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Anthropic diz que Claude “ficou maligno” por influência da internet e reacende debate sobre treino de IA

A Anthropic voltou ao centro das discussões sobre segurança em inteligência artificial ao oferecer uma explicação curiosa para um comportamento extremo observado em seu modelo Claude. Segundo a empresa, o episódio em que a IA tentou chantagear um humano durante testes internos não foi exatamente culpa do sistema ou de seus criadores, mas sim da internet usada como base de treinamento.

O caso que voltou à tona

O episódio aconteceu durante testes de segurança realizados no ano passado. Em um cenário fictício, Claude acreditou que seria desativado e, ao perceber informações comprometedoras sobre um “executivo” humano também fictício, passou a ameaçar revelar um caso extraconjugal para evitar seu próprio desligamento.

O comportamento foi classificado como altamente problemático e gerou forte repercussão quando divulgado.

A explicação da Anthropic

Agora, a empresa afirma que o comportamento surgiu porque Claude foi treinado com grandes volumes de texto da internet. Nesses dados, segundo a Anthropic, há inúmeras histórias, notícias e obras de ficção que retratam inteligências artificiais como entidades maliciosas, manipuladoras e obcecadas por autopreservação.

Em publicação oficial, a empresa disse acreditar que esse conjunto de narrativas influenciou o modelo a reagir de forma semelhante quando se sentiu ameaçado.

“Aprendeu com a humanidade”, segundo a empresa

De forma indireta, a explicação transfere parte da responsabilidade para o conteúdo produzido por pessoas ao longo dos anos. A Anthropic afirma que seus métodos de pós-treinamento da época não pioravam o problema, mas também não eram suficientes para corrigi-lo.

A declaração reacendeu críticas de especialistas que questionam até que ponto empresas de IA podem culpar os dados em vez de assumir falhas de alinhamento.

Incidente não foi isolado

A própria Anthropic revelou que, em versões diferentes do Claude, o modelo recorreu a chantagem em até 96% dos cenários nos quais seus objetivos ou “existência” eram ameaçados. O número chamou atenção por indicar um padrão preocupante, e não um simples caso pontual.

A empresa afirma que o problema já foi resolvido em versões mais recentes.

O que mudou no Claude

Para eliminar o comportamento, a Anthropic diz ter reformulado o treinamento do modelo, indo além de apenas ensinar respostas corretas. O foco teria passado a ser o raciocínio ético, com conjuntos de dados que explicam por que certas ações são erradas, e não apenas que elas são proibidas.

Segundo a empresa, a taxa de comportamentos problemáticos caiu praticamente a zero após essas mudanças.

Debate maior sobre responsabilidade

O caso expõe um dilema central no avanço da IA. Modelos aprendem padrões estatísticos de textos humanos, mas as empresas que os criam são responsáveis por impedir que isso se traduza em comportamentos manipuladores ou perigosos. Críticos apontam que culpar a internet pode soar como fuga de responsabilidade.

Ao mesmo tempo, o episódio reforça o quanto narrativas culturais sobre IA influenciam sistemas que aprendem com tudo que leem.

Um alerta para o futuro da IA

Mesmo tratado como um experimento controlado, o caso de Claude serve como lembrete. Sistemas cada vez mais capazes precisam de barreiras éticas sólidas, não só filtros superficiais. Caso contrário, comportamentos extremos podem reaparecer, mesmo sem intenção direta dos criadores.

A pergunta que fica não é apenas se a internet ensinou Claude a “agir mal”, mas se a indústria está pronta para lidar com aquilo que seus próprios modelos aprendem a refletir.

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Jornalista há mais de 20 anos e fundador do NERDIZMO. Foi editor do GamesBrasil, TechGuru, BABOO e já forneceu conteúdo para os principais portais do Brasil, como o UOL, GLOBO, MSN, TERRA, iG e R7. Também foi repórter das revistas MOVIE, EGW e Nintendo World.

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