Um novo material desenvolvido por pesquisadores da RMIT University, na Austrália, pode mudar a forma como estruturas metálicas são utilizadas no ambiente marinho. O sistema combina titânio impresso em 3D e espuma de poliuretano para criar uma estrutura metálica capaz de flutuar na água.
O mais impressionante é que ela continua flutuando mesmo depois de sofrer danos estruturais significativos. O trabalho foi publicado na revista Advanced Materials em agosto de 2026.

Como funciona o titânio flutuante
A estrutura utiliza uma liga de titânio conhecida como Ti 6Al 4V, formada por uma rede de pequenas estruturas ocas conectadas entre si.
O titânio é produzido por impressão 3D. Depois, os canais internos dessas estruturas são preenchidos com espuma de poliuretano expansível.
A parte externa continua aberta. Isso permite que a água passe pela estrutura, enquanto a espuma permanece protegida dentro dos tubos de titânio.
Essa combinação resolve um problema que dificultava o uso de estruturas metálicas desse tipo na água. Mesmo quando uma rede metálica possui baixa densidade aparente, a água pode entrar em seus espaços internos e fazer com que ela perca a capacidade de flutuar.

Material continua flutuando depois de quebrado
Os pesquisadores realizaram testes para verificar o comportamento do material após diferentes níveis de dano.
A estrutura continuou flutuando depois de apresentar rachaduras, deformações, falhas em pontos de conexão e até a fratura completa de uma camada da rede.
Ela só deixou de flutuar depois de ser severamente comprimida e compactada. A espuma ajuda nesse processo porque possui pequenas células fechadas que retêm gás e dificultam a entrada de água nos canais internos.
Essa característica pode ser importante para estruturas marítimas que precisam continuar funcionando mesmo depois de sofrer impactos ou danos.

Testes mostram resistência à água do mar
Além da flutuação, o material foi submetido a testes com água do mar natural coletada na região de Port Phillip Bay, em Melbourne.
Depois de duas semanas de imersão, a estrutura perdeu apenas 0,15% de sua massa, enquanto sua resistência diminuiu menos de 1%.
Os pesquisadores também compararam o material com opções utilizadas atualmente em aplicações marítimas, como plástico de alta densidade e aço inoxidável 316L. Na mesma densidade geral, a estrutura híbrida apresentou resistência específica superior.
Protótipo de boia passou pelo teste
Para demonstrar uma possível aplicação prática, a equipe criou uma pequena boia utilizando o mesmo conceito.
O protótipo foi produzido por impressão 3D e testado em água do mar sob movimento turbulento. A estrutura permaneceu estável enquanto era submetida a rotações de aproximadamente 45 graus.
O teste também foi realizado sem uma carcaça selada, revestimento protetor ou outro sistema adicional de flutuação.

Tecnologia ainda precisa de novos testes
Apesar dos resultados, o material ainda está em fase experimental. Os pesquisadores indicam que os próximos passos incluem aumentar a escala dos componentes e avaliar o comportamento da tecnologia durante períodos mais longos em condições marítimas reais.
A arquitetura também pode ser adaptada para outras funções. Segundo a equipe, mudanças no material utilizado dentro da estrutura de titânio poderiam permitir aplicações relacionadas à absorção de energia, gerenciamento térmico e controle de vibrações.
A pesquisa abre, portanto, uma possibilidade curiosa: estruturas metálicas fortes o suficiente para aplicações exigentes, mas leves e resistentes a danos a ponto de continuar flutuando quando utilizadas na água.
Veja mais sobre ciência.