Você já parou para pensar no que realmente existe dentro de uma Pokébola? Foi essa curiosidade que levou Carlos, do canal Carlos 3D Worlds, a criar uma Pokébola em escala absurda, com cerca de dois metros de altura, grande o suficiente para uma pessoa entrar, se acomodar e literalmente se desligar do mundo exterior. O projeto não só virou realidade como também acabou se transformando em um verdadeiro refúgio geek.
A ideia começou de forma bem prática. Carlos abriu o SolidWorks e ampliou o modelo clássico da Pokébola até um tamanho compatível com um ser humano. Para tirar a dúvida de vez, ele marcou um círculo no chão com um compasso improvisado de madeira e rapidamente percebeu que ninguém conseguiria ficar em pé lá dentro.

A solução foi pensar o interior como um espaço para sentar confortavelmente, sem a pretensão de permitir alguém ficar ereto.
A primeira tentativa de construção envolveu uma estrutura de compensado moldada em curvas, presa a um anel central e montada com cola e parafusos de aço inox.
O problema surgiu quando a madeira começou a empenar durante a colagem, obrigando Carlos a criar um gabarito específico para manter tudo alinhado.

Embora essa solução tenha trazido mais rigidez à estrutura, surgiram novos obstáculos quando ele tentou fechar a esfera com MDF, que quebrava ao ser curvado, além de um preenchimento interno que nunca ficava uniforme.
Foi aí que veio a virada de chave: abandonar a madeira e partir de vez para a impressão 3D.
A esfera foi dividida em quase 400 blocos impressos individualmente. No total, a Pokébola é formada por oito camadas, com 26 seções compostas por oito blocos cada.

No começo, Carlos imprimiu tudo com camadas de 3 milímetros, mas depois trocou para um bico de 8 milímetros para acelerar bastante o processo. O material escolhido foi filamento da Prusa.
Com a ajuda do amigo Thomas, as peças foram montadas nível por nível dentro de um gabarito que forçava a estrutura a manter uma forma perfeitamente esférica. As junções foram grampeadas, seladas com resina e depois envoltas em fibra de vidro para ganhar resistência.
Em seguida, veio a fase menos glamourosa e mais demorada, com massa para nivelar imperfeições e muitas horas de lixamento até eliminar marcas da impressão e irregularidades.
A porta também exigiu criatividade. A ideia inicial de usar dobradiças comuns foi descartada ao perceber que a abertura deixaria uma queda de quase um metro ao entrar.
A solução final foi uma porta totalmente impressa em 3D, posicionada mais próxima do chão, que abre de forma suave e ainda conta com cabos internos conectados por soquetes para facilitar a montagem e desmontagem.

O acabamento visual foi outro desafio à parte. Ajustar os tons de vermelho, branco e preto até chegar a algo fiel à Pokébola original levou tempo, mas o resultado compensou.
Rodas escondidas sob um tapete verde permitem que a estrutura se mova com facilidade, o que dá um toque extra de diversão ao projeto.
Por dentro, o espaço virou um santuário gamer nostálgico. Há um Nintendo 64 ligado a uma TV de tubo, uma mesa de compensado que também funciona como assento, tapete temático, cartas de Pokémon emolduradas, plantas artificiais, iluminação ambiente e até uma impressora 3D customizada em formato de Bulbassauro, lembrando como tudo aquilo foi criado.
Embora a impressão e a montagem tenham levado cerca de duas semanas, o projeto inteiro se estendeu por meses, principalmente por causa do acabamento manual.
Ainda assim, o custo foi surpreendentemente baixo, restrito a madeira, filamento, cola e ferramentas básicas. No fim das contas, Carlos provou que, com criatividade e paciência, até o interior de uma Pokébola pode ganhar forma no mundo real.
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