Todo ano em que Yorgos Lanthimos lança um filme novo já começa com vantagem quando o assunto é ficção científica e fantasia. O diretor de Poor Things e O Lagosta tem um talento raro para transformar ideias absurdas em experiências profundamente humanas e desconfortáveis. Em 2025, isso ficou mais claro do que nunca com Bugonia, o longa que acabou se tornando o favorito absoluto do Polygon entre produções do gênero, ainda que a disputa tenha sido acirrada.
E motivos para isso não faltaram. Enquanto a Marvel passou por um de seus momentos mais confusos, o recém-reestruturado Universo DC encontrou fôlego com um Superman mais esperançoso e sincero. James Cameron voltou a Pandora com o capítulo mais intenso da franquia Avatar, e Dan Trachtenberg mostrou que Prey não foi sorte ao comandar dois novos filmes do Predador no mesmo ano. Para completar, K-Pop Demon Hunters virou um fenômeno tão grande que fez a Netflix repensar sua estratégia com lançamentos nos cinemas.
Foi um ano especialmente fértil para histórias ambientadas em mundos estranhos, futuristas ou completamente fora da curva, mas sempre com um espelho bem apontado para a nossa própria realidade. A seguir, você confere como ficaram os dez melhores filmes de ficção científica e fantasia de 2025 segundo o Polygon, em uma lista que não economiza em criatividade, emoção e ousadia. E sim, já avisamos: o primeiro lugar é Bugonia.

Abrindo o ranking está Arco, a estreia em longas-metragens do ilustrador Ugo Bienvenu, que aposta em uma animação 2D visualmente deslumbrante para contar uma história de viagem no tempo com coração de ficção científica clássica. A trama acompanha Arco, um garoto de dez anos que vive em um futuro utópico no ano de 2932 e acaba viajando acidentalmente para 2075, um período marcado por avanços tecnológicos e um planeta à beira do colapso climático. Lá, ele conhece Iris, uma garota solitária que sonha em escapar de um mundo dominado por hologramas, robôs cuidadores e pais sempre ausentes. A narrativa é simples e até familiar, lembrando uma mistura de E.T. com o espírito de Miyazaki, mas ganha força graças à sensibilidade com que trata a solidão infantil, o medo do futuro e a relação entre humanos e tecnologia.

Na nona posição aparece Predador: Badlands, mais uma prova de que Dan Trachtenberg encontrou o tom certo para revitalizar a franquia. Aqui, o Predador deixa de ser apenas uma ameaça e assume o papel de protagonista, com o público torcendo por Dek, um guerreiro alienígena em busca de provar seu valor em um planeta mortal. Cercado por criaturas hostis, paisagens brutais e personagens improváveis, como uma sintética da Weyland-Yutani interpretada por Elle Fanning, o filme transforma cada confronto em um espetáculo visual e consegue algo raro: dar profundidade emocional a um monstro clássico do cinema.

Em oitavo lugar está Quarteto Fantástico: Primeiros Passos, uma das grandes surpresas positivas da Marvel em anos recentes. Ambientado em um mundo retrofuturista inspirado nos anos 1960, o filme aposta menos em conexões forçadas com o multiverso e mais em contar uma boa história sobre família, responsabilidade e heroísmo. Pedro Pascal, Vanessa Kirby, Ebon Moss-Bachrach e Joseph Quinn formam um elenco carismático que sustenta a ameaça de Galactus e da Surfista Prateada sem perder o foco no drama humano. A simplicidade da trama acaba sendo justamente seu maior trunfo.

Logo acima está Frankenstein, de Guillermo del Toro, uma adaptação que respeita o espírito do romance de Mary Shelley, mas adiciona camadas emocionais típicas do diretor. O filme explora o trauma intergeracional e a forma como a violência se perpetua, mostrando Victor Frankenstein como uma figura cada vez mais monstruosa, enquanto a Criatura emerge como o personagem mais humano da história. Difícil de encaixar em um único gênero, o longa transita entre terror, fantasia e ficção científica com uma estética impecável e um peso emocional constante.

Na sexta colocação aparece Predador: Assassino de Assassinos, o projeto animado de Trachtenberg lançado diretamente no streaming. Dividido em histórias ambientadas em épocas diferentes, o filme acompanha guerreiros vikings, ninjas e pilotos da Segunda Guerra Mundial enfrentando o mesmo inimigo mortal. A animação permite uma liberdade criativa que o live-action dificilmente alcançaria, com um visual estilizado e violento que leva o conceito do Predador a territórios inéditos.

Em quinto lugar, Thunderbolts mostra que ainda há espaço para boas histórias dentro do MCU quando o foco está nos personagens. Reunindo figuras moralmente ambíguas como Yelena Belova, Bucky Barnes e o Guardião Vermelho, o filme aposta em conflitos internos, ação mais prática e menos efeitos genéricos. Florence Pugh entrega um dos arcos mais interessantes do universo Marvel recente, enquanto David Harbour rouba a cena com seu carisma.

A quarta posição é ocupada por K-Pop Demon Hunters, a animação que virou um fenômeno cultural. Misturando música pop, ação sobrenatural e uma história sobre amizade e pertencimento, o filme acompanha uma girl group que enfrenta demônios à noite e domina os palcos durante o dia. O sucesso foi tão grande que rendeu indicações ao Grammy, recordes na Billboard e uma base de fãs apaixonada. Mais do que o espetáculo visual, o longa conquistou por sua mensagem sobre identidade e comunidade em um mundo cada vez mais fragmentado.

No terceiro lugar está Avatar: Fogo e Cinzas, o capítulo mais explosivo da saga criada por James Cameron. A trama retoma a perseguição de Quaritch a Jake Sully, mas adiciona novos conflitos ao introduzir uma tribo Na’vi rebelde disposta a destruir Pandora. O filme amplia o comentário sobre imperialismo, laços familiares e o futuro da humanidade, entregando algumas das cenas mais impressionantes da franquia até agora.

Quase no topo, Superman marca a reinvenção definitiva do herói no cinema. Sob o comando de James Gunn, o personagem recupera seu idealismo em um mundo cínico, enfrentando um Lex Luthor interpretado de forma magnética por Nicholas Hoult. O filme abraça a dualidade de Clark Kent e reforça a ideia do Superman como símbolo de esperança, empatia e imigração, oferecendo uma resposta emocionalmente poderosa ao momento atual de Hollywood.

No primeiro lugar, como já era esperado, está Bugonia. A nova colaboração entre Yorgos Lanthimos e Emma Stone adapta o insano filme coreano Save the Green Planet! em um thriller satírico afiado e desconfortável. Stone interpreta uma CEO sequestrada por um apicultor radical que acredita que ela seja uma alienígena, em uma história que mistura humor ácido, tensão psicológica e crítica social. O filme cresce de forma impressionante em seus minutos finais, expandindo sua mensagem sobre capitalismo, paranoia e moralidade, e reafirma o poder da ficção científica quando usada para provocar, questionar e incomodar.

Como menção honrosa, vale destacar A Torre de Gelo, de Lucile Hadžihalilović. Embora o elemento fantástico possa existir apenas na mente da protagonista, o filme se apoia fortemente na estética de conto de fadas para contar uma história sombria sobre manipulação, desejo e amadurecimento. Com Marion Cotillard em uma atuação ameaçadora e hipnótica, o longa permanece na fronteira entre fantasia e terror, encerrando essa lista com um clima inquietante e poético.
2025 provou que a ficção científica e a fantasia continuam sendo alguns dos gêneros mais potentes do cinema, capazes de entreter, emocionar e refletir sobre o mundo real ao mesmo tempo. Para quem gosta de viajar para outros mundos e voltar com perguntas incômodas na bagagem, foi um ano simplesmente imperdível.
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