Você já parou para pensar em como seria a parte de trás de um emoji? A pergunta parece absurda, mas virou um dos desafios curiosos enfrentados pelo Google ao transformar quase 4 mil símbolos digitais em modelos tridimensionais.
A empresa compartilhou os bastidores do projeto Noto 3D, que redesenha os emojis tradicionais com volume, profundidade e detalhes antes escondidos. E, no meio do trabalho, surgiu espaço para uma brincadeira bastante inesperada.

Afinal, como é a parte de trás de um emoji?
Quando vemos um rosto sorridente no WhatsApp ou em outra plataforma, estamos acostumados a enxergar apenas uma ilustração bidimensional. Não existe motivo para pensar no que estaria do outro lado.
Isso muda quando o desenho vira um modelo 3D.
Em uma publicação sobre o processo criativo, o Google brincou com a ideia de mostrar a parte de trás de um rosto amarelo. A imagem sugere um resultado bastante sugestivo, mas a legenda deixa claro que se trata de uma piada, e não do formato real do emoji.
A brincadeira ajuda a ilustrar uma questão legítima do projeto. Ao transformar desenhos planos em objetos tridimensionais, os designers precisam decidir como cada personagem deve parecer de diferentes ângulos.
E algumas soluções exigem mais trabalho do que seria possível imaginar olhando apenas para a imagem original.
Google recriou quase 4 mil emojis em 3D
O projeto Noto 3D envolve 3.977 caracteres, incluindo rostos, animais e outros símbolos usados nas conversas digitais.
O trabalho não consiste simplesmente em adicionar volume aos desenhos existentes. A equipe precisa preservar a identidade de cada emoji, garantindo que suas expressões continuem reconhecíveis mesmo quando aparecem em tamanhos reduzidos.
Um exemplo curioso envolve o emoji de um cachorro da raça poodle. Ao transformar a ilustração em um modelo tridimensional, os designers perceberam que a quarta perna do animal estava escondida atrás das outras. O desenho original dava a impressão de que o cachorro tinha apenas três patas.
A versão 3D permitiu corrigir esse detalhe.
O Google também ampliou a representação de alguns animais. O guaxinim, por exemplo, deixou de ser apenas uma cabeça flutuante e passou a ter o corpo inteiro.
Inteligência artificial ajuda a melhorar a acessibilidade
Além do trabalho artístico, o projeto procura resolver problemas de visibilidade.
Em telas com modo escuro, determinados emojis podem perder contraste e ficar difíceis de identificar. Isso é particularmente importante em desenhos que representam tons de pele mais escuros.
Para enfrentar o problema, o Google desenvolveu uma ferramenta de análise de contraste baseada em inteligência artificial. Ela examina os contornos dos emojis, identifica combinações de cores com pouca visibilidade e sugere ajustes.
As decisões finais continuam nas mãos dos designers, que fazem correções manuais para preservar as cores e as características visuais dos personagens.
Os novos emojis também podem ser usados em projetos
O Noto 3D não foi pensado apenas para as conversas no celular. O Google disponibilizou modelos tridimensionais de código aberto para que desenvolvedores e criadores possam utilizá-los em projetos próprios.
As possibilidades incluem aplicativos, experiências de realidade virtual e memes.
O pacote começou a chegar aos produtos do Google e ao Android, com expansão para dispositivos selecionados de outras fabricantes. A disponibilidade pode variar conforme o aparelho e o serviço utilizado.
A iniciativa mostra como até elementos aparentemente simples da comunicação digital podem esconder decisões complexas de design. Afinal, um emoji precisa transmitir uma emoção em poucos pixels, funcionar em diferentes telas e continuar reconhecível, mesmo quando deixa de ser apenas um desenho plano.
Fontes:
Os desafios de transformar emojis 2D em modelos 3D
Como o Google redesenhou quase 4 mil emojis