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Esse cara usou um acelerador de partículas para literalmente capturar um raio em uma garrafa

A expressão “capturar um raio em uma garrafa” costuma ser usada de forma poética, mas um criador resolveu levar essa ideia ao pé da letra. Usando um acelerador de partículas e um cilindro transparente de acrílico com cerca de cinco centímetros de diâmetro, ele conseguiu criar padrões elétricos ramificados que lembram descargas de raios congeladas no tempo, como se estivessem presas dentro do tubo.

O projeto foi desenvolvido pelo Electron Impressions, conhecido por trabalhar com figuras de Lichtenberg. Esses desenhos surgem quando eletricidade de altíssima voltagem atravessa um material isolante e deixa rastros que lembram galhos de árvores ou relâmpagos.

Normalmente, essas figuras aparecem em blocos ou placas planas de acrílico, mas a ideia aqui era diferente: criar um efeito tridimensional que realmente passasse a sensação de energia engarrafada.

Para isso, foi necessário recorrer a um acelerador linear de partículas, uma máquina capaz de disparar elétrons de alta energia. Esses elétrons atravessam o acrílico e depositam carga elétrica em uma profundidade específica, sem que a energia se dissipe imediatamente.

A carga se acumula dentro do material, chegando a milhões de volts, até ser liberada de forma controlada, deixando para trás os padrões permanentes de ramificação.

O formato cilíndrico trouxe desafios extras. Como os elétrons atingem sempre a mesma profundidade a partir da superfície, o cilindro precisa girar para que todas as laterais recebam carga de maneira uniforme.

Sem esse movimento, o desenho ficaria completamente desequilibrado. Por isso, foi criado um sistema próprio para girar o tubo durante a exposição ao feixe de partículas.

A presença de radiação também exigiu soluções pouco convencionais. Elétrons de alta energia podem destruir componentes eletrônicos com facilidade, então o mecanismo de rotação precisou ser extremamente simples e resistente.

O sistema usa um motor DC com escovas alimentado por uma bateria de chumbo ácido, que aguenta melhor esse tipo de ambiente.

A bateria ainda recebe proteção extra com uma fina lâmina de chumbo, enquanto as peças impressas em 3D foram feitas em PETG preto, um material que se mostrou adequado para lidar com níveis elevados de radiação.

O conjunto de roletes que sustenta o cilindro lembra bastante aqueles usados em máquinas de cachorro quente de loja de conveniência.

Algumas rodas impressas em posições alternadas mantêm o tubo firme enquanto ele gira a cerca de 150 rotações por minuto. Essa velocidade é suficiente para garantir que o acrílico seja atingido várias vezes pelo feixe durante exposições que duram apenas um ou dois segundos.

Para criar o cilindro em si, foi necessário fabricar um tubo exclusivo de acrílico transparente com duas polegadas de diâmetro.

O projeto foi desenvolvido em software CAD, e dois protótipos foram produzidos para testes antes da versão final. Com tudo pronto, o cilindro giratório foi colocado dentro da câmara do acelerador.

Uma câmera GoPro protegida registrou todo o processo, incluindo o brilho azulado da radiação Cherenkov gerada quando os elétrons atingem o material.

Dos dois cilindros produzidos, apenas um ficou perfeitamente carregado. O outro acumulou carga demais e acabou descarregando sozinho ainda sob o feixe, criando padrões estranhos e totalmente imprevisíveis.

No caso bem-sucedido, o passo final foi simples e quase anticlimático. Bastou bater com firmeza na lateral do tubo para liberar a energia acumulada, fazendo com que os “raios” surgissem instantaneamente.

O resultado é um conjunto de ramificações extremamente uniformes que se espalham por toda a parte interna do cilindro.

Graças à forma curva do acrílico e à refração da luz, o efeito visual parece ainda maior e mais intenso do que realmente é, reforçando a sensação de que um raio foi, de fato, capturado dentro de uma garrafa.

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Jornalista há mais de 20 anos e fundador do NERDIZMO. Foi editor do GamesBrasil, TechGuru, BABOO e já forneceu conteúdo para os principais portais do Brasil, como o UOL, GLOBO, MSN, TERRA, iG e R7. Também foi repórter das revistas MOVIE, EGW e Nintendo World.

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