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Pluribus: Rhea Seehorn diz que nova série de Vince Gilligan é sobre a natureza humana, não sobre IA

A nova série Pluribus, projeto da Apple comandado por Vince Gilligan, criador de Breaking Bad e Better Call Saul, chegou ao SXSW 2026 cercada de especulações. Desde o anúncio da produção, muita gente tem levantado hipóteses sobre o enredo, imaginando uma trama ligada à inteligência artificial, consciência coletiva ou até conceitos próximos da computação quântica. Durante um painel do evento realizado em Austin, no Texas, porém, a atriz Rhea Seehorn, protagonista da série, apontou para uma leitura bem mais humana e menos tecnológica da obra.

Segundo a atriz, por trás de toda a atmosfera de ficção científica, Pluribus está interessada em algo muito mais essencial. Para ela, a série fala, acima de tudo, sobre a natureza humana e sobre o que realmente significa ser humano. A proposta, portanto, não seria usar a tecnologia como tema central, mas como um cenário a partir do qual surgem questões mais íntimas e universais, como identidade, amor, luto, vínculos afetivos, felicidade e a forma como cada pessoa entende o próprio sucesso.

Essa visão dialoga com o clima mais amplo do SXSW 2026, onde muitos debates voltaram à mesma inquietação: o que permanece verdadeiramente humano em uma era dominada por algoritmos, automação e inteligência artificial. Em diferentes painéis, especialistas e criadores reforçaram que, mesmo com o avanço das ferramentas generativas, as histórias mais marcantes continuam nascendo justamente daquilo que há de imperfeito nas pessoas. Emoções contraditórias, falhas, ambiguidades e conflitos internos ainda são o combustível mais forte para uma narrativa capaz de tocar o público.

A defesa desse olhar também apareceu nas conversas sobre storytelling e produção cultural. Mesmo com sistemas de IA já capazes de gerar textos, imagens e até trilhas sonoras, muitos profissionais presentes no festival insistiram que a intuição humana segue no centro do processo criativo. A tecnologia pode até ampliar possibilidades, mas não substitui a sensibilidade de quem vive, sente, interpreta o mundo e transforma isso em arte.

Vince Gilligan também aproveitou o painel para falar sobre sua forma de construir histórias, revelando um princípio que considera fundamental no trabalho de roteiro. Para ele, uma narrativa perde força quando os personagens são empurrados artificialmente para cumprir um plano prévio do autor. Em vez disso, o caminho da trama precisa surgir das escolhas e reações desses personagens. Em outras palavras, a história deve acompanhar quem eles são, e não o contrário.

Gilligan ainda comentou como essa lógica funciona na prática dentro da sala de roteiristas. Segundo ele, o ambiente ideal é aquele em que a melhor ideia prevalece, independentemente de quem a apresentou. Quando o processo funciona de verdade, o foco deixa de ser autoria individual e passa a ser apenas a construção da melhor história possível.

Curiosamente, nem mesmo os envolvidos parecem interessados em oferecer uma definição fechada sobre o que Pluribus é exatamente. Rhea Seehorn resume a série como uma obra sobre a condição humana, mas a própria equipe evita respostas muito rígidas. A produção parece preferir deixar espaço para interpretação, permitindo que o público encontre seus próprios sentidos. Gilligan, inclusive, disse que aprende mais ouvindo o que outras pessoas enxergam na série do que tentando explicar tudo de forma definitiva.

No fim das contas, Pluribus pode até vestir a roupa da ficção científica, mas o que realmente parece mover a série é um conjunto de perguntas antigas e profundamente humanas. Em vez de usar IA ou tecnologia como destino final da discussão, a produção transforma esses elementos em pano de fundo para refletir sobre sentimentos, conexões e sobre aquilo que continua nos definindo mesmo em um futuro cada vez mais automatizado.

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Hortência é profissional de Letras, educadora, tatuadora e mãe. Apaixonada por arte e cultura, une seus múltiplos interesses que vão da cultura pop à gastronomia para produzir conteúdos variados e criativos.

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