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Eddie Munson finalmente recebe o reconhecimento que merece em Stranger Things 5

Durante boa parte de Stranger Things 5, Eddie Munson não está fisicamente em cena, mas sua presença paira sobre a história como um fantasma impossível de ignorar. A dor profunda de Dustin Henderson pela perda do amigo, somada ao luto mais contido, porém igualmente intenso, de Steve Harrington, influencia cada interação da dupla nos capítulos finais da série. É justamente essa evocação constante de Eddie que permite à narrativa oferecer, enfim, um encerramento mais justo para o arco do personagem, algo que muitos fãs sentiram faltar após os acontecimentos da quarta temporada.

Eddie foi, sem dúvida, um dos personagens mais queridos de Stranger Things 4, mas a forma como sua trajetória terminou deixou um gosto amargo para muita gente. A série parecia sugerir que sua morte funcionava como uma espécie de redenção final, como se Eddie só pudesse ser considerado um herói ao sacrificar a própria vida por uma cidade que o rejeitou e o demonizou. Em Stranger Things 5, essa leitura é revisitada, ajustada e, felizmente, ressignificada de uma maneira muito mais coerente com quem Eddie sempre foi.

Não é segredo que a morte de Eddie nunca pareceu necessária ou verdadeiramente nobre. A ideia de que ele precisaria morrer para provar seu valor sempre soou injusta, especialmente para um personagem que representava, para tantos espectadores, aqueles que vivem à margem, que não se encaixam e que encontram força justamente em ser quem são. Eddie já era corajoso muito antes do confronto final. Sua bravura estava em desafiar normas, criar espaços seguros e permitir que outros se sentissem aceitos em um mundo sufocante.

Na quinta temporada, a série finalmente dá voz a esse incômodo. Em uma das cenas mais intensas de Stranger Things 5 – Volume 2, Steve confronta Dustin de forma dura e direta, afirmando que Eddie não salvou ninguém naquela noite, que sua morte não era inevitável e que ele não precisava ter se colocado naquela situação. À primeira vista, as palavras de Steve parecem cruéis, mas o que elas fazem, na prática, é desmontar a ideia romantizada do sacrifício. Pela primeira vez, a série afirma claramente que Eddie não precisava morrer para ser importante.

O peso emocional desse momento não está apenas na discussão sobre heroísmo, mas no impacto real da perda. A raiva de Steve nasce do fato de que a morte de Eddie destruiu Dustin por dentro e, por consequência, abalou todos ao redor. O que dói não é a ausência de um mártir, mas a ausência de um amigo que deveria estar vivo. Nas entrelinhas, a série reconhece algo que os fãs sempre souberam: tudo teria sido melhor se Eddie tivesse escolhido continuar vivendo.

Esse novo olhar ganha ainda mais força quando Dustin finalmente verbaliza o que Eddie significou para ele. Eddie não foi um herói por morrer, mas por ter sido um amigo verdadeiro. Alguém que acreditava nele, que foi genuinamente gentil, que nunca fingiu ser outra pessoa para agradar aos outros. Eddie era imperfeito, emotivo, sensível e absolutamente fiel a si mesmo e era exatamente isso que o tornava especial.

Ao longo da série, Eddie foi gentil com Dustin, com Chrissy e com todos que encontraram nele um refúgio. Ele não era um guerreiro destemido, mas alguém que sentia medo, chorava e ainda assim escolhia cuidar dos outros. Em retrospecto, fica claro que rotulá-lo como covarde nunca fez sentido. “Gentil” é uma definição muito mais honesta e poderosa para entender quem Eddie Munson realmente era.

No fundo, a maior bravura de Eddie sempre esteve em sua autenticidade. Ao ser simplesmente ele mesmo, Eddie mostrou a Dustin, Mike, Lucas e tantos outros que não havia nada de errado em abraçar suas diferenças. Ele criou um espaço onde ser estranho não era um defeito, mas uma força. Essa foi sua verdadeira revolução silenciosa.

Quando Steve finalmente reconhece que Eddie salvou vidas não por Hawkins, mas por amor, especialmente por Dustin a série encontra, enfim, o tom certo. Eddie não morreu para agradar uma cidade que o odiava, mas para proteger alguém que ele amava profundamente. Seu legado não é o sacrifício, mas a transformação que deixou em quem ficou.

Aceitar a morte de Eddie nunca será fácil. Muitos ainda gostariam de vê-lo vivo, triunfante, desafiando aqueles que o julgaram e vivendo plenamente sua existência caótica e livre. O desejo de vê-lo retornar permanece forte. Ainda assim, há um certo alívio em saber que Stranger Things 5 finalmente compreende quem Eddie Munson foi de verdade.

Seu impacto não está em como morreu, mas em como viveu. E, sobretudo, em quem ele ajudou a se tornar mais forte apenas por existir.

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Hortência é profissional de Letras, educadora, tatuadora e mãe. Apaixonada por arte e cultura, une seus múltiplos interesses que vão da cultura pop à gastronomia para produzir conteúdos variados e criativos.

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