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Estudo revela que a maioria das pessoas guarda nove segredos “moderadamente importantes”

Você anda preocupado com algum segredo que nunca contou para ninguém? Pois saiba que não está sozinho. Um novo estudo indica que a pessoa média carrega cerca de nove segredos considerados “moderadamente significativos”, além de pelo menos cinco que nunca foram compartilhados com absolutamente ninguém. E, como já deu para imaginar, manter tudo isso escondido pode ter impacto direto no bem-estar emocional.

A pesquisa foi conduzida por psicólogos da University of Melbourne, que decidiram investigar não apenas quais tipos de segredos as pessoas costumam guardar, mas principalmente como isso interfere no dia a dia. Segundo os autores, os segredos ocupam mais espaço na mente do que nas conversas. Ou seja, muitas vezes o peso não está apenas em esconder algo dos outros, mas em conviver mentalmente com essa informação o tempo todo.

Estudos anteriores já sugeriam que as pessoas pensam em seus segredos com o dobro da frequência com que precisam ativamente escondê-los em interações sociais. No entanto, essas conclusões eram baseadas em lembranças retrospectivas dos participantes. Para obter dados mais precisos, os pesquisadores recrutaram 240 voluntários que deveriam ter ao menos um segredo atual. Durante duas semanas, eles preencheram diários diários, totalizando 2.764 registros sobre pensamentos, emoções e situações envolvendo seus segredos.

O resultado mostrou que, em média, cada participante carregava nove segredos que avaliava como negativos e relativamente importantes. Entre os mais comuns estavam mentiras já contadas, algo admitido por 78% dos voluntários. Em seguida vinham insatisfações secretas com a própria aparência, segredos financeiros, desejos românticos não revelados e comportamentos sexuais mantidos em sigilo.

Vale ressaltar que esses números não representam necessariamente toda a população. Como o estudo exigia que os voluntários tivessem pelo menos um segredo para participar, é possível que pessoas mais propensas a guardar segredos também acumulem mais deles, enquanto outras talvez não escondam nada relevante. O foco principal da pesquisa, porém, não era quantificar exatamente quantos segredos cada pessoa tem, mas entender como eles afetam a saúde mental.

E aí está o ponto mais interessante. Os pesquisadores observaram que os pensamentos sobre segredos surgem de forma espontânea com mais frequência do que deliberada. Quando a mente simplesmente “viaja” até o assunto sem intenção, as emoções associadas tendem a ser mais negativas, acompanhadas de preocupação e ansiedade. Já nos dias em que os participantes decidiam pensar conscientemente sobre o segredo, os níveis de preocupação eram menores.

Outro detalhe curioso é que quem refletia deliberadamente sobre o próprio segredo com mais frequência tendia a fantasiar ou imaginar cenários relacionados a ele. Por outro lado, quem experimentava mais devaneios involuntários relatava mais inquietação. No geral, o estudo não encontrou associação entre pensamentos espontâneos sobre segredos e sentimentos positivos.

Os autores sugerem que existe uma espécie de ciclo vicioso. O segredo gera pensamentos negativos, que por sua vez reforçam emoções desagradáveis, alimentando ainda mais a ruminação mental. No entanto, eles também apontam que refletir de forma consciente sobre o significado e o impacto do segredo pode, no longo prazo, ajudar na resolução emocional, mesmo que traga algum desconforto imediato.

Como diria a Tia May em The Amazing Spider-Man, segredos têm um preço. E, ao que tudo indica, esse preço pode ser pago em parcelas de ansiedade, culpa e estresse acumulado. O estudo foi disponibilizado no servidor de pré-publicações PsyArXiv e ainda deve passar por revisão formal, mas já reforça uma ideia que muita gente sente na prática: guardar algo importante só para si pode ser bem mais pesado do que parece.

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Hortência é profissional de Letras, educadora, tatuadora e mãe. Apaixonada por arte e cultura, une seus múltiplos interesses que vão da cultura pop à gastronomia para produzir conteúdos variados e criativos.

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