Pluribus já vinha brincando com pequenas surpresas ao longo da temporada, mas o sexto episódio levou tudo a outro patamar ao colocar John Cena no centro de uma das revelações mais perturbadoras da série.
Atenção, o artigo contém spoilers a seguir.
A participação do astro da WWE e de Peacemaker chega de forma completamente inesperada, ajudando a esclarecer um dos mistérios mais macabros da trama, e Vince Gilligan fez questão de comentar porque esse momento funciona tão bem.
Depois do final inquietante de “Got Milk”, Carol segue uma trilha de caixinhas de leite até um antigo laticínio que agora serve como depósito de alimentos. É ali que ela encontra a prova do que ninguém queria admitir: o coletivo está se alimentando de restos humanos embalados a vácuo.
O episódio seguinte, “HDP”, a leva até Las Vegas para confrontar Mr. Diabaté, interpretado por Samba Schutte, que está ocupado demais encarnando um vilão de James Bond para demonstrar qualquer preocupação. Ele já sabe exatamente o que está acontecendo e resolve explicar tudo com a ajuda de um vídeo especial. É quando Cena aparece.
Gilligan contou ao Deadline que a escolha veio de um estalo quase instantâneo. Para ele, ninguém tornaria mais “aceitável” a ideia de humanos consumindo carne humana do que John Cena, justamente por sua presença simpática e confiável.
A gravação ocorreu durante uma passagem rápida do ator por Tampa, encaixada em um fim de semana lotado de compromissos. Ainda assim, Cena topou e entregou exatamente o que a equipe imaginava.
No vídeo, estruturado como um infomercial de três minutos, Cena explica com uma sinceridade quase desconcertante o conceito de HDP, a proteína derivada de humanos que sustenta o coletivo.
Gilligan destaca que isso só funciona porque Cena encara tudo com naturalidade. O coletivo, como ele diz, não pode prejudicar seres vivos, nem colhendo frutas, nem plantando trigo, e isso cria um déficit calórico gigantesco.
Para sobreviver, eles recorrem a uma mistura de alimentos armazenados e uma pequena porcentagem de proteína gerada a partir das mortes naturais e acidentais que ocorrem todos os dias.
Cena afirma que honram essas pessoas e que também não gostam da ideia, e garante a Carol que ela nunca precisará consumir HDP. O vídeo termina quase alegremente com a justificativa de que o grupo preferia dar a notícia pessoalmente, mas precisava de “um pouco de espaço”.
Gilligan ainda se diverte ao lembrar da decisão: segundo ele, o cameo funciona porque Cena é instantaneamente cativante, alguém que o público considera confiável e até gostaria de encontrar em um bar.
Isso torna ainda mais absurdo, e ao mesmo tempo genial, vê-lo explicar por que a humanidade agora vive de proteína humana. Para o criador, Cena conseguiu fazer a mensagem soar razoável, e esse era justamente o objetivo.
A leveza desaparece quando o vídeo acaba e Diabaté finalmente joga a verdade completa na mesa: a humanidade tem menos de dez anos antes de entrar em colapso total por fome. Pior ainda, os poucos sobreviventes estão se reunindo sem a presença de Carol, que consideram imprevisível demais.
O isolamento emocional atinge seu ponto máximo quando ela descobre que o coletivo encontrou uma forma de transformá-los, mas depende de seu consentimento para um procedimento envolvendo células-tronco.
Destruída pelo peso da situação, ela recusa e solta um “f*dam-se” antes de romper qualquer tentativa de conciliação.
O episódio termina com Manousos, vivido por Carlos-Manuel Vesga, caindo na estrada após ouvir as fitas deixadas por Carol, preparando o terreno para o próximo movimento da temporada.
Pluribus segue lançando capítulos semanais até o final marcado para 26 de dezembro, e depois do cameo de Cena, fica claro que ninguém está a salvo de ser surpreendido novamente.
Veja mais sobre séries e TV!
Estava sentindo muita falta das clássicas críticas das séries que estão rolando episódio por episódio.