Críticas de Filmes

Mortal Kombat 2: mais sangue, mais personagens e mais próximo do fatality perfeito

Depois de um primeiro filme que dividiu opiniões, Mortal Kombat 2 chega aos cinemas dia 07 de maio, com a promessa de corrigir os erros do reboot de 2021 e finalmente entregar a adaptação definitiva de uma das franquias mais icônicas dos games. Mas, apesar de acertos evidentes, o longa ainda tropeça na narrativa, entregando um estilo de cinema dos anos 90 com um filme que prefere seguir o estilo de história simples que a franquia de jogos possui.

Dessa vez, o filme entende melhor o que o público quer, mostrando um importante e grato avanço. As lutas são mais brutais, melhor coreografadas e visualmente mais fiéis ao espírito dos jogos. Personagens clássicos finalmente recebem mais destaque, com nomes queridos ganhando tempo de tela e momentos que arrancam aquele sorriso dos fãs. Há um esforço claro em abraçar o fan service e em vários momentos isso funciona.

Essa sequência finalmente coloca o torneio Mortal Kombat no centro da narrativa, abandonando a sensação de prólogo eterno do filme anterior. Aqui, vemos a escalada do conflito entre Earthrealm e Outworld ganhar forma, com Shao Kahn assumindo um papel mais dominante e ameaçador. Diferente dos vilões genéricos anteriores, ele carrega o peso de um conquistador brutal, e sua presença ajuda a dar mais urgência à trama.

Mortal Kombat 2

Entre os protagonistas, Liu Kang finalmente ganha o protagonismo que sempre mereceu. Sua jornada deixa de ser apenas a de um escolhido e passa a explorar seu conflito interno entre responsabilidade e identidade, principalmente pela conexão retomada entre ele e Kung Lao. Enquanto isso, Sonia e Jax acabam caindo para papéis secundários, assim como acontece com Kano, Baraka, Quan Chi e Cyndel, que aparecem apenas para cumprirem tarefas que enaltecem os demais personagens. Até mesmo Raiden e Shang Tsung ficam em segundo plano, quase esquecidos em boa parte do filme.

Johnny Cage, por sua vez, funciona como o contraponto mais carismático. Sua introdução traz leveza e um toque metalinguístico interessante, especialmente ao brincar com sua própria imagem de astro decadente. Ao longo do filme, ele deixa de ser apenas alívio cômico e começa a construir um arco de redenção, ainda que previsível.

Mortal Kombat 2

Já personagens como Kitana e Jade recebem mais atenção, especialmente na construção de sua origem e relação com Outworld. O filme tenta explorar o conflito político, além de colocá-las no centro dessas questões, adicionando camadas ao universo de Mortal Kombat, mas acaba esbarrando no tempo limitado para desenvolver essas ideias de forma mais impactante.

Scorpion e Sub-Zero continuam sendo figuras centrais em termos de apelo visual e simbólico, resgatando ainda mais da lore desse universo com a presença do Netherrealm e a presença de Noob Saibot. A rivalidade entre eles ganha novos elementos, especialmente ao expandir suas motivações e conexões com o plano maior do conflito.

Mortal Kombat 2

Mesmo conseguindo entregar uma experiência divertida e que busca respeitar a franquia e os fãs, Mortal Kombat 2 continua preso a uma estrutura narrativa frágil. A história parece existir apenas como um fio condutor entre cenas de luta, sem conseguir construir tensão real ou desenvolver seus personagens de forma consistente.

Assim com os jogos não se esforçam em montar uma história consistente ao longo dos jogos, correndo atrás desse prejuízo com os títulos mais recentes, a adaptação para o cinema preferiu seguir o mesmo estilo ao mostrar personagens entrando e saindo da trama sem necessariamente um impacto real, parecendo mais um checklist a ser realizado ao invés de presenças fundamentais para a narrativa.

Mortal Kombat 2

Simon McQuoid conseguiu utilizar o roteiro de Jeremy Slater para entregar uma adaptação que busca se levar a sério e abraçar o exagero característico da franquia, tentando esse equilíbrio em muitos momentos. Afinal, Mortal Kombat sempre foi sobre exagero, estilo e personalidade, muito presente nos jogos, mas que nos filmes não tinha encontrado uma maneira diluída em diversos momentos sem parecer forçado.

Os momentos em que o filme simplesmente aceita sua natureza e entrega o caos que os fãs esperam, Mortal Kombat 2 brilha e se torna ainda mais agradável. As sequências de luta mais intensas, os fatalities, as músicas, falas, movimentos, e a presença de personagens icônicos mostram que existe um caminho claro a ser seguido. Para o terceiro filme o que não pode faltar é a coragem de abraçar tudo isso por completo.

Mortal Kombat 2

No fim das contas, Mortal Kombat 2 é muito melhor que seu antecessor, e todos os demais filmes, mas ainda está longe de ser a adaptação definitiva que a franquia merece. É um filme que acerta golpes importantes, mas ainda não consegue finalizar o adversário.

Viciado em cultura japonesa, fanático por games e consumidor de ficção científica e fantasia. Designer e já foi editor do Bookeando. Nas horas vagas consegue se dividir entre as batidas do seu taikô, as viagens por uma galáxia muito distante, a eterna busca pela Triforce e as batalhas nas 12 casas do Santuário.

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