise e fazê-los crescer para os próximos eventos. Além de La’an, Spock e Chapel, também temos uma participação maior de Uhura – qual tem ganho mais destaque a cada episódio exibido. O fato dela ser a única a saber como resolver determinadas questões é muito bem explorado, tanto na forma do enredo quanto nas canções que participa.

Como um bom consumidor de musicais, posso afirmar que neste aspecto o episódio impacta. As músicas foram compostas de forma que realmente combine com seus personagens, gerando uma visão maior do que eles estão pensando naquele momento. Spock vive sempre “no meio”, nunca na certeza de pertencer a algo – nem mesmo no aspecto sentimental. Kirk está fugindo de seu relacionamento, o que causa certos problemas em sua vida pessoal. La’an não aceita abrir seu coração. E vários outros pontos.

Aqui temos uma boa forma de entregar um conteúdo expositor, qual chegou em Star Trek: Strange New Worlds na ntenção de montar uma ligação maior entre o público e os membros da tripulação. A decisão entre o seu sonho e a pessoa amada, encarar a realidade, o constante processo de isolamento, as indecisões do cotidiano entre diversos outros fatores ganham mais espaço e cria o verdadeiro cenário para o season finale – que está próximo.

Ao menos as músicas são boas e expõem os sentimentos

Chegando perto do fim

Apesar de ser um bom episódio e trazer músicas interessantes, ele também demonstra um contraste absurdamente gigantesco em relação ao que vimos no anterior. Sairmos do peso da guerra e traumas para um musical não me soou uma boa escolha de sequência e cortou parte do que estava carregando comigo há uma semana. Ver o doutor M’Benga, por exemplo, no limite de seu ódio em um e enxergá-lo cantando sorridente no outro quebra um pouco do cenário que montaram.

Outro ponto que não estou muito contente é o formato que Star Trek: Strange New Worlds segue. Eu adoro os personagens e compreendo perfeitamente que a série é sobre eles – e não sobre o contexto geral da Federação e do que existe ao seu redor. Porém, voltando ao início da temporada, dá para lembrar um diálogo onde foi afirmado que a Enterprise seria “muito importante” nos eventos que viriam…e não sabemos até agora que evento é este e como eles se relacionarão.

Para onde a USS Enterprise segue? Ótima questão

Alguns podem clamar pela ameaça klingon, que continua muito ativa no seriado. Outros, pela jornada que vimos em diversas realidades e como isso pode se entrelaçar posteriormente. Ainda assim, o roteiro não deixar claro um caminho, nem que seja de forma secundária, me soa como um descuido. Até mesmo Sybok e a Capitã Angel proporcionaram um excelente conteúdo no primeiro ano, o que está ausente neste arco.

Não me entendam errado, caros leitores. Eu gosto do conteúdo do seriado e este aprofundamento nos personagens é bem interessante. No entanto, sempre tem de haver um fio narrativo para guiá-los e isto não está sendo observado. A estrutura de “casos semanais” poderiam estar conectadas de algum modo, ou mostrando de forma mais clara para onde estão seguindo. Talvez estejam e eu apenas não tenha sido capaz de enxergar. Porém, com a proximidade do season finale, isso frustra por me levar a crer que finalizará sem um bom gancho do que foi visto para onde eles irão dali em diante.

Star Trek: Strange New Worlds está sendo exibida todas as quintas-feiras na Paramount+. Veja mais em Críticas de Séries!

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