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Gamescom Latam 2026: We Were Here Tomorrow mostra que cooperação ainda pode surpreender e angustiar

A Total Mayhem Games já provou, ao longo dos anos, que entende como poucos a essência da cooperação assimétrica. A série We Were Here sempre foi menos sobre resolver puzzles e mais sobre comunicação.

Agora, com We Were Here Tomorrow, que o NERDIZMO testou durante a Gamescom Latam 2026 com a presença de Martin Mittner (Diretor Criativo), o estúdio dá um passo audacioso sobre ensinar menos em como cooperar, e mais sobre testar até onde essa cooperação consegue existir.

Um jogo sobre confiar no outro

Logo nos primeiros minutos de gameplay, fica claro que We Were Here Tomorrow não está interessado em repetir a fórmula de forma confortável. Ainda existe a divisão clássica, com dois jogadores, ambientes separados e a comunicação como elemento essencial. No entanto, agora temos uma mudança muito perceptível.

We Were Here Tomorrow

Se antes a série incentivava colaboração pura, aqui há uma camada constante de dúvida. Durante a demo, em mais de uma ocasião, fui levado a questionar se as informações que eu recebia, ou até mesmo as que eu transmitia, eram realmente confiáveis.

Segundo Martin, essa mudança é intencional. A proposta agora envolve elementos de percepção e interpretação que podem variar entre jogadores. Em outras palavras, as duas pessoas podem estar vendo coisas diferentes. Isso cria um efeito interessante por não se tratar apenas sobre resolver puzzles, mas em decidir sobre quem ou no quê acreditar.

Menos lógica e mais leitura humana

Os puzzles continuam inteligentes, mas seguem uma direção menos lógica e mais interpretativa. Em vez de sequências lógicas, muitos desafios dependem da forma como você descreve algo ou entende a descrição do outro.

We Were Here Tomorrow

Um exemplo simples da demo envolvia coletar itens, mover caixotes e abrir passagens, através de portas ou escadas. Esse tipo de escolha para o gameplay reforça uma ideia central em que o erro não está necessariamente na execução, mas na interpretação. E isso torna cada solução menos previsível e mais pessoal.

A estética continua fiel à identidade da série, mas agora adota uma temática futurista e espacial, mesmo que ainda apresente ambientes isolados, com arquiteturas que mistura fantasia e opressão, repleto de cores, elementos e detalhes, ainda que minimalistas, mas capaz de gerar um sentimento de curiosidade, dúvida e inquietação.

We Were Here Tomorrow

Para esse novo título da franquia, o jogo contará com habilidades para os jogadores, com funções distintas e que está ligada diretamente à maneira como cada um pode interagir com o ambiente e depende do outro jogador, além de eventos dinâmicos que podem variar entre partidas. Esses elementos aumentam a rejogabilidade e reforça a sensação de imprevisibilidade.

Se há algo que We Were Here Tomorrow deixa claro é que o verdadeiro gameplay continua sendo a comunicação. E, dessa vez, ela é colocada em um sistema de voz via rádio e que parecia estar levemente instável. Interferências, cortes e distorções não são apenas efeitos estéticos, elas afetam diretamente a forma como você joga. Ao longo do jogo, saber se comunicar bem não é apenas falar, mas também saber como se expressar, confirmar, repetir e se adaptar.

We Were Here Tomorrow

Conversando brevemente com a equipe da Total Mayhem Games no evento, ficou claro que We Were Here Tomorrow representa uma evolução conceitual para o estúdio. Eles não querem apenas expandir a série, fazendo com que a franquia aumente seu próprio escopo e proposta, indo além de seus próprios fundamentos.

A ideia de introduzir essas percepções divergentes entre jogadores, por exemplo, nasce da simples pergunta sobre “E se cooperar não significasse ver a mesma coisa?”. Essa filosofia permeia toda a experiência, pois não se trata mais de dois jogadores resolvendo o mesmo problema, e sim de dois pontos de vista tentando coexistir.

Durante a demo na Gamescom Latam 2026 ficou claro que We Were Here Tomorrow não se preocupa em agradar todo mundo, o que é bom! Ao introduzir incerteza na própria base da cooperação, o jogo assume um risco considerável. Nem todos os jogadores vão gostar de duvidar constantemente do parceiro ou da própria percepção. No entanto, para quem busca uma experiência mais intensa, quase psicológica, essa abordagem pode ser exatamente o que faltava na série.

Viciado em cultura japonesa, fanático por games e consumidor de ficção científica e fantasia. Designer e já foi editor do Bookeando. Nas horas vagas consegue se dividir entre as batidas do seu taikô, as viagens por uma galáxia muito distante, a eterna busca pela Triforce e as batalhas nas 12 casas do Santuário.

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