Cinema

Metrópolis: como o filme de 1927 moldou a ficção científica e ainda fala com o mundo de hoje

Lançado em 1927, Metrópolis não é apenas um clássico do cinema mudo. É a base visual e temática de grande parte da ficção científica que veio depois. Dirigido por Fritz Lang, o filme alemão criou imagens, ideias e conflitos que seguem vivos quase cem anos depois, especialmente em um mundo cada vez mais guiado por tecnologia e desigualdade social.

A história se passa em uma cidade do futuro dividida de forma radical. No topo, a elite vive cercada de luxo e conforto. No subterrâneo, trabalhadores mantêm as máquinas funcionando em jornadas desumanas. Esse contraste é o coração do filme e também seu comentário social mais forte. Quando Freder, filho do líder da cidade, desce pela primeira vez ao mundo de baixo, ele descobre uma realidade brutal e conhece Maria, uma figura que tenta unir os trabalhadores por meio da empatia e da esperança.

O conflito cresce quando surge um robô criado para se passar por Maria. A máquina não serve ao progresso, mas ao controle. A ideia de um androide capaz de manipular massas foi revolucionária para a época e segue atual em debates sobre inteligência artificial, automação e uso da tecnologia como instrumento de poder.

Visualmente, Metrópolis também foi muito à frente de seu tempo. Fritz Lang se inspirou em Nova York para criar arranha-céus gigantes, passarelas aéreas e uma cidade vertical que virou referência. Os cenários misturam art déco, expressionismo alemão e sombras góticas. Os efeitos especiais, feitos com miniaturas, espelhos e jogos de luz, ajudaram a construir um futuro crível mesmo sem recursos digitais.

O impacto do filme pode ser visto em obras como Blade Runner, Star Wars e Matrix. As cidades opressoras, os robôs humanizados e a divisão entre quem controla e quem obedece seguem o mesmo DNA visual e narrativo criado por Lang. Até videoclipes e campanhas publicitárias já beberam dessa estética.

O que torna Metrópolis tão atual é o fato de que sua mensagem nunca envelheceu. O filme fala menos sobre prever o futuro e mais sobre entender o presente. Ele mostra como máquinas prometem eficiência, mas podem ampliar desigualdades quando estão nas mãos de poucos. Em plena era dos algoritmos, da vigilância digital e da inteligência artificial, esse alerta soa mais forte do que nunca.

Quase um século depois, Metrópolis continua sendo um espelho desconfortável da sociedade. Um lembrete de que tecnologia sem humanidade não aproxima pessoas. Apenas aumenta a distância entre elas.

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Jornalista há mais de 20 anos e fundador do NERDIZMO. Foi editor do GamesBrasil, TechGuru, BABOO e já forneceu conteúdo para os principais portais do Brasil, como o UOL, GLOBO, MSN, TERRA, iG e R7. Também foi repórter das revistas MOVIE, EGW e Nintendo World.

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