O realizador francês Quentin Dupieux voltou a surpreender o público e a crítica no Festival de Cannes. Conhecido pelos seus projetos absurdos e originais, o cineasta encerrou a Quinzena dos Realizadores com a sua primeira longa-metragem de animação, intitulada “La Vertige”. O grande diferencial da produção é a sua estética, que parece saída diretamente de uma consola PlayStation 1 em 1998.
Com apenas 67 minutos de duração, o filme arrrebatou a audiência através de uma proposta visual muito específica. A história acompanha Jacques, que vai a casa do seu amigo Bruno para partilhar uma novidade impactante. O protagonista está firmemente convencido de que a vida quotidiana acontece, na verdade, dentro de uma simulação de computador.
Toda a estética da obra apoia-se nessa premissa. As personagens no ecrã são formadas por figuras geométricas simples e planas, com bordas pouco definidas. Os movimentos são intencionalmente rígidos e mecânicos, lembrando os antigos jogos de mundo aberto da era dos anos 90 e início dos anos 2000, como GTA Vice City. Os rostos têm expressões mínimas, colados sobre cabeças com formatos básicos.
A produção foi desenvolvida no programa Blender por Dupieux e mais cinco recém-licenciados de uma escola de artes. Para capturar o desempenho dos atores, a equipa utilizou um iPhone e ferramentas de captura de movimento de baixo custo. As animações foram aplicadas diretamente nos modelos de baixa resolução, sem recorrer a estúdios de renderização caros.
As limitações gráficas foram uma escolha artística consciente e funcionam como o motor da comédia. Durante o filme, pequenos “bugs” digitais acontecem naturalmente, como um padeiro com um dedo extra na mão ou o esqueleto de uma personagem a ficar visível numa situação de stress. Cada falha técnica serve para confirmar ao espectador que aquele mundo virtual não está a funcionar bem.
“La Vertige” tem estreia marcada nos cinemas franceses para o dia 10 de junho, prometendo levar esta experiência nostálgica e inovadora a um público ainda maior.
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