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O Boom Cripto no Brasil: O que Está Impulsionando as Criptomoedas

Para todos os lados onde olhamos, há referências às criptomoedas e ao universo blockchain. Conteúdo sobre investimento, especulações a respeito de novas moedas que surgem a todo momento e debates sobre sua participação no mercado financeiro do futuro se espalham a uma velocidade impressionante.

No Brasil, vimos o crescimento dos valores negociados em criptomoedas dobrarem e o país atingir uma posição de destaque entre os países com maior negociação dos ativos digitais, especialmente em relação aos vizinhos. Por trás desse rompante, a mudança no perfil de investimento do brasileiro, preocupado com a volatilidade causada por conflitos geopolíticos, além da integração das corretoras com o Pix.

Ao mesmo tempo, esse aumento da participação das criptomoedas no mercado brasileiro foi acompanhado de cautela e restrições. Vimos a restrição do seu uso no mercado de apostas, gerando mudanças em como sites como o Casino.com Brasil filtram e recomendam plataformas para apostas e cassino online. Ao mesmo tempo, novas regulamentações têm sido aprovadas ano a ano, como a última em fevereiro de 2026.

O crescimento das criptomoedas no país

De 2024 para 2025, vimos um aumento médio de 110% no crescimento das negociações de criptomoedas, atingindo aproximadamente $318.8 bilhões em valor conforme o relatório da Chainalysis. No ano passado, o país se tornou o 5º em adoção das criptomoedas, em um ranking global. Apenas para fim de comparação, o segundo mercado da América Latina após o Brasil foi a Argentina, muito por conta da insegurança monetária local, e com menos de um terço do total de negociações. 

Porém, no caso do Brasil, diferentemente dos seus vizinhos, a adoção das moedas possivelmente não está ligada predominantemente ao risco da moeda ou por falta de acesso bancário. Pelo contrário, com a adoção do Pix em 2020, o brasileiro nunca teve tanta facilidade em realizar transferências.

Isso teve um grande impacto na adoção das criptomoedas, porque as exchanges (corretoras) de criptomoedas não ficaram de fora. Todas as que operam no Brasil se adaptaram ao sistema Pix, permitindo depósitos e retiradas imediatas a qualquer momento de qualquer dia – características intrínsecas ao Pix.

Com isso, em qualquer conta verificada de corretora é possível transferir valores e adquirir ou negociar criptomoedas em poucos segundos. Este acesso facilitado, inclusive com valores baixos, provavelmente teve um impacto considerável no volume de negociações.

Por outro lado, embora o risco monetário no Brasil nem se compare com outros países latino-americanos como Argentina, Venezuela e Colômbia, as transformações geopolíticas assustam e incentivam a busca por moedas descentralizadas. As pessoas tendem a se sentir mais seguras não tendo o dinheiro em bancos ou atrelado às moedas comuns.

Inclusive, também em sentido oposto a outros países latino-americanos, ainda segundo o relatório da Chainalysis, o brasileiro procura mais Bitcoin e altcoins em vez das stablecoins (lastreadas em moedas reais).

Regularização do mercado de criptomoedas no Brasil

Assim como aconteceu com o mercado de apostas, o crescimento das criptomoedas não passou despercebido pelas entidades reguladoras. A Lei 14.478/2022 estruturou regras para o setor, assim como regulamentações posteriores, inclusive as últimas Resoluções BCB: 519, 520 e 521, implementadas em fevereiro deste ano.

O resultado direto não parece ter impactado a negociação e a importância das criptomoedas no Brasil. Entre as principais implementações, estão:

  • Exchanges seguem regras locais, precisam ter sede no Brasil e serem autorizadas
  • Monitoramento dos usuários e das transações financeiras
  • Declaração de operações acima de R$ 30 mil por mês e tributação sobre ganhos de capital

A exceção fica por conta da proibição do seu uso em plataformas de apostas. Ou seja, na contramão dos “cassinos cripto” que iam surgindo desde 2018 no ambiente virtual, esse ativo foi totalmente eliminado dos depósitos. A ideia é priorizar o jogo responsável e restringir os métodos de pagamento a formas menos voláteis.

O futuro das criptomoedas

O cenário mais provável para as criptomoedas no Brasil é uma maior integração com as principais instituições financeiras e o sistema nacional. Não se vê uma diminuição do volume de negociações ou de investidores, e as regulamentações apenas buscam aumentar a segurança dessa ferramenta financeira.

Por outro lado, a ideia inicial de que as criptomoedas além de descentralizadas seriam totalmente anônimas e irrastreáveis já não é mais compatível com a realidade. Todas as transações em plataformas autorizadas são monitoradas, e as que não possuem licença simplesmente não são seguras.

Aos poucos, as criptomoedas assumem um papel diferente e se misturam ao cotidiano do brasileiro, com um futuro mais regulamentado e restrito.

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