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Star Wars: por que o Tio Owen não reconheceu C-3PO em Uma Nova Esperança?

Quando Luke Skywalker voltou para a fazenda de umidade com os dois droides recém-comprados, seus tios agiram com indiferença. Para Owen e Beru Lars, eram apenas mais um C-3PO e um R2-D2. O problema é que o público já sabia, desde o lançamento de “Ataque dos Clones” (2002), que aquela não era a primeira vez que eles se encontravam.

O reencontro que nunca aconteceu

Em “Uma Nova Esperança” (1977), Owen Lars compra C-3PO e R2-D2 de comerciantes Jawas. Ele não demonstra qualquer sinal de reconhecimento. O mesmo acontece com Beru. Para o espectador que viu apenas a trilogia original, isso não causa estranheza.

O cenário muda completamente com a chegada das prequelas. Em “Ataque dos Clones” (2002), a história revela que C-3PO passou um bom tempo na fazenda da família Lars. O droide foi levado para o local quando Shmi Skywalker, mãe de Anakin, se casou com Cliegg Lars, o pai de Owen. Isso foi por volta de 22 anos antes dos eventos do filme de 1977.

Isso significa que Owen e C-3PO conviveram diariamente durante um período. O droide ajudava nas tarefas domésticas e na comunicação. Mais tarde, Owen chega a ordenar que C-3PO acompanhe Anakin, dizendo “Take C-3PO with you”.

Ainda assim, ao encontrar o mesmo robô novamente, o tio de Luke não o reconhece.

Por que o Tio Owen não lembrava?

A explicação mais simples é também a mais sincera: trata-se de uma falha de continuidade na saga. George Lucas não tinha todo o passado de C-3PO planejado quando escreveu o primeiro filme. Apenas anos depois, ao criar as prequelas, ele conectou os droides à família Lars, gerando essa contradição.

A boa notícia para quem gosta de manter a lógica do universo é que existem teorias para tentar resolver o problema.

Diferença na aparência

Uma das principais hipóteses envolve a cor do robô. Em “Ataque dos Clones”, C-3PO tem uma blindagem prateada e opaca. Já em “Uma Nova Esperança”, ele aparece com o visual dourado e brilhante que se tornou icônico. A mudança pode ter sido suficiente para que Owen não associasse um ao outro, especialmente após mais de duas décadas.

Droides são comuns no universo

Outra explicação é a própria natureza descartável dos robôs. A galáxia de Star Wars está cheia de unidades da série 3PO. Para um fazendeiro prático como Owen, seria natural supor que aquele era apenas mais um protocolo droide igual a tantos outros que ele já viu passar pela fazenda. A memória de um equipamento substituído há 20 anos não teria motivo para ser guardada.

Falta de afeição por robôs

Owen Lars nunca foi uma pessoa sentimental, especialmente com máquinas. Para ele, droides são ferramentas. Reconhecer C-3PO não traria qualquer benefício prático. Mesmo que ele tivesse uma leve sensação de familiaridade, não seria algo que ele externaria ou valorizaria.

O próprio C-3PO não se apresentou

Há ainda um detalhe técnico relevante. De acordo com o roteiro original, C-3PO nunca se apresenta formalmente a Owen. Ele só revela seu nome para Luke, em um momento após a compra, quando Owen já não está mais por perto. Como Owen não ouviu o nome e o robô não evocou ativamente nenhuma lembrança, a memória simplesmente não foi despertada.

O mesmo problema se repete com Obi-Wan

O caso de Owen Lars não é isolado. Obi-Wan Kenobi também interagiu intensamente com R2-D2 ao longo das Guerras Clônicas. No entanto, ao reencontrá-lo em “Uma Nova Esperança”, o Mestre Jedi diz a famosa frase “Não me lembro de jamais ter possuído um droide”. Dessa vez, no entanto, há quem interprete que Obi-Wan estava apenas mentindo para não levantar suspeitas sobre seu passado.

Uma contradição que a comunidade aceita

Passados quase 50 anos do lançamento do primeiro filme, a falta de reconhecimento de Owen Lars continua sendo um dos pontos mais discutidos entre os fãs. Não há uma resposta oficial e definitiva. A solução para cada espectador depende do quanto ele está disposto a aceitar as explicações não oficiais.

De qualquer forma, a contradição não diminui a importância de C-3PO ou da família Lars para a mitologia de Star Wars. Ela apenas serve como lembrete de que, ao construir uma história por décadas, até os impérios mais bem estruturados deixam algumas arestas para trás.

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Jornalista há mais de 20 anos e fundador do NERDIZMO. Foi editor do GamesBrasil, TechGuru, BABOO e já forneceu conteúdo para os principais portais do Brasil, como o UOL, GLOBO, MSN, TERRA, iG e R7. Também foi repórter das revistas MOVIE, EGW e Nintendo World.

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