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Pragmata é aposta diferente da Capcom que conquista corações

Pragmata não nasceu para ser óbvio. Desde o primeiro trailer, exibido em 2020, o jogo chamou atenção mais pela estranheza do que por explicações claras. Um astronauta. Uma menina androide. A Lua. Silêncio. Mistério. Depois disso, vieram os adiamentos. Muitos adiamentos. Por anos, Pragmata foi visto como um projeto em risco.

Seis anos depois do anúncio inicial, o jogo finalmente chegou ao mercado em abril de 2026. E chegou com impacto. Em apenas dois dias, ultrapassou um milhão de cópias vendidas mundialmente, segundo dados oficiais da própria Capcom, algo raro para uma propriedade intelectual totalmente nova em um mercado dominado por franquias conhecidas.

E ainda bem que a Capcom resolveu investir no projeto. Porque trata-se de um game lindo, tanto no aspecto visual quanto na história ou em relação aos personagens.

Um sci‑fi clássico com identidade própria

A premissa de Pragmata é simples de explicar. Um astronauta, Hugh, fica preso em uma estação de pesquisa lunar chamada The Cradle. O local foi tomado por uma inteligência artificial hostil. Robôs patrulham corredores vazios. A humanidade parece ter falhado por ali.

Estamos em um mundo onde tudo é impresso em 3D. Carros, construções, estruturas. Absolutamente tudo. Graças a um filamento especial conseguido na Lua. No entanto, claramente algo deu errado.

O diferencial surge com Diana. Ela é uma androide com aparência infantil. Não é humana. Mas também não é um robô tradicional. Diana acompanha Hugh o tempo todo, inclusive fisicamente, ficando presa às costas dele durante boa parte da jornada.

A dinâmica entre os personagens é maravilhosa, e Diana logo se transforma em uma “filha” para Hugh, sem ele ao menos perceber. Isso acontece de forma um tanto natural, mesmo ela sendo um robô.

Diferente de um NPC, Diana é tão protagonista quanto Hugh. Ou seja, você joga com os dois ao mesmo tempo. Cada um tem seu papel e ambos são cruciais para a história.

O grande destaque: combate que exige cérebro

O combate é o eixo central de Pragmata. E também seu maior risco.

Atirar não resolve quase nada. Os inimigos possuem blindagens pesadas. Para causar dano real, é preciso hackear os sistemas deles usando Diana. Esse hacking acontece em tempo real, enquanto o jogador continua se movendo, desviando de ataques e mirando com Hugh.

O sistema funciona como um pequeno quebra‑cabeça em grade. O jogador traça um caminho até o ponto correto usando os botões do controle para caminhar até a conclusão do hack. Quanto melhor o trajeto, mais vantagens são ativadas. Mais dano. Mais tempo de vulnerabilidade. Ou efeitos especiais.

A mecânica é uma das ideias mais criativas vistas em shooters em terceira pessoa nos últimos anos. E esses hacks permitem diferentes buffs quando for eliminar os inimigos. Alguns, por exemplo, incluem o Hack em mais de um inimigo ao mesmo tempo, outro reduz a armadura deles, e assim por diante.

Para os menos habilidosos, há uma curva de aprendizado clara. Nem todo jogador se sente confortável controlando tantas coisas ao mesmo tempo. Mas a gente garante que é divertido e muito interessante.

Um game direto, linear, quase nostálgico. O que é bom!

Pragmata não é mundo aberto. E isso foi uma decisão consciente.

Os níveis são lineares. Há exploração, mas dentro de limites claros. Objetivos são bem definidos. O ritmo lembra jogos da era PlayStation 3 e Xbox. Na nossa opinião, é um design totalmente acertado e um ponto positivo para esse tipo de jogo. E para muitos jogadores, isso é um alívio. Não há excesso de atividades secundárias ou sistemas inflados.

Visual e desempenho: padrão elevado da Capcom

Tecnicamente, Pragmata é sólido. O RE Engine entrega iluminação consistente, texturas detalhadas e boa estabilidade de desempenho.

Durante nosso gameplay praticamente não encontramos bugs, algo cada vez mais raro em jogos AAA. O desempenho também é estável e o jogo flui extremamente bem.

Visualmente, o jogo é frio. Metálico. Deliberadamente solitário. O que contribui para a excelente ambientação.

Narrativa funcional, mas segura demais

Se existe um ponto em que Pragmata perde força, é na história.
Não porque seja mal escrita. Mas porque evita riscos. A relação entre Hugh e Diana funciona bem nos diálogos menores. Diana é curiosa, carismática e inocente. Hugh é mais pragmático, cansado e desconfiado. Essa oposição sustenta boa parte da campanha.

O problema surge na trama maior. A inteligência artificial antagonista carece de personalidade. O mistério inicial é interessante, mas as revelações são previsíveis.

Apesar de criar bastante expectativa no quesito da história, isso não é entregue com maestria. Mas não é uma história ruim. Só não é memorável.

Conclusão

Pragmata não tenta ser tudo para todos. E isso é exatamente o que o torna interessante. É um jogo que aposta em uma ideia central forte. Entrega essa ideia com competência. Apesar de nunca tropeçar em alguns aspectos narrativos, nunca soa genérico.

Os personagens são excelentes, o visual é bonito, a jogabilidade muito bem estruturada e inovadora. A ambientação é ótima. Estamos falando de um jogo que traz a excelência da Capcom em seu ápice. É uma prova de que ainda existe espaço para novos IPs ambiciosos no mercado AAA.

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Nota final: 5/5

Avaliação: 5 de 5.

Acesse o site oficial do jogo.

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Jornalista há mais de 20 anos e fundador do NERDIZMO. Foi editor do GamesBrasil, TechGuru, BABOO e já forneceu conteúdo para os principais portais do Brasil, como o UOL, GLOBO, MSN, TERRA, iG e R7. Também foi repórter das revistas MOVIE, EGW e Nintendo World.

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