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Agentes de IA podem gastar tanta energia quanto geladeiras em um único dia

O avanço dos agentes de inteligência artificial está criando uma preocupação que vai além da capacidade dos modelos. O consumo de eletricidade também pode crescer bastante quando a IA deixa de apenas responder perguntas e passa a executar tarefas complexas de forma autônoma.

Uma análise feita pelo cientista climático Zeke Hausfather acompanhou oito semanas de uso do Claude Code, ferramenta de programação da Anthropic. A estimativa indicou um consumo médio diário entre 1,2 e 5,9 kWh durante o período analisado. No cenário mais intenso, isso supera o consumo diário de duas geladeiras.

Agentes gastam mais porque trabalham em várias etapas

A diferença está principalmente na maneira como os agentes funcionam. Um chatbot tradicional recebe uma pergunta, processa a solicitação e entrega uma resposta.

Um agente pode executar vários passos para chegar ao resultado. Ele pode ler arquivos, rodar comandos, consultar ferramentas, analisar os resultados e repetir o processo diversas vezes. Cada nova etapa exige processamento nos servidores.

No experimento de Hausfather, 1.138 comandos enviados por ele desencadearam mais de 14 mil chamadas ao modelo e o processamento de aproximadamente 3,2 bilhões de tokens. A estimativa central apontou cerca de 170 kWh de eletricidade de data centers durante as oito semanas.

A maior parte do processamento não aparece na tela

Um dos pontos mais curiosos da análise é que grande parte do trabalho acontece longe do que o usuário consegue enxergar.

Hausfather estimou que cerca de 96% dos tokens processados pelo Claude Code estavam relacionados à releitura do contexto acumulado pelo agente. Isso acontece porque o sistema precisa recuperar informações anteriores a cada nova etapa da tarefa.

O pesquisador também calculou que o texto efetivamente apresentado ao usuário representava apenas uma pequena parcela de todo o processamento realizado nos bastidores.

Não significa que toda IA consuma essa quantidade

Os números não devem ser interpretados como o consumo padrão de qualquer agente de IA. O próprio pesquisador ressalta que seu uso foi particularmente intenso, com tarefas de programação, análise de dados e sessões longas.

Outras estimativas encontraram valores diferentes. Uma análise citada no mesmo debate estimou cerca de 41 Wh para uma sessão mediana do Claude Code, enquanto diferentes modelos de cálculo produziram resultados ainda mais variados. O consumo depende do modelo utilizado, da quantidade de tokens, da duração da tarefa e do número de chamadas realizadas.

Data centers também aumentam a pressão sobre a rede elétrica

O problema individual é apenas uma pequena parte de uma tendência maior. A Agência Internacional de Energia estima que os data centers consumiram cerca de 415 TWh de eletricidade em 2024, aproximadamente 1,5% do consumo elétrico mundial.

A projeção mais recente indica que esse volume pode chegar a cerca de 950 TWh em 2030. A inteligência artificial é apontada como um dos principais motores desse crescimento.

A agência também destaca que aplicações de raciocínio, geração de vídeo e tarefas executadas por agentes podem consumir centenas ou até milhares de vezes mais energia por consulta do que uma simples geração de texto.

Eficiência será parte importante do futuro da IA

O aumento do consumo não significa necessariamente que a tecnologia esteja destinada a usar quantidades cada vez maiores de energia para sempre. Melhorias em hardware, software e modelos podem reduzir parte dessa demanda.

A própria Agência Internacional de Energia mantém cenários nos quais ganhos de eficiência diminuem de forma significativa o crescimento do consumo dos data centers. O desafio será equilibrar modelos mais capazes, agentes que executam tarefas cada vez mais complexas e uma infraestrutura energética capaz de acompanhar essa expansão.

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Jornalista há mais de 20 anos e fundador do NERDIZMO. Foi editor do GamesBrasil, TechGuru, BABOO e já forneceu conteúdo para os principais portais do Brasil, como o UOL, GLOBO, MSN, TERRA, iG e R7. Também foi repórter das revistas MOVIE, EGW e Nintendo World.

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