Cinema Séries e TV

Produtor de Devil May Cry critica boom de adaptações de games e dispara: “muita coisa não vai funcionar”

O sucesso recente de séries e filmes baseados em jogos reacendeu o interesse de Hollywood por esse tipo de adaptação. Mas nem todo mundo acredita que essa tendência vai durar. O produtor e criador de Devil May Cry, Adi Shankar, fez um alerta direto. Segundo ele, a maioria desses projetos não deve dar certo.

A declaração reacende um debate antigo sobre a dificuldade de transformar games em produções para cinema e streaming.

Indústria vive uma “corrida do ouro”

Nos últimos anos, estúdios passaram a investir pesado em adaptações de jogos famosos. Títulos como Call of Duty, Metal Gear Solid, It Takes Two e Battlefield já estão na fila para ganhar versões em filmes ou séries.

Analistas apontam que o volume de anúncios cresceu rapidamente desde 2023, com dezenas de novos projetos sendo divulgados a cada semestre.

Esse cenário levou muitos a compararem o momento atual a uma espécie de corrida do ouro do entretenimento.

“Nem tudo vai sair do papel”

Apesar da empolgação, Shankar acredita que grande parte desses projetos nem deve chegar à produção. Ele afirma que existe muita gente envolvida nesses processos, o que dificulta tirar as ideias do papel.

Para o criador, anunciar uma adaptação é fácil. O desafio real começa depois, quando entra a complexidade do desenvolvimento.

Excesso pode cansar o público

Outro ponto levantado é o volume exagerado de conteúdos. Segundo o showrunner, não é realista imaginar dezenas de adaptações sendo lançadas por ano.

Ele também alerta que, se isso acontecer, o público pode perder o interesse rapidamente e passar a preferir histórias originais.

Crítica direta à indústria

Mesmo entre os projetos que conseguem sair do papel, Shankar vê problemas. Para ele, muitos acabam sendo fracos ou desconectados da essência dos jogos.

A principal crítica é que, em muitos casos, as adaptações não ficam nas mãos dos criadores originais, mas sim de grandes empresas.

“Quando vira marca, perde a essência”

Shankar afirma que, ao se tornarem grandes franquias, os jogos passam a ser tratados como marcas corporativas. A gestão dessas propriedades costuma ficar com executivos e gerentes de produto, não com os desenvolvedores que criaram as histórias.

Na visão dele, isso pode fazer com que as adaptações percam identidade e acabem parecendo apenas produtos comerciais.

Histórico de altos e baixos

O cenário reforça algo já conhecido entre fãs. Adaptações de games têm um histórico irregular. Alguns sucessos recentes ajudaram a melhorar a reputação do gênero, mas muitos projetos ainda enfrentam críticas por não capturar o que tornou os jogos populares.

Shankar segue na contramão do entusiasmo geral e defende uma abordagem mais cuidadosa.

Um alerta em meio ao hype

As declarações do showrunner de Devil May Cry mostram que o boom das adaptações pode não ser tão sólido quanto parece. Para ele, quantidade não garante qualidade e o excesso pode até prejudicar o mercado.

No fim, a mensagem é direta. Nem todo jogo precisa virar série. E nem toda adaptação vai conquistar o público.

Veja mais sobre séries e TV!

Jornalista há mais de 20 anos e fundador do NERDIZMO. Foi editor do GamesBrasil, TechGuru, BABOO e já forneceu conteúdo para os principais portais do Brasil, como o UOL, GLOBO, MSN, TERRA, iG e R7. Também foi repórter das revistas MOVIE, EGW e Nintendo World.

Pin