Alan Ritchson aproveitou a divulgação de War Machine, novo filme de ação que estreou diretamente na Netflix, para fazer um comentário que vem ganhando cada vez mais espaço em Hollywood. Para o ator, parte do público já demonstra cansaço com o que ele chama de filmes “no estilo Marvel”, marcados por protagonistas praticamente invencíveis e conflitos sem peso real.
Segundo Ritchson, a chamada “marvelização” dos grandes blockbusters reduziu o impacto emocional das histórias. Quando o herói parece impossível de derrotar, o risco desaparece e, com ele, o interesse. Na visão do ator, isso torna muitos filmes difíceis de acompanhar, porque o espectador já sabe que tudo vai dar certo no fim, sem grandes consequências.
War Machine surge justamente como uma tentativa de ir na direção oposta. Mesmo sem passagem pelos cinemas, o longa representa o tipo de narrativa que Ritchson diz querer explorar mais. Um filme em que o protagonista apanha, sangra e sobrevive por pouco. Um personagem que está sempre à beira do colapso e não protegido por uma armadura narrativa.
Para o ator, a ideia foi criar alguém com quem o público consiga se identificar. Alguém vulnerável, que enfrenta situações extremas e segue em frente apesar disso. Ele acredita que esse tipo de jornada conversa melhor com a realidade atual, em que muitas pessoas lidam com dificuldades reais e buscam histórias que reflitam essa luta diária.
Ritchson destaca que o apelo emocional do filme vai além da ação. Existe algo profundamente humano em acompanhar um personagem que chega ao limite e ainda assim cruza a linha de chegada. Para ele, esse tipo de narrativa funciona quase como um lembrete. Se o personagem consegue sobreviver àquele caos, talvez o espectador também consiga superar seus próprios desafios.
O discurso fica ainda mais curioso quando se considera que Ritchson nunca escondeu o desejo de entrar no universo dos super-heróis. Ele já afirmou publicamente que gostaria de interpretar o Batman em The Brave and the Bold, novo projeto da DC comandado por James Gunn e Peter Safran. O próprio ator confirmou que conversas aconteceram, mas deixou claro que o papel do Cavaleiro das Trevas não deve se concretizar.
Ainda assim, Ritchson não descarta um futuro na DC. Ele afirma que Gunn é um fã declarado de seu trabalho e que existe a possibilidade de interpretar outro personagem dentro do novo universo cinematográfico. A condição, ao que tudo indica, é encontrar alguém que fuja do arquétipo do herói intocável.
Entre criticar heróis invencíveis e demonstrar interesse por histórias de capa e máscara, Ritchson parece buscar um meio-termo. Um cinema de ação que mantenha o espetáculo, mas devolva ao protagonista algo essencial. Fragilidade. Para ele, um herói não precisa ser indestrutível para ser memorável.
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