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Energia solar chega a 62 centavos por watt e acelera mudança no mercado de eletricidade

O preço dos módulos solares caiu para cerca de R$ 0,62 (US$ 0,12) por watt nos mercados globais. Para comparação, há cerca de 26 anos, o valor ficava entre US$ 5 e US$ 6 por watt.

A diferença representa uma queda impressionante no custo do equipamento e ajuda a explicar a expansão acelerada da energia solar em diferentes partes do mundo.

O principal fator apontado para essa transformação é a enorme escala da produção chinesa. O aumento da fabricação, a competição entre empresas e os ganhos de escala reduziram significativamente o preço dos componentes usados nos sistemas fotovoltaicos.

A queda foi muito maior na última década

Os dados de longo prazo mostram como a tecnologia evoluiu rapidamente.

Entre janeiro de 2010 e dezembro de 2024, o custo global dos módulos de silício cristalino caiu 97%, segundo uma análise internacional de custos de geração renovável.

No mesmo período, a própria geração solar em larga escala se tornou muito mais competitiva. Em 2024, o custo nivelado médio mundial da eletricidade produzida por novas usinas solares fotovoltaicas ficou em US$ 43 por megawatt hora.

Em 2025, esse custo médio global permaneceu próximo do mesmo nível, em US$ 44 por megawatt hora. Mais de 90% dos novos projetos de energia renovável em escala de rede analisados ficaram abaixo do custo da alternativa fóssil nova mais barata em seus respectivos mercados.

Preço do painel não é preço da eletricidade

Existe uma diferença importante entre o custo de um módulo e o valor final da energia.

Um painel vendido por poucos centavos de dólar por watt representa apenas parte do investimento. Um sistema completo também precisa de inversores, estruturas, cabos, instalação, conexão à rede e, em alguns casos, baterias.

Custos de financiamento, licenciamento e instalação também podem ter um peso relevante. Por isso, a queda no preço dos módulos não significa que a conta de um sistema solar residencial tenha caído na mesma proporção.

A energia solar também está crescendo em ritmo acelerado

A redução dos custos vem acompanhada de uma expansão rápida da capacidade instalada.

A geração mundial de eletricidade por energia solar cresceu 620 terawatts hora em 2025, o maior aumento anual entre as principais fontes de geração. A previsão é que a geração solar supere a produção de energia eólica e nuclear em 2026.

A combinação entre equipamentos mais baratos, maior eficiência e produção em escala tornou a tecnologia mais acessível para diferentes mercados.

Isso também ajudou países com infraestrutura energética limitada a considerar a geração solar como uma alternativa para ampliar o acesso à eletricidade.

O próximo desafio está na rede elétrica

A energia solar ficou barata, mas isso não elimina os desafios técnicos.

A produção varia de acordo com a presença do Sol. Em momentos de geração muito alta, uma rede pode não conseguir absorver toda a eletricidade disponível. Em outros períodos, especialmente à noite, outras fontes ou sistemas de armazenamento precisam atender à demanda.

As baterias, redes inteligentes e novos sistemas de gerenciamento aparecem justamente como parte dessa próxima etapa.

O cenário atual mostra uma mudança importante. O debate deixou de ser apenas sobre o preço para produzir eletricidade solar e passou a envolver também como armazenar, transportar e utilizar essa energia da maneira mais eficiente.

Uma revolução que ainda está acontecendo

Mesmo com alguma pressão recente sobre os preços, a energia solar continua entre as alternativas mais competitivas para novas usinas.

Em 2026, estimativas para os Estados Unidos mostraram aumento no custo de novos projetos solares, influenciado por juros, tarifas e mudanças nas cadeias de fornecimento. Ainda assim, a geração solar permaneceu entre as opções de menor custo para novas instalações.

A queda histórica dos preços dos equipamentos, portanto, não significa que todos os custos desapareceram. Ela mostra algo mais importante: produzir eletricidade a partir do Sol deixou de ser uma tecnologia cara e passou a ocupar uma posição central na transformação do sistema energético mundial.

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Jornalista há mais de 20 anos e fundador do NERDIZMO. Foi editor do GamesBrasil, TechGuru, BABOO e já forneceu conteúdo para os principais portais do Brasil, como o UOL, GLOBO, MSN, TERRA, iG e R7. Também foi repórter das revistas MOVIE, EGW e Nintendo World.

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