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IA consegue criar imagens do que você está pensando ao analisar exames do cérebro

Uma inteligência artificial desenvolvida por pesquisadores do Instituto Weizmann de Ciências, em Israel, conseguiu reconstruir imagens observadas por pessoas a partir da atividade cerebral registrada durante exames. O sistema, chamado Brain IT, utiliza ressonância magnética funcional para identificar padrões no cérebro e transformá los em imagens geradas por inteligência artificial.

A tecnologia representa um avanço na chamada decodificação cerebral. Embora ainda esteja longe de ler pensamentos livremente, ela consegue reproduzir características de imagens que uma pessoa está vendo, incluindo elementos da composição e do conteúdo visual.

Como a inteligência artificial consegue reconstruir imagens do cérebro?

O Brain IT foi desenvolvido por uma equipe liderada pela pesquisadora Michal Irani. O modelo foi treinado com dados de ressonância magnética funcional de oito participantes que observaram milhares de imagens.

Esse tipo de exame, conhecido como fMRI, identifica mudanças no fluxo sanguíneo associadas à atividade cerebral. Com esses dados, os pesquisadores ensinam a inteligência artificial a relacionar padrões de atividade neural às características das imagens apresentadas.

O sistema combina duas tarefas. A primeira identifica características estruturais, como a posição dos objetos e a composição da cena. A segunda procura reconhecer elementos semânticos, como rostos, alimentos e outros objetos.

Essas informações são utilizadas por um modelo generativo para produzir uma imagem semelhante àquela observada pelo participante.

Uma hora de treinamento pode ser suficiente

Um dos principais avanços do Brain IT está na redução do tempo necessário para adaptar o sistema a uma pessoa.

Métodos anteriores costumavam exigir dezenas de horas de registros cerebrais específicos de cada participante. O novo modelo conseguiu produzir resultados comparáveis aos de sistemas treinados com até 40 horas de dados utilizando aproximadamente uma hora de registros de um novo indivíduo.

Isso foi possível porque a inteligência artificial identifica padrões de processamento visual compartilhados por diferentes pessoas. Assim, ela não precisa aprender tudo novamente para cada cérebro analisado.

Durante o desenvolvimento, os pesquisadores identificaram 128 regiões funcionais associadas ao processamento de imagens. Algumas já eram conhecidas pela neurociência, enquanto outras apresentaram divisões de funções que podem ajudar a compreender melhor como o cérebro interpreta aquilo que vemos.

As imagens reconstruídas ainda podem apresentar erros

Apesar dos resultados promissores, a tecnologia não reproduz necessariamente uma imagem idêntica à original.

O sistema consegue preservar características importantes da cena, mas ainda pode confundir objetos ou interpretar incorretamente determinados detalhes. Em um dos exemplos relatados pelos pesquisadores, uma imagem de um cachorro dentro de uma banheira foi reconstruída como uma cabra na mesma situação.

Isso mostra que a IA identifica padrões e produz uma interpretação visual a partir deles. Não se trata de recuperar uma fotografia armazenada no cérebro, mas de gerar uma representação provável daquilo que a pessoa estava vendo.

Pesquisas anteriores já haviam demonstrado que modelos generativos conseguem reconstruir cenas a partir de sinais cerebrais. O diferencial do Brain IT está em melhorar a fidelidade das imagens e reduzir a quantidade de dados necessária para adaptar o sistema a novos participantes.

A IA ainda não consegue ler pensamentos livremente

A expressão leitura da mente pode dar uma impressão exagerada sobre as capacidades da tecnologia.

Atualmente, o Brain IT depende de exames de ressonância magnética funcional, que exigem equipamentos grandes, caros e especializados. Durante os experimentos, os participantes observam imagens enquanto sua atividade cerebral é registrada.

Isso é muito diferente de descobrir pensamentos secretos, recuperar lembranças espontaneamente ou acompanhar tudo o que uma pessoa imagina sem sua participação.

O sistema foi desenvolvido para reconstruir experiências visuais observadas durante o exame. Ele não demonstrou capacidade de acessar livremente pensamentos privados ou interpretar qualquer atividade mental sem condições específicas de treinamento e análise.

Tecnologia pode ajudar pessoas com dificuldades de comunicação

Uma possível aplicação futura está no desenvolvimento de tecnologias assistivas para pessoas com deficiências motoras graves.

Outros sistemas de interface cérebro computador já demonstraram que é possível interpretar sinais neurais para ajudar pessoas com paralisia a se comunicar. O Brain IT segue uma direção complementar ao investigar como padrões cerebrais podem ser utilizados para reconstruir informações visuais.

Ainda serão necessários novos estudos para determinar se essa abordagem poderá ser incorporada a aplicações clínicas. Por enquanto, o principal objetivo é avançar na compreensão de como o cérebro representa imagens e como essas informações podem ser interpretadas por sistemas computacionais.

O avanço também levanta questões sobre privacidade

A possibilidade de interpretar sinais cerebrais com inteligência artificial também abre espaço para discussões sobre privacidade mental.

Pesquisadores alertam que tecnologias futuras capazes de extrair informações do cérebro poderão exigir regras específicas de consentimento e proteção de dados. No entanto, a possibilidade de aplicar métodos semelhantes a dispositivos vestíveis ainda é uma perspectiva, não uma capacidade demonstrada pelo Brain IT.

O sistema atual continua dependente de exames especializados e de condições controladas. Mesmo assim, o avanço mostra por que a proteção das informações neurais pode se tornar um tema importante à medida que as interfaces entre cérebro e computador evoluem.

Por enquanto, a principal contribuição do Brain IT é científica. Ao reconstruir imagens com maior fidelidade e menos dados de treinamento, o sistema oferece uma nova ferramenta para investigar como o cérebro processa aquilo que vemos.

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Jornalista há mais de 20 anos e fundador do NERDIZMO. Foi editor do GamesBrasil, TechGuru, BABOO e já forneceu conteúdo para os principais portais do Brasil, como o UOL, GLOBO, MSN, TERRA, iG e R7. Também foi repórter das revistas MOVIE, EGW e Nintendo World.

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