A história de He-Man e Masters of the Universe nasceu em 1982 como uma linha de brinquedos e, por um bom tempo, a história veio depois do plástico. A ideia central sempre foi simples. Em Eternia, um mundo onde magia e tecnologia convivem, He-Man defende o Castelo de Grayskull do vilão Skeletor. Só que essa premissa passou por várias transformações ao longo de quatro décadas, mudando o que hoje chamamos de “canon” da franquia.
Nos primeiros anos, o pouco de narrativa existente vinha dos mini quadrinhos que acompanhavam os bonecos. Neles, He-Man era um bárbaro errante, bem diferente do príncipe que o público aprenderia a conhecer depois. Skeletor surgia como um invasor de outra dimensão e a figura da Feiticeira ainda não estava totalmente definida. Até a famosa Espada do Poder era dividida em duas, uma para He-Man e outra para Skeletor, ideia pensada para funcionar com o brinquedo do Castelo de Grayskull.

A grande virada aconteceu quando a DC Comics entrou em cena no início dos anos 80. Foi ali que surgiram conceitos fundamentais, como He-Man ser a identidade secreta do Príncipe Adam e o tigre medroso Cringer se transformar no Battle Cat. A mãe de Adam também ganhou uma origem terrestre, como uma astronauta vinda da Terra, um detalhe que atravessou décadas e deve aparecer novamente no novo filme live action.
Em 1983, o desenho da Filmation consolidou o que muita gente considera a versão definitiva de Masters of the Universe. A transformação de Adam em He-Man virou um ritual clássico, a Feiticeira ganhou o visual de falcão e personagens como Orko e Man-At-Arms passaram a fazer parte do núcleo principal. Essa série também simplificou vários conceitos iniciais e estabeleceu o tom que marcou a infância de toda uma geração.
Após o fim da linha de brinquedos em 1987 e o fracasso do filme live action daquele ano, a franquia entrou em uma fase instável. A tentativa de reinvenção nos anos 90 levou He-Man para o espaço em The New Adventures of He-Man, uma mudança tão radical que acabou sendo ignorada nas versões seguintes.

O relançamento de 2002 trouxe Masters of the Universe de volta às raízes, mas com ajustes importantes. Foi ali que a origem de Skeletor como Keldor, irmão do Rei Randor, ganhou força definitiva. Essa ideia acabou sendo expandida nas animações mais recentes da Netflix, como Revelation e Revolution, que aprofundaram o drama familiar entre herói e vilão.
A animação em CGI lançada pela Netflix em 2021 mudou tudo mais uma vez, apresentando um Adam jovem, separado de sua família e com uma abordagem voltada para um público infantil. Apesar de manter elementos clássicos, essa versão teve vida curta e pouca influência duradoura na mitologia geral.
Agora, a franquia se prepara para mais uma reinvenção. O filme live action dirigido por Travis Knight chega aos cinemas em 5 de junho de 2026 e traz uma nova variação da origem de He-Man. Nela, Adam cresce na Terra antes de retornar a Eternia para enfrentar Skeletor. A base continua a mesma, mas com mudanças suficientes para criar um novo ponto de entrada para o público atual.

Ao longo de 40 anos, Masters of the Universe provou ser uma franquia em constante adaptação. Cada geração ganhou seu próprio He-Man, moldado pelo formato, pelo público e pelo momento cultural. E tudo indica que essa evolução ainda está longe de acabar.
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