A Louis Vuitton decidiu capturar o amanhecer no Japão de um jeito pouco convencional. Em vez de uma fotografia ou pintura, a cena do Monte Fuji ao nascer do sol virou o mostrador de um relógio de bolso altamente complexo, feito à mão e carregado de detalhes mecânicos e artísticos.
O Escale au Mont Fuji faz parte da coleção Escales Autour du Monde, linha em que a marca traduz destinos icônicos em peças de alta relojoaria. Desenvolvido na La Fabrique du Temps Louis Vuitton, em Genebra, o relógio combina técnicas tradicionais de esmaltação com um movimento mecânico de alto nível, pensado mais como uma narrativa visual do que apenas um instrumento para marcar horas.

O mostrador apresenta uma paisagem serena inspirada no Monte Fuji durante a primavera. Para criar o céu em tons suaves de rosa, azul e amarelo, artesãos utilizaram 33 cores diferentes de esmalte, aplicadas em camadas e submetidas a dezenas de queimas em forno. Galhos de cerejeira esculpidos à mão emolduram a cena, enquanto um pequeno barco de pesca desliza sobre águas calmas à frente da montanha.
A cena não é estática. Ao acionar o relógio, entra em ação um sistema de autômatos do tipo Jacquemart. Uma rosa dos ventos dourada gira na parte superior do mostrador, o barco se move lentamente e os baús em miniatura da Louis Vuitton se abrem para revelar flores do Monogram. Quem conduz a embarcação é Ebisu, figura da mitologia japonesa associada à pesca, sorte e prosperidade, cercado por delicadas flores de cerejeira em ouro.

O exterior acompanha o cuidado do interior. A caixa de 50 milímetros é feita em ouro branco e traz gravações laterais com o padrão Seigaiha, motivo japonês que simboliza ondas do mar. No aro, 60 safiras baguete coloridas formam um degradê que reflete as cores suaves do amanhecer retratado no mostrador, somando cerca de 3,74 quilates.
Dentro da caixa está o calibre LFT AU14.03, de corda manual, composto por 561 peças. O movimento combina turbilhão e repetidor de minutos, que soa horas, quartos e minutos. Esse mesmo mecanismo aciona os elementos animados do mostrador, criando uma experiência sincronizada de som e movimento. A reserva de marcha chega a oito dias, e a indicação de horas fica no verso do relógio para não interferir na paisagem frontal.
O relógio acompanha uma corrente de ouro branco e é apresentado em um baú feito sob medida no ateliê histórico de Asnières, ligado às origens da Louis Vuitton. Uma bolsa de transporte em couro completa o conjunto, com cores escolhidas para dialogar com a paleta suave do mostrador.
Mais do que um acessório funcional, o Escale au Mont Fuji reforça como o relógio de bolso virou um campo de experimentação artística. Aqui, medir o tempo é quase secundário. O destaque é a miniatura mecânica que transforma um dos cenários mais famosos do mundo em um espetáculo silencioso de esmalte, pedras preciosas e movimento.










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