A gorila Koko, que se comunicava com humanos através da linguagem de sinais, foi um dos animais que contribuíram significativamente para a ciência. Ela faleceu aos 46 anos, no dia 21 de junho, nos Estados Unidos, por causas naturais enquanto dormia.

A história da interação entre Koko e humanos começou em 1971. Quando recém-nascida, foi rejeitada pela mãe no zoológico de São Francisco, e a pesquisadora Francine “Penny”, da Universidade de Standford, resolveu acompanhar de perto seu crescimento e desenvolvimento.

Penny e Koko criaram uma ligação especial, que durou até o dia de sua morte. Em 1976, a pesquisadora criou o The Gorilla Foundation para levantar recursos para que a gorila tivesse uma boa qualidade de vida em outro ambiente, fora do zoológico.

Inspirada por estudos bem-sucedidos de outros pesquisadores com Chimpanzés, a pesquisadora trabalhou com o animal desde o primeiro ano de vida para ensiná-lo a linguagem de sinais, a American Sign Language (ASL), referente ao Libras, do Brasil.

Além da incrível capacidade de compreensão da linguagem, Koko foi capaz de passar no teste de auto-reconhecimento do espelho, que a maioria dos outros gorilas falham.

Embora o estudo tenha gerado controvérsias entre ativistas que criticaram como isso introduz um comportamento anti-natural no animal, ele foi fundamental para a comunidade científica entender as capacidades cognitivas desses animais e como eles possuem sentimentos e emoções complexas, antes consideradas exclusivas dos seres humanos.

Koko aprendeu mais de 1.000 palavras em sinais

Koko apresentou extraordinária habilidade para o inglês falado e na linguagem de sinais, desde que Penny começou a trabalhar com ela. Ao longo de sua vida, aprendeu mais de 1.000 sinais para se comunicar, comparável ao vocabulário de uma criança de 3 anos de idade. Ela também compreendia 2.000 palavras faladas em inglês.

Apesar de não usar sintaxe ou gramática, conseguia falar sobre objetos que não estavam presentes, e mostrava ter boa memória, a ponto de se referir a acontecimentos de décadas anteriores.

Pesquisadores já realizaram diversas tentativas de ensinar a linguagem humana aos animais, mas nenhum foi tão bem-sucedido quanto Koko.

A gorila já compreendia algumas palavras antes mesmo de sua alfabetização

10 curiosidades sobre a gorila Koko

De acordo com a pesquisadora, Koko já demonstrava compreender algumas palavras quando elas começaram a trabalhar juntas. “Ela entendia um pouco de inglês desde o início, porque estava imersa em um ambiente onde era falada a língua. Ela também demonstrou alguns sinais, os quais utilizou sem que ninguém a solicitasse”, Penny explica. A partir daí, a pesquisadora introduziu novos vocabulários e começou a fazer perguntas.

Gorilas possuem sua própria linguagem

A pesquisadora explica que Koko não é a única da espécie a usar algum tipo de sinal para se comunicar, pois eles possuem sua própria linguagem para se comunicar entre eles.

Os pesquisadores catalogaram cerca de 100 sinais diferentes em vários estudos sobre gorilas criados em zoológicos. Eles chegaram a conclusão de que essa espécie possui gestos inatos, os quais Penny pôde identificar nos sinais compartilhados por Koko e seu irmão, quando eles se encontraram pela primeira vez.

A pesquisadora ainda acrescenta que gorilas criados em cativeiro têm muito mais o que falar do que aqueles que vivem na natureza.

Ela criava seus próprios sinais

Koko criou novos sinais para palavras que os pesquisadores ainda não tinham ensinado para alguma situação específica, como um para pedir que eles tirassem seus jalecos. Ela também se comunicava mostrando páginas de livros ou revistas aos pesquisadores para apontar algo específico, e entregava cartões impressos para eventos simbólicos, como aniversários e feriados.

Amava gatinhos

Koko teve vários gatinhos de estimação ao longo da vida.

Segundo pesquisadores do The Gorilla Foundation, no natal de 1983, Koko pediu um gato de presente. Eles a presentearam com um bichinho de pelúcia, mas o biólogo Ron Cohn contou que ela não se sentiu satisfeita, e continuou fazendo sinais de que estava triste.

Em seu aniversário, em julho de 1984, ela pôde escolher seu bichinho de uma ninhada de gatinhos abandonados, e o chamou de All Ball. Penny diz que ela era muito amorosa e gentil com o gato, e o tratava como se fosse um filhote de gorila.

Infelizmente, o gatinho foi atropelado pouco tempo depois, e Koko se mostrou muito triste quando soube do ocorrido.

Em 1985, os pesquisadores deixaram que ela adotasse dois gatinhos, os quais ela batizou de Lipstick e Smoky.

Mais tarde, em 2015, em seu aniversário, ela adotou outros dois, chamados Miss Black e Miss Grey.

Se referia a si mesma como uma rainha

Essa foi uma das primeiras palavras que Koko escolheu para se referir a si mesma.

“O gorila tinha apenas alguns anos quando fez o gesto pela primeira vez – deslizando a pata diagonalmente sobre o peito como se estivesse traçando uma faixa real”, disse a revista The Atlantic.

Se ela fosse uma rainha, seu reino seria o extenso centro de pesquisa da Fundação, nas montanhas próximas à Santa Cruz, na Califórnia.

Apareceu em vários documentários e livros

Koko já fez participações em vários documentários e livros, como o “Koko: The Gorilla Who Talks To People”, um documentário da BBC, e no livro “Congo”, um romance de  Michael Crichton.

Ela também foi capa duas vezes na revista National Geographic, em 1978 e 1985. A primeira apresentava um selfie que a gorila tirou em frente ao espelho, e a última contava a relação entre Koko e seu gatinho All Ball.

Fez amizade com Robin Williams

O ator Robin Williams foi um dos vários humanos que fizeram amizade com Koko, quando ele visitou a Fundação, em 2001.

Ela demonstrou lembrar de ter visto o ator em um filme, insistiu para que ele fizesse cócegas nela e pedia para experimentar seus óculos.

“A habilidade de Robin simplesmente confraternizar com Koko e, em poucos minutos, se tornar um de seus melhores amigos, foi extraordinário e inesquecível”, escreveu Penny, na época.

Quando a gorila foi informada sobre a morte do ator, em 2014, se demonstrou muito chateada.

Mostrou a profundidade de sua vida emocional

Koko compartilhou momentos de felicidade e tristeza, não apenas com Penny, mas também com o biólogo Ron Cohn. Por exemplo, quando seu primeiro gato All Ball faleceu, a pesquisadora conta que ela franzia o cenho, e sinalizava “Mau, triste, mau”, e mais tarde disse ter ouvido a gorila chorar fazendo um som similar ao choro humano.

Foi considerada embaixadora de sua espécie

Koko ajudou muito a capturar a atenção do mundo sobre a preservação dos gorilas e seus habitats, e pela sua capacidade de se comunicar com humanos, foi concedido à ela a posição simbólica de embaixadora.

Especialistas afirmam que se gorilas continuarem alvo de caças ilegais, a metade da população desses animais pode desaparecer até 2040.

“A Koko tocou a vida de milhões de pessoas como uma embaixadora de todos os gorilas e ícone da comunicação e empatia interespécies. Ela era amada e sua ausência será profundamente sentida”, diz nota da Gorilla Foundation.

Koko não só ressaltava a importância do respeito em relação a sua espécie, mas também alertava o mundo sobre o dever de respeitarmos nosso planeta e todas as formas de vida com as quais nós compartilhamos a existência.

Subscribe
Notify of
guest

1 Comentário
Oldest
Newest Most Voted
Inline Feedbacks
View all comments
Dener
Dener
2 anos atrás

Ela é uma entidade de uma civilização milênios mais avançada que a nossa! Veio em uma missão com o propósito alertar os humanos sobre os animais terem consciência. Mas isso não é um assunto para qualquer um, infelizmente…

Pin