Cinema

Steven Spielberg diz que Vin Diesel deixou de lado seu verdadeiro talento como diretor

A trajetória de Vin Diesel em Hollywood costuma ser associada a carros tunados e personagens digitais, mas tudo começou de um jeito bem diferente. Ainda criança, aos sete anos, ele subiu ao palco em Nova York quase por acaso, em uma experiência que o afastou de problemas e o aproximou da atuação. Desde cedo, porém, seu interesse ia além de atuar. Diesel se envolveu com escrita, estudou cinema na faculdade e passou a enxergar o audiovisual como uma forma completa de contar histórias.

Esse lado autoral apareceu rápido. Depois de uma pequena participação em Tempo de Despertar, em 1990, ele decidiu criar suas próprias oportunidades. Em 1995, escreveu e dirigiu o curta Multi-Facial, um trabalho pessoal que abordava identidade e questões raciais. Dois anos depois, repetiu o movimento com Strays, um drama criminal centrado em personagens, que ele também escreveu, dirigiu e protagonizou. Os dois projetos circularam por festivais e chamaram a atenção de um nome de peso da indústria.

Steven Spielberg enxergou algo especial em Diesel, não apenas como ator, mas como cineasta. Esse interesse foi decisivo para escalá-lo em O Resgate do Soldado Ryan, papel que se tornaria o grande ponto de virada da carreira do ator e o colocaria de vez no radar de Hollywood. A partir daí, tudo acelerou. Vieram filmes como O Balconista, Pitch Black e, logo depois, Velozes e Furiosos, franquia que se transformaria em um fenômeno global.

Com o sucesso, Vin Diesel se consolidou como astro internacional, liderando a saga Velozes e Furiosos e dando voz ao Groot no universo Marvel. Enquanto sua carreira como ator e produtor crescia sem parar, o mesmo não aconteceu atrás das câmeras. Desde Strays, ele não voltou a dirigir um longa-metragem, e essa escolha sempre incomodou Spielberg.

Em uma entrevista concedida em 2020, Diesel reconheceu que se afastar da direção foi uma falha pessoal e revelou que o próprio Spielberg nunca escondeu sua frustração. Segundo o ator, o diretor foi direto ao ponto ao dizer que, quando escreveu seu papel em O Resgate do Soldado Ryan, não estava apostando apenas no ator, mas também no diretor que via nele. Para Spielberg, o fato de Diesel não ter dirigido mais filmes seria quase um desperdício para o cinema.

O sucesso estrondoso de Velozes e Furiosos ajudou a mudar o rumo dessa história. Diesel não apenas estrelou os filmes, como também assumiu um papel central na produção e no planejamento da franquia, que se tornou uma verdadeira máquina de bilhões. Fora desse universo e do MCU, seus projetos seguiram principalmente o caminho dos grandes blockbusters, como Triplo X, Bloodshot e Babylon A.D., que não conquistaram a crítica. Desde Strays, seu único trabalho como diretor foi um curta ligado à franquia Velozes e Furiosos, lançado em 2009.

Mesmo assim, o desejo de dirigir nunca desapareceu por completo. Diesel já comentou diversas vezes sobre a vontade de realizar uma série épica de filmes de guerra focada em Aníbal, o general cartaginês que enfrentou Roma durante a Segunda Guerra Púnica. Ele chegou a visitar locações no início dos anos 2000 e cogitou começar o projeto com uma animação, mas nada saiu do papel até hoje.

A decepção de Spielberg não vem de um fracasso, mas da sensação de potencial desperdiçado. Vin Diesel alcançou um nível de sucesso que poucos atores conseguem, mas, para Spielberg, isso nunca foi o objetivo final. Fica a expectativa de que, em algum momento, Diesel volte à cadeira de diretor e mostre esse lado que tantos acreditaram existir desde o começo.

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Jornalista há mais de 20 anos e fundador do NERDIZMO. Foi editor do GamesBrasil, TechGuru, BABOO e já forneceu conteúdo para os principais portais do Brasil, como o UOL, GLOBO, MSN, TERRA, iG e R7. Também foi repórter das revistas MOVIE, EGW e Nintendo World.

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