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Guerreiras do K-Pop no Oscar: diretores levam equipe à maior noite do cinema

Depois de uma trajetória que levou sete anos entre desenvolvimento e produção, Guerreiras do K-Pop transformou seus diretores em nomes de destaque na animação contemporânea. Agora, Maggie Kang e Chris Appelhans se preparam para viver o ápice dessa jornada ao lado de toda a equipe na cerimônia do Academy Awards de 2026.

Lançado em junho na Netflix, o longa rapidamente se tornou o título mais assistido da plataforma, algo que poucos previram quando o projeto ainda estava em fase inicial. O que começou como uma aposta ousada virou fenômeno cultural, gerando linhas de brinquedos, parcerias com marcas de alimentos e até uma exibição especial nos cinemas com versão sing-along. Para Kang, o alcance do filme superou qualquer expectativa que ela já tivesse imaginado para a ideia original.

O sucesso colocou os holofotes sobre o elenco e a equipe criativa, incluindo a cantora e compositora EJAE, responsável pela voz principal e por várias músicas da trilha. Ainda assim, os diretores fazem questão de reforçar que a animação é, acima de tudo, um trabalho coletivo. Segundo Kang, cada cena carrega o esforço de dezenas de profissionais que dedicaram anos de suas vidas ao projeto.

Indicado a melhor animação e melhor canção original no Oscar 2026, o filme representa um marco não apenas para seus criadores, mas para todos que participaram da produção. Appelhans comenta que, após o lançamento, quase não houve tempo para celebrar de verdade com a equipe. Foi apenas durante a temporada de premiações que eles conseguiram compartilhar momentos mais íntimos de comemoração.

Para tornar a noite do Oscar ainda mais simbólica, Kang e Appelhans garantiram ingressos extras com um propósito claro: levar apenas membros da equipe. A ideia é simples e poderosa ao mesmo tempo. Independentemente do resultado, todos estarão juntos para celebrar o caminho percorrido.

Mesmo com o reconhecimento internacional, os dois afirmam que ainda se surpreendem com a repercussão. Em sessões especiais de perguntas e respostas, como a promovida pela American Cinematheque com mediação do cineasta Guillermo del Toro, eles relatam momentos de genuína admiração ao ouvir elogios de diretores que sempre respeitaram. Para Appelhans, é gratificante quando outros artistas conseguem enxergar além do brilho visual e reconhecem o trabalho técnico e emocional que sustenta a obra.

Kang também destaca encontros marcantes ao longo dessa jornada, como o que teve com Daniel Dae Kim. Para ela, foi especial conversar com alguém que entende profundamente a importância da representatividade e do espaço para criadores coreanos na indústria global.

O caminho até esse sucesso passou por decisões estratégicas importantes, principalmente em relação ao formato de lançamento. A produção foi aprovada em um período de grande incerteza no mercado, durante a pandemia, quando apostar em uma propriedade intelectual original parecia arriscado. Kang relembra que, naquele momento, o mais importante era simplesmente conseguir fazer o filme acontecer, especialmente sendo sua estreia como diretora.

O debate sobre streaming versus cinema tradicional inevitavelmente entrou na conversa. Para Kang, o cenário de exibição ainda está em transformação e ninguém tem respostas definitivas sobre como o público prefere consumir conteúdo hoje. No caso de Guerreiras do K-Pop, o lançamento na Netflix permitiu que o boca a boca crescesse de forma orgânica. Algumas semanas depois, o filme chegou também às salas de cinema, provando que modelos híbridos podem funcionar dependendo da proposta.

Appelhans acredita que certas produções se beneficiam desse efeito de crescimento gradual proporcionado pelo streaming. Em vez de depender exclusivamente de uma grande estreia no primeiro fim de semana, o filme teve tempo para conquistar o público aos poucos, criando uma base sólida de fãs.

E falando em fãs, eles já estão atentos ao futuro da franquia. Uma sequência está nos planos, embora ainda sem data definida. Inicialmente especulava-se um lançamento para 2029, mas executivos da Sony Pictures Animation indicaram que o processo pode levar mais tempo. E isso não surpreende quem conhece os bastidores da animação, uma arte que exige anos de trabalho minucioso.

Appelhans diz que tem visto comentários nas redes pedindo calma e qualidade acima de pressa. Segundo ele, o público atual é experiente o suficiente para entender que grandes produções animadas precisam de tempo para atingir o nível de excelência esperado. Kang compara a situação ao intervalo entre filmes da franquia Spider-Verse, cujo processo criativo também demandou anos de dedicação intensa.

Para os diretores, qualquer próximo passo precisará ir além do que já foi feito. Se o primeiro filme elevou o padrão ao misturar cultura pop coreana, ação sobrenatural e números musicais vibrantes, a continuação terá o desafio de expandir esse universo sem perder a identidade que conquistou milhões de espectadores.

Enquanto o futuro ainda está sendo desenhado quadro a quadro, Kang e Appelhans se concentram no presente. E esse presente inclui dividir a maior noite do cinema mundial com as pessoas que ajudaram a transformar uma ideia ousada em um fenômeno global. No fim das contas, mais do que estatuetas, o que eles celebram é a jornada coletiva que colocou Guerreiras do K-Pop no centro das atenções.

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Hortência é profissional de Letras, educadora, tatuadora e mãe. Apaixonada por arte e cultura, une seus múltiplos interesses que vão da cultura pop à gastronomia para produzir conteúdos variados e criativos.

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