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Fading Echo: ação criativa e puzzles inteligentes em um RPG focado na manipulação de elementos

Fading Echo é o tipo de estreia que chama atenção não pelo tamanho da produção, mas pela clareza de identidade. Desenvolvido pela Emeteria e publicado pela New Tales em parceria com a Com2uS, o jogo chega como um RPG de ação em terceira pessoa que aposta em uma ideia central muito bem definida ao transformar a água em mecânica principal de combate, exploração e resolução de puzzles.

No controle de One, uma jovem Lenda em um mundo que literalmente está se desfazendo, o título constrói uma experiência que mistura criatividade, fluidez e uma boa dose de experimentação, ainda que nem todos os seus sistemas alcancem o mesmo nível de refinamento.

Um mundo em colapso e uma heroína improvável

A narrativa acompanha One em sua jornada por Corel, um mundo fragmentado pela chamada Corrupção do Paradoxo, uma força que distorce a realidade e transforma tudo ao redor em versões instáveis de si mesmo. A premissa flerta com conceitos mais densos de ficção científica e filosofia, especialmente quando apresenta realidades alternativas, falhas na estrutura do mundo e entidades que parecem operar como inteligências superiores.

Há ecos claros de obras como Matrix e outras histórias que exploram simulação e percepção da realidade, mas Fading Echo opta por não mergulhar completamente nesse peso conceitual. Em vez disso, equilibra esses elementos com um tom leve e personagens carismáticos, incluindo aliados improváveis que acompanham One ao longo da jornada. O problema é que, conforme a história avança, o excesso de ideias e personagens começa a comprometer a clareza narrativa, tornando o enredo mais confuso do que envolvente em determinados momentos.

Dentro do gênero de ação e aventura em terceira pessoa, Fading Echo tenta fugir do óbvio ao reposicionar o foco da experiência. Apesar de vender a ideia de um combate frenético baseado em elementos, o jogo encontra sua verdadeira força na exploração e na resolução de puzzles.

O sistema de realidades fragmentadas é um dos seus maiores acertos, permitindo que o jogador atravesse diferentes versões do mesmo espaço, cada uma com regras próprias, inimigos distintos e soluções alternativas. Essa estrutura faz com que o jogo funcione quase como um grande quebra-cabeça tridimensional, onde observar o ambiente e entender suas variações é essencial para progredir.

Água, elementos e possibilidades criativas

As mecânicas giram em torno da habilidade de One de se transformar em uma esfera de água, o que abre um leque criativo impressionante. Essa forma permite deslizar por superfícies, atravessar espaços estreitos e atacar inimigos com impacto físico. A partir daí, o jogo expande suas possibilidades ao introduzir interações com outros elementos, como lava, substâncias tóxicas e a própria corrupção do Paradoxo.

Essas combinações geram reações em cadeia que podem ser usadas tanto em combate quanto na resolução de enigmas. Em momentos mais inspirados, Fading Echo lembra experiências como Portal, onde a solução de um problema acontece primeiro na cabeça do jogador antes de ser executada na prática.

Curiosamente, o combate não é o protagonista que o marketing sugere. Ele funciona, é divertido quando explorado com criatividade, mas raramente é obrigatório ou profundo o suficiente para sustentar a experiência por conta própria. Muitos confrontos podem ser evitados, e mesmo quando enfrentados, existem soluções simples como empurrar inimigos para abismos ou usar o ambiente a seu favor. Essa abordagem reforça a liberdade do jogador, mas também evidencia que o sistema de combate recebeu menos atenção do que os puzzles e a exploração. Ainda assim, para quem busca ação mais direta, há progressão de habilidades e formas de estilizar os confrontos.

Nos controles, Fading Echo acerta ao entregar uma movimentação extremamente fluida e intuitiva. Existe uma sensação constante de continuidade entre exploração, combate e interação com o cenário, sem rupturas bruscas no ritmo. Controlar One é prazeroso, especialmente quando o jogador começa a dominar as transformações e encadear habilidades de forma natural.

Ambição entre realidades fragmentadas

No entanto, essa liberdade vem acompanhada de um problema significativo e que pode comprometer a navegação. Corel é um mundo labiríntico, formado por ilhas flutuantes e caminhos interligados de maneira pouco convencional. Sem um sistema de mapa eficiente, é comum se perder ou ter dificuldade para entender para onde ir, especialmente nas etapas mais avançadas. Essa confusão espacial, embora coerente com a proposta do mundo fragmentado, acaba prejudicando o fluxo da experiência.

Visualmente, o jogo aposta em uma direção de arte estilizada que valoriza sua identidade própria. Corel é um mundo estranho, instável e criativo, com cenários que reforçam constantemente a sensação de colapso da realidade. As ilhas flutuantes, os efeitos visuais das transformações e as distorções causadas pelo Paradoxo ajudam a construir uma estética coesa e interessante. Não é um jogo que busca realismo, mas sim consistência com sua proposta, e nisso ele é bastante eficiente. Há um charme evidente de produção independente, mas com um nível de polimento que se aproxima de projetos maiores.

A trilha sonora cumpre bem seu papel ao acompanhar o tom da aventura, alternando entre momentos mais contemplativos durante a exploração e composições mais intensas em situações de perigo. No entanto, o grande destaque sonoro está na dublagem. Fading Echo surpreende ao entregar um trabalho de localização de alto nível, com vozes conhecidas e interpretações que elevam o carisma dos personagens. Esse cuidado contribui diretamente para a imersão e reforça o tom leve e acessível da narrativa, criando uma conexão imediata com o jogador.

No fim das contas, Fading Echo é um jogo que se define pela fluidez, tanto em sua jogabilidade quanto em sua proposta criativa. Ele acerta ao priorizar experimentação, puzzles e liberdade, mesmo que tropece em um combate menos aprofundado e em uma estrutura de mundo que pode confundir mais do que deveria. Ainda assim, como título de estreia da Emeteria, é uma experiência que impressiona pela coragem de suas ideias e pela forma como consegue amarrar tantas mecânicas diferentes em algo coeso. Pode não ser perfeito, mas é exatamente o tipo de projeto que vale a atenção, especialmente para quem busca algo fora do padrão dentro do gênero.

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Nota final: 4.5/5

Avaliação: 5 de 5.

Acesse o site oficial do jogo.

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Viciado em cultura japonesa, fanático por games e consumidor de ficção científica e fantasia. Designer e já foi editor do Bookeando. Nas horas vagas consegue se dividir entre as batidas do seu taikô, as viagens por uma galáxia muito distante, a eterna busca pela Triforce e as batalhas nas 12 casas do Santuário.

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