Olhar para o céu é um hábito quase automático. A gente observa as nuvens para prever chuva, matar o tempo ou tentar enxergar formas escondidas nelas. O curioso é que, apesar de estarem sempre acima das nossas cabeças, poucas pessoas sabem que existe uma classificação científica extremamente detalhada para esses fenômenos.A Organização Meteorológica Mundial mantém um atlas oficial que organiza as nuvens em gêneros, espécies, variedades e até formações especiais. Essa divisão ajuda meteorologistas a entender padrões climáticos, prever tempestades e estudar mudanças atmosféricas. E, sim, depois de conhecer esse sistema, você nunca mais vai olhar para o céu do mesmo jeito.
Gêneros de nuvem
Estas são as 10 formas mais típicas que as nuvens assumem. As definições não abrangem todas as permutações possíveis de nuvens, mas descrevem as características essenciais para diferenciar um gênero de nuvem de outro, especialmente aquelas com aparências semelhantes.

1. Cirros As nuvens cirros são finas e delicadas, e quando vistas de baixo, parecem ter pouca ou nenhuma estrutura. Por dentro, são compostas quase inteiramente de cristais de gelo.

2. Cirrocumulus
As nuvens cirrocumulus lembram um lençol fino e já bem usado, estendido pelo céu: são claras, delicadas e formam padrões quase geométricos. Apesar da aparência leve, elas contêm gotículas de água super-resfriadas em sua composição. Tecnicamente, cada uma dessas pequenas formações é chamada de cirrocumulus, mas o nome também pode se referir à camada inteira quando elas aparecem agrupadas. Nesse caso, cada “pontinho” individual recebe o nome de cloudlet, ou pequena nuvem.

3. Cirrostratus
As nuvens cirrostratus formam uma espécie de véu esbranquiçado que pode cobrir o céu por completo ou apenas em partes. Elas são facilmente reconhecidas porque costumam provocar o famoso efeito de halo ao redor do Sol ou da Lua, resultado da refração da luz nos cristais de gelo presentes na nuvem.

4. Altocumulus
As nuvens altocumulus aparecem em diferentes formatos, mas geralmente se destacam por suas massas arredondadas, que lembram pequenos blocos ou flocos agrupados no céu. Elas podem surgir tanto de forma dispersa quanto organizadas em camadas ou grandes faixas contínuas, criando um visual bastante característico.

5. Altostratus
As nuvens altostratus formam uma camada contínua que costuma cobrir todo o céu, mas com trechos mais finos que ainda permitem enxergar o Sol de forma difusa, como se ele estivesse atrás de um vidro fosco. Diferentemente das cirrostratus, esse tipo de nuvem não produz o efeito de halo ao redor do astro.

6. Nimbostratus
As nuvens nimbostratus formam uma camada espessa e acinzentada que costuma bloquear completamente a luz do Sol. Elas não têm contornos bem definidos e estão diretamente associadas a períodos prolongados de chuva ou neve, com a precipitação caindo de maneira contínua e persistente.

7. Stratocumulus
As nuvens stratocumulus são formadas por massas arredondadas e densas, quase sempre com áreas mais escuras misturadas às partes claras. Elas podem aparecer como uma grande camada contínua no céu ou apresentar uma base ondulada e irregular, criando um aspecto “corrugado” bastante característico.

8. Stratus
As nuvens stratus formam uma camada uniforme e acinzentada que lembra bastante as nimbostratus, mas em versão mais leve. Quando o Sol aparece, sua luz ajuda a revelar o contorno dessas nuvens no céu. Em geral, elas estão associadas a garoa ou neve fraca, caindo de forma suave e contínua.

9. Cumulus
As nuvens cumulus são as mais clássicas e fáceis de reconhecer. Elas aparecem isoladas, com contornos bem definidos e formato volumoso. As partes iluminadas pelo Sol costumam ser bem brancas, enquanto a base é mais escura e uniforme, criando aquele visual típico de “nuvem de desenho”.

10. Cumulonimbus
As nuvens cumulonimbus são densas, pesadas e se desenvolvem verticalmente, formando torres altas no céu. O topo costuma ser achatado e lembra o formato de uma bigorna. Quando associadas a tempestades, são conhecidas como nuvens de tempestade e podem provocar raios, chuvas intensas, granizo e até tornados.
Espécies de nuvens
Os gêneros de nuvens são divididos em espécies para levar em conta sua forma particular e estrutura interna. Certas espécies ocorrem apenas em gêneros específicos, mas muitas espécies são comuns a vários gêneros. As nuvens são identificadas por seu gênero e, em seguida, por sua espécie, por exemplo, *Cirrius fibratus* ou *Altocumulus stratiformis*.

1. Fibratus
As nuvens do tipo fibratus formam um véu fino de filamentos alongados, geralmente associados às nuvens cirrus ou cirrostratus. Diferentemente de outros cirros, elas não apresentam ganchos ou tufos nas extremidades, e seus fios aparecem bem separados uns dos outros, criando um aspecto delicado e organizado no céu.

2. Uncinus
As nuvens uncinus são facilmente reconhecidas pelo formato de gancho ou vírgula em suas extremidades. Esse detalhe dá a elas um visual dinâmico, como se estivessem em movimento constante, sendo um tipo clássico de nuvem cirrus.

3. Spissatus
Entre as nuvens cirrus, as spissatus são as mais densas. Elas podem se agrupar de forma tão compacta que chegam a encobrir o Sol, algo incomum para nuvens desse gênero. Também são frequentemente observadas associadas a grandes nuvens de tempestade.

4. Castellanus
As nuvens castellanus recebem esse nome porque seus topos lembram torres ou muralhas de um castelo. Elas podem aparecer em diferentes gêneros, como cirrus, cirrocumulus, altocumulus e stratocumulus, e costumam indicar instabilidade atmosférica.

5. Floccus
As nuvens floccus apresentam pequenos tufos no topo e uma base irregular, com aparência desfiada. Muitas vezes, delas partem finos rastros de precipitação que evaporam antes de atingir o solo, um fenômeno conhecido como virga.

6. Stratiformis
As nuvens stratiformis se organizam em camadas extensas e relativamente uniformes. Esse tipo de espécie aparece principalmente em nuvens altocumulus e stratocumulus, criando grandes mantos no céu.

7. Nebulosus
As nuvens nebulosus formam um véu contínuo, sem detalhes ou estruturas bem definidas. Elas são típicas de nuvens stratus e cirrostratus e dão ao céu um aspecto homogêneo e apagado.

8. Lenticularis
As nuvens lenticularis têm formato de lente ou amêndoa e costumam surgir em regiões montanhosas. Aparecem principalmente como cirrocumulus, altocumulus ou stratocumulus e são frequentemente confundidas com objetos voadores não identificados.

9. Volutus
Conhecidas popularmente como nuvens rolo, as volutus têm formato alongado e horizontal, parecendo um cilindro que se desloca pelo céu. Elas são completamente separadas de outras nuvens e costumam estar associadas a stratocumulus.

10. Fractus
As nuvens fractus são fragmentadas, irregulares e com aparência rasgada. Elas costumam se desprender de nuvens maiores e aparecem tanto em formações stratus quanto cumulus.

11. Humilis
As nuvens cumulus humilis são baixas e relativamente planas, sem grande desenvolvimento vertical. São comuns em dias estáveis e raramente indicam mudança brusca no tempo.

12. Mediocris
As mediocris são um pouco mais altas que as humilis e apresentam pequenas protuberâncias no topo. Ainda assim, mantêm um crescimento moderado e não costumam evoluir para tempestades.

13. Congestus
As nuvens congestus são as mais altas entre os cumulus. Elas têm contornos bem definidos e topos que lembram couve-flor, sendo muitas vezes o estágio anterior à formação de uma cumulonimbus.

14. Calvus
As cumulonimbus calvus apresentam topos arredondados, mas já mostram sulcos e canais internos que indicam forte movimento de ar ascendente. São um sinal claro de que a tempestade está se intensificando.

15. Capillatus
As cumulonimbus capillatus são o estágio mais desenvolvido desse tipo de nuvem. Elas exibem o clássico topo em forma de bigorna, coberto por filamentos que lembram cabelos, indicando grande energia e potencial para fenômenos severos.
Variedades
Se analisarmos mais a fundo, a disposição em larga escala das nuvens confere aos gêneros e espécies uma grande variedade de apresentações. Algumas nuvens podem exibir múltiplas variedades simultaneamente, portanto, as variedades não são mutuamente exclusivas, e muitos gêneros possuem diversas variedades. As exceções a essa regra são as variedades translúcidas e opacas; elas não podem ocorrer ao mesmo tempo.

1. Intortus
As nuvens do tipo intortus apresentam filamentos retorcidos e curvas irregulares, criando um visual caótico e elegante ao mesmo tempo. Essa variedade é exclusiva das nuvens cirrus e dá a impressão de que os fios foram torcidos pelo vento em diferentes direções.

2. Vertebratus
As nuvens vertebratus lembram a estrutura de um esqueleto ou espinha dorsal vista de baixo. Esse formato curioso, comum em cirrus, faz com que elas pareçam “ossos” alinhados no céu.

3. Undulatus
As nuvens undulatus formam camadas onduladas, como se o céu estivesse coberto por ondas. Essa variedade pode aparecer em vários gêneros, incluindo cirrocumulus, altocumulus, altostratus, stratocumulus e stratus.

4. Radiatus
As nuvens radiatus se organizam em faixas paralelas que parecem convergir no horizonte. Esse efeito de perspectiva é comum em cirrus, altocumulus, altostratus, stratocumulus e até cumulus.

5. Lacunosus
As nuvens lacunosus apresentam pequenos “buracos” distribuídos pela camada de nuvens, criando um padrão que lembra uma rede ou colmeia. Elas aparecem principalmente em cirrocumulus e altocumulus.

6. Duplicatus
As nuvens duplicatus surgem em duas ou mais camadas sobrepostas, levemente deslocadas entre si. Essa variedade pode ocorrer em cirrus, cirrostratus, altocumulus, altostratus e stratocumulus.

7. Translucidus
As nuvens translucidus formam uma camada extensa, mas fina o suficiente para permitir que o Sol ou a Lua sejam vistos através dela. Esse tipo pode ocorrer em altocumulus, altostratus, stratocumulus e stratus.

8. Perlucidus
As nuvens perlucidus também aparecem em forma de camada, mas com pequenos espaços entre os blocos de nuvens, deixando partes do céu visíveis. São comuns em altocumulus e stratocumulus.

9. Opacus
As nuvens opacus são densas e espessas, bloqueando completamente a luz do Sol ou da Lua. Essa variedade pode ser observada em altocumulus, altostratus, stratocumulus e stratus.
Nuvens acessórias
As nuvens acessórias são formações menores que aparecem associadas a nuvens maiores. Elas podem estar parcialmente conectadas ou completamente separadas da nuvem principal, funcionando como “extensões” visuais do sistema maior.

1. Pileus
A pileus é uma nuvem em forma de chapéu ou capuz que surge sobre o topo de nuvens cumulus ou cumulonimbus em rápido crescimento. Sua presença indica fortes correntes de ar ascendentes.

2. Velum
A velum forma um véu fino que envolve ou se posiciona logo acima de nuvens cumulus e cumulonimbus. Diferentemente da pileus, ela tende a se espalhar lateralmente, acompanhando o desenvolvimento da nuvem principal.

3. Pannus
As nuvens pannus aparecem como fragmentos baixos, irregulares e rasgados, geralmente ao longo da base de nuvens de tempestade. Elas costumam estar associadas a altostratus, nimbostratus, cumulus e cumulonimbus.

4. Flumen
As flumen são faixas de nuvens baixas ligadas a tempestades severas, especialmente a supercélulas. Muitas vezes, apresentam formato largo e achatado, lembrando a cauda de um castor, e indicam forte organização do sistema atmosférico.
Nuvens especiais
Algumas nuvens não surgem apenas por processos atmosféricos comuns. Elas se formam a partir de condições muito específicas do ambiente e em alguns casos, por ação direta do ser humano.

1. Flammagenitus
As nuvens flammagenitus se formam a partir do calor intenso gerado por incêndios florestais, queimadas ou erupções vulcânicas. As correntes de ar quente carregam vapor e partículas para cima, criando nuvens que podem crescer rapidamente.

2. Homogenitus
As nuvens homogenitus são produzidas por atividades humanas. Elas incluem formações originadas por usinas, fábricas e outras fontes artificiais de calor e vapor, dando origem ao que muita gente chama informalmente de “fábricas de nuvens”.

3. Trilhas de condensação (contrails)
As trilhas deixadas por aviões são um tipo específico de nuvem homogenitus. Quando persistem por mais de alguns minutos, elas deixam de ser apenas rastros temporários e passam a ser classificadas como nuvens.

4. Homomutatus
Quando essas trilhas de aviões se espalham, se expandem e começam a assumir características naturais, elas passam a ser chamadas de homomutatus, misturando ação humana e processos atmosféricos.

5. Cataractagenitus
Essas nuvens se formam nas proximidades de grandes cachoeiras. O impacto da água gera uma névoa constante que, ao subir, pode se condensar e formar nuvens localizadas.

6. Silvagenitus
As silvagenitus surgem sobre áreas florestais densas, resultado da alta evaporação e da umidade liberada pela vegetação. São um bom exemplo de como ecossistemas inteiros influenciam diretamente a atmosfera.
Elementos suplementares das nuvens
Além dos gêneros, espécies e variedades, algumas nuvens apresentam formações adicionais que se desenvolvem junto a elas. Esses elementos suplementares ajudam a identificar fenômenos atmosféricos específicos e, em alguns casos, indicam condições climáticas severas.

1. Incus
O incus é a parte superior achatada das nuvens cumulonimbus, com formato de bigorna. Ele se forma quando a nuvem atinge camadas mais estáveis da atmosfera e não consegue crescer mais para cima.

2. Mamma
As mamma são protuberâncias arredondadas que pendem da base das nuvens, criando um visual dramático e facilmente reconhecível. Elas podem aparecer em diversos tipos de nuvens, especialmente em cumulonimbus, e estão associadas a forte instabilidade atmosférica.

3. Virga
A virga ocorre quando a precipitação cai da nuvem, mas evapora antes de atingir o solo. O efeito visual lembra tentáculos ou fios pendendo da nuvem, como se fosse uma água-viva no céu.

4. Praecipitatio
Quando a chuva, neve ou granizo consegue alcançar o solo, o fenômeno recebe o nome de praecipitatio. Esse elemento suplementar está presente em várias nuvens associadas à precipitação.

5. Arcus
O arcus é uma formação densa e horizontal que surge na dianteira de tempestades, criando um arco escuro e imponente no céu. É comum em nuvens cumulonimbus e pode indicar ventos fortes e mudanças bruscas no tempo.

6. Tuba
A tuba é uma extensão em forma de cone que desce da base da nuvem. Ela indica a presença de um vórtice intenso e pode, em alguns casos, evoluir para um tornado.

7. Asperitas
As nuvens asperitas têm aparência caótica e ondulada, lembrando um mar revolto visto de baixo. Elas surgem principalmente associadas a stratocumulus e altocumulus e criam efeitos visuais impressionantes.

8. Fluctus
As fluctus são pequenas ondas que se formam no topo de algumas nuvens. São estruturas de curta duração e aparecem em diferentes gêneros, como cirrus e altocumulus.

9. Cavum
Também conhecido como “buraco de queda”, o cavum é uma abertura circular ou linear que surge dentro de uma camada de nuvens. Ele se forma quando gotículas super-resfriadas congelam repentinamente, fazendo o vapor ao redor evaporar.

10. Murus
O murus, ou nuvem de parede, se desenvolve na parte inferior de grandes nuvens de tempestade, especialmente supercélulas. Ele marca uma região de forte corrente ascendente e pode estar associado à formação de tornados.

11. Cauda
A cauda é uma nuvem alongada que se conecta ao murus, formando uma espécie de “rabo” horizontal. Apesar da aparência assustadora, ela não deve ser confundida com um funil de tornado.
Da próxima vez que você olhar para o céu, tente ir além das formas curiosas. Cada nuvem carrega pistas sobre o clima, a atmosfera e os processos invisíveis que moldam o nosso planeta. Entender essas formações é uma forma simples e fascinante de se reconectar com a ciência que acontece bem acima da nossa cabeça.
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