A Marvel Studios preparou uma grande hype para o seriado Invasão Secreta, que estreou hoje na Disney+ e teve seu primeiro capítulo exibido na plataforma de streaming. O retorno de Nick Fury, a promessa do clima visto em Capitão América 2: O Soldado Invernal e a adaptação de um arco extremamente importante das HQs foi o responsável por empolgar grande parte dos fãs de suas produções – considerando as críticas mais recentes a todos materiais que chegaram aos cinemas e nas telinhas também.

O plot é simples, há um plano Skrull de dominar o planeta Terra e os alienígenas começam a tomar o lugar de pessoas importantes em todos os setores – política, agências de espionagem, artistas e até mesmo de alguns super-heróis para alcançarem o seu objetivo. Conforme os demais personagens passam a descobrir a sua presença ao redor, o clima de desconfiança passa a tomar conta de todos e percebemos que ninguém ali é confiável o bastante. E agora?

O seriado retoma a trama de Capitã Marvel, mostrando que enquanto alguns dos extraterrestres realmente ficaram por aqui para ajudar – como é o caso de Talos, por exemplo – outros não seguem com o mesmo objetivo. Viram que a humanidade está falhando com seu próprio mundo e desejam aproveitar esta brecha para aplicarem a sua dominância. É aí que Nick Fury sai de sua base espacial da S.A.B.R.E. para investigar o assunto – descobrindo que as coisas não serão nada fáceis, mesmo com suas décadas de experiência.

A saga de Nick Fury não será fácil

Início amargo de Invasão Secreta

Sendo bem honesto com vocês, eu particularmente não gostei de Invasão Secreta – ao menos não neste primeiro momento. Fui levado a crer que seria um conteúdo mais sério e inteligente, movido pelo clima de espionagem e de toda a sagacidade que isso exige para seguir em frente. Porém, não foi o conteúdo que assisti e isso me deixou preocupado com os próximos episódios. Afinal de contas, se o “piloto” contém falhas que considero “rudes”, como confiar no que virá a seguir?

Samuel L. Jackson parece estar gravando ela por pura obrigação contratual, com uma atuação que me fez acreditar que havia uma boa razão para ele aparecer apenas em momentos pontuais em outras produções. A curto prazo, ele é o Nick Fury. Em maior exposição, ele parece extremamente desconfortável e sem um espírito imponente que o personagem tem de passar. Ben Meldelsohn, como Talos, já obteve um brilho maior e convenceu em seu papel como o “meio-termo”. Ele entende a sua espécie, mas não pode deixar que eles completem seus planos – até por ser grato à humanidade.

Talos começa a ganhar destaque

Outra coisa que me incomodou bastante foram os cortes. Diálogos foram claramente picotados, com diversas conversas que pareciam continuar e dar mais profundidade sendo puladas em prol de um episódio que equilibrasse ação e o mistério. Eu aprecio demais as conversas entre os personagens, mas os poucos momentos que isso pareceu que ia prosseguir a Marvel Studios fez questão de encerrar subitamente para vir algo os atropelando. Para mim, Martin Freeman e Colbie Smulders foram as maiores vítimas disso – seguindo para uma participação até “boba” neste primeiro momento.

Ainda assim, nem tudo em Invasão Secreta é descartável. Se o próprio Nick Fury e a Marvel Studios estão sendo os vilões de sua própria obra, coube ao Talos de Ben Meldelsohn e G’iah de Emilia Clarke serem os responsáveis pelas melhores cenas deste primeiro episódio. Eles me puxaram um interesse ainda maior nos Skrulls e em como essa relação entre eles pode ser um motor dentro da série. Outra adição que me intrigou foi Kingsley Ben-Adir como Gravik – aparentemente o grande vilão. Os poucos momentos de interação com ele já me convenceram da ameaça que ele representa.

Os dois aproveitaram o episódio para brilhar

Precisam melhorar

Não me entendam errado, caros leitores. Eu aprecio demais eles tentarem uma ambientação diferenciada e sair um pouco daquele ar de humor e piadas forçadas. Realmente não estava sendo legal ultimamente. Me diverti com Thor: Amor & Trovão e Homem-Formiga & Vespa: Quantumania, por exemplo, mas reconheço que há diálogos que nem deviam ter passado pela mesa de aprovação. Este clima de segredos e mais político é mais do que bem-vindo, porém ele precisa ser levado a sério e seguir o caminho mais apropriado – algo que não vi no Episódio 1.

Ele exige profundidade, seriedade do próprio elenco e não tentar fazer algo do gênero com o ar artificial da Marvel. Quase me fez pedir para que eles trouxessem os irmãos Russo novamente para tentarem ajustar melhor este quesito. As primeiras cenas parecem que vão engatar e isso é cortado subitamente. Nick Fury retorna e mal deixam ele falar. Depois vemos atitudes que não condizem com os personagens, começando com o próprio espião até alguns outros – que podiam ser Skrulls ou não…e ainda que fossem, podiam ter fingido melhor, diga-se de passagem.

Desperdiçaram um potencial

Aí chegamos ao plot twist do final, deixando um grandioso gancho para que Nick Fury leve mais a sério a situação e movimente Invasão Secreta. Não vou oferecer spoilers aqui para vocês, mas isso me fez ter até pena dos artistas envolvidos – quais mereciam muito mais do que a Marvel Studios e este episódio teve a oferecer. Sabe aquela sensação de potencial desperdiçado? É exatamente com isso que eu acabei ao terminar de assistir este capítulo, me lamentando por nunca terem atingido o máximo com o que tinham em mãos.

Com toda a sinceridade de meu coração, eu espero que os próximos conquistem uma redenção e tragam o que foi prometido. Continuarei assistindo e trazendo as críticas semanais para vocês, só espero que isso ocorra de uma forma suave e não este princípio duro e sem condições de defender – nem como fã ou como crítico das produções que vieram através do MCU. Na próxima semana saberemos se ela melhora ou se realmente era “fogo de palha”, sendo mais um produto da hype do público.

Invasão Secreta está sendo exibida pela Disney+ todas as quartas-feiras, a partir das 5h. Veja mais em Críticas de Séries!

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