Críticas de Filmes

Minions & Monstros: nova animação da Illumination mistura comédia, caos e referências clássicas do cinema

Minions & Monstros chega como o tipo de animação que parece um caos controlado e piadas visuais, carregando muito carinho declarado pela franquia e a própria história do cinema. Ao mesmo tempo em que funciona como terceiro filme da franquia derivada de Meu Malvado Favorito, o longa tenta dar um passo além da fórmula ao transformar os Minions em personagens metalinguísticos, colocados no centro da invenção do cinema e, por tabela, de uma aventura que mistura homenagem, paródia e destruição em escala global.

A premissa é simples e eficiente. Um Minion solitário chamado James tenta realizar seu próprio filme, mas acaba liberando monstros que ameaçam o mundo, forçando a turma amarela a conter o desastre que ela mesma criou. Essa estrutura casa muito bem com a identidade da franquia, porque transforma a bagunça em motor narrativo e usa a ingenuidade dos Minions como combustível para uma comédia de erros em ritmo acelerado. O resultado é menos uma história de arco dramático tradicional e mais uma celebração do movimento contínuo, da gafe em cadeia e da lógica absurda que sempre sustentou esses personagens.

O detalhe mais interessante é que o filme não quer apenas fazer piada com monstros, pois ele consegue usar os monstros para falar do próprio nascimento do espetáculo que é o cinema. Ao situar a ação em Hollywood nos anos 1920, a animação abre espaço para brincar com o cinema mudo, com a transição para os filmes falados e com a ascensão dos estúdios como fábricas de sonho e de cultura pop. Isso dá ao longa uma camada de metalinguagem que o diferencia de uma aventura genérica de franquia infantil.

Minions & Monstros

Como terceiro capítulo dedicado diretamente aos personagens amarelos, Minions & Monstros precisa carregar duas funções ao mesmo tempo ao manter o apelo universal dos personagens e renovar a sensação de novidade. A mudança de cenário ajuda muito, porque sair da mesmice e mergulha na Hollywood clássica, permitindo que a obra pareça maior, mais cinematográfica e mais irônica consigo mesma. É também uma forma inteligente de evitar a fadiga da marca, já que a franquia corre o risco de repetir a própria fórmula com o humor já estabelecido anteriormente.

O mérito está justamente em não tratar essa terceira etapa como um simples preenchimento de calendário. A presença de Pierre Coffin na direção reforça a continuidade criativa da saga e dá ao filme uma assinatura clara, especialmente porque ele está ligado à franquia desde o começo e segue como a voz central do universo dos Minions. Isso ajuda a manter a sensação de que o filme foi feito por alguém que entende o ritmo, a textura e o estilo nonsense desses personagens, e não apenas por uma engrenagem industrial tentando espremer mais uma bilheteria.

Minions & Monstros

Os Minions continuam sendo o maior trunfo do filme porque dispensam explicações longas e funcionam no registro da pura expressividade física e sonora. A versão original preserva a assinatura de Pierre Coffin, que ainda empresta sua voz ao bando, enquanto o elenco em inglês inclui nomes como Jesse Eisenberg, Zoey Deutch, Jeff Bridges, Allison Janney, Christoph Waltz e Trey Parker. Essa mistura de vozes veteranas com o caos fonético dos Minions ajuda a criar um contraste divertido entre o absurdo infantil e a pose dramática do cinema clássico. Na dublagem brasileira, o destaque vai para Guilherme Briggs como a voz dos Minions, em continuidade com a recepção afetuosa que o público local já tem pela franquia.

Conseguindo ir além do próprio universo, Minions & Monstros carrega uma quantidade absurda de referências à história do cinema e à cultura audiovisual. As leituras críticas apontam homenagens ao cinema mudo, ao preto e branco, a Chaplin, Buster Keaton, Harold Lloyd, aos irmãos Lumière, aos filmes “Tempos Modernos” e “Tubarão”, além de outras imagens que ajudam a transformar o longa numa espécie de passeio pelos grandes nomes da sétima arte. Em vez de ser só um mosaico de citações, isso funciona como comentário sobre a evolução do cinema, desde os primórdios à fabricação moderna de franquias.

Minions & Monstros

O resultado é simpático porque a obra não trata essas referências como enfeite para cinéfilo, mas como parte orgânica da brincadeira dos Minions. Quando um filme infantil consegue inserir o nascimento de Hollywood, a passagem do mudo para o sonoro e a memória de clássicos universais dentro desse tipo de comédia, ele amplia o público sem perder a leveza. É exatamente com essa costura entre cultura pop e história do cinema que Minions & Monstros encontra seu melhor equilíbrio.

Minions & Monstros parece ser exatamente o que se espera de uma boa animação da Illumination, assim como “Super Mario Galaxy: O Filme” demonstrou. Uma animação barulhenta, ágil, debochada e visualmente inventiva, mas com a vantagem de tentar ir além da repetição automática.

Minions & Monstros

A história é simples, porém a ambientação em Hollywood e a chuva de referências cinematográficas dão frescor à franquia que, se já era forte em humor físico, aqui ela encontra uma camada extra de charme ao transformar a própria origem do cinema em palco para o caos dos Minions. Em mês de férias escolares, os Minions retornam com uma aventura divertida para crianças, mas também uma carta de amor ao cinema para quem reconhece as citações pelo caminho.

Viciado em cultura japonesa, fanático por games e consumidor de ficção científica e fantasia. Designer e já foi editor do Bookeando. Nas horas vagas consegue se dividir entre as batidas do seu taikô, as viagens por uma galáxia muito distante, a eterna busca pela Triforce e as batalhas nas 12 casas do Santuário.

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